terça-feira, 29 de setembro de 2009
Pedro Costa, sublime!
Publicada por Manuel Halpern à(s) 11:39 2 comentários
Etiquetas: Cinema, Rodrigues da Silva
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
Concerto do Retrospect Ensemble ajuda Jardim Botânico
Publicada por Conceição Moura Mendes à(s) 12:34 0 comentários
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
Método para um voto consciencioso
Os partidos que se candidatam às próximas legislativas são 15. À partida não se deve excluir nenhum só porque tem um nome esquisito. O primeiro passo do eleitor dedicado é ler, de forma exaustiva e atenta, os programas de todos os partidos. Sublinhar com um marcador os principais pontos de vista nas diversas áreas de actuação e elaborar uma tabela comparativa, para perceber o que os une e o que os separa. De seguida deve confrontar as ideias dos partidos com as suas próprias, estabelecendo uma regra de ponderação, assinalando e valorizando as coincidências. Por exemplo, pode classificar de 1 a 10 cada uma das ideias e depois fazer as contas, para perceber o que mais lhe agrada. Quem marcar mais pontos merece o seu voto.
O esquema seria perfeito não fosse a demagogia. Funciona se acreditar que o que está escrito no programa dos partidos corresponde ao que estes realmente pretendem pôr em prática. Além disso dá uma trabalheira capaz de desesperar os mais picuinhas. Porque os programas dos partidos são, regra geral, longos, maçudos e mal escritos, e ninguém em seu perfeito juízo se predispõe a fazer essa leitura. E se porventura alguém o fizer, o mais provável é que perca o juízo a meio caminho.
Na Internet está disponível uma ferramenta que, supostamente, poupa-nos este exaustivo trabalho de leitura. Basta responder a 28 perguntas e a bússola eleitoral (http://www.bussolaeleitoral.pt) indica-nos a que zona ou família política pertencemos. Se não o partido exacto, pelo menos uma área. Porque há diferenças concretas entre os partidos, entre as esquerdas, entre as direitas e entre os centros. A bússola pode revelar algumas surpresas. Conheço militantes do BE que se descobriram no PS e outros do PS que se descobriram no PP. É um teste que todos os políticos deveriam fazer. Talvez alguns descobrissem que estão no partido errado. Pessoalmente, tinha alguma curiosidade em saber das coordenadas, à luz desta bússola, de figuras como Zita Seabra, Freitas do Amaral, Manuel Alegre, Joana Amaral Dias ou – porque não? – José Sócrates.
Publicada por Manuel Halpern à(s) 19:27 1 comentários
Etiquetas: homem do leme
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
Nas bancas!

Os 20 anos do primeiro filme do realizador, que agora volta às salas. E a monografia que faz a retrospectiva da sua obra. Um texto inédito de João Bénard da Costa
Vitorino Magalhães Godinho: A Grande Ilusão
Ensaio sobre a crise, suas causas e consequências
Oito jovens músicos
Perfis dos vencedores do Prémio RDP
Bolaño e Larsson: dois fenómenos editoriais
Eduardo Lourenço e Helder Macedo escrevem sobre Jorge de Sena
Publicada por Manuel Halpern à(s) 13:12 3 comentários
Etiquetas: JL
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
Black Vox
Publicada por Francisca Cunha Rêgo à(s) 15:57 3 comentários
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
A minha beatlomania
Publicada por Manuel Halpern à(s) 11:00 2 comentários
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
Os números da sorte
Há que ter esperança, claro. Não tenho nada contra estas e outras apostas. Por mais improvável que seja ganhar, não é impossível. E Portugal é dos países onde mais se aposta, reflexo das piores condições de vida. No Brasil, paupérrimo, também se investe massivamente no Jogo do Bicho. Se não há dinheiro, resta-nos a fé. E não nos cortem a emoção semanal.
Feitas as contas não sai assim tão barato. Com uma aposta simples, gastam-se oito euros por mês e 104 por semana. Não apostando, a probabilidade de ganhar 104 euros é certa. Para quem faz mais do que uma aposta, o que é vulgar, multipliquem-se estes valores e verifique-se a despesa.
Em Histórias de Cabaret, um excelente filme de Abel Ferrara, Willem Defoe, um viciado no jogo, faz uma mega-aposta na lotaria, através de um cálculo rigoroso, que reduz o risco ao mínimo, e consegue… ganhar. No Euromilhões tal não é viável, a cobertura dos riscos sai demasiado cara.
Mas também há estatísticas. O número que mais vezes saiu é o 50. E o que saiu menos vezes é o 28. Como a probabilidade à partida igual, as ocorrências têm tendência a equilibrar-se pelo que, aparentemente, o 28 seria uma boa aposta. Há outras questões mais certas: as pessoas têm uma propensão para apostar em datas, sobretudo aniversários (de nascimento, casamento, namoro…), tal provoca que haja uma predilecção a nível de palpites por números entre 1 e um 31. Indo as estrelas de 1 a 9, a maior incidência dá-se mesmo entre 10 e 31. Tal não tem qualquer influência no apuramento da chave, mas significa que se, apostar em números entre 32 e 50 e ganhar é mais provável que seja o única totalista. Para já, dou-lhe a certeza que esta chave não vai sair: 7, 22, 38, 45, 46 + 4, 7. Vai uma aposta?
Publicada por Manuel Halpern à(s) 18:14 0 comentários
Etiquetas: homem do leme
quarta-feira, 9 de setembro de 2009
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
Contadora de histórias
Paula Rego, uma Contadora de Histórias é o título da sessão que decorre hoje, quinta-feira, 3, na livraria Bertrand do Chiado, pelas 18 e 30. Com Dalila Rodrigues, directora do Museu Paula Rego, o cronista José Manuel dos Santos (que trabalhou com a artista aquando da série de quadros para o Palácio de Belém) e a jornalista e poeta Ana Marques Gastão (que escreveu um livro-diálogo com quadros de Paula Rego Nós/Nudos, 25 imagens sobre 25 poemas de Paula Rego (Gótica, 2004)). A moderação está a cargo de Anabela Mota Ribeiro. Em destaque, o carácter narrativo na obra de Paula Rego, a duas semanas da inauguração, a 18, do Museu Casa das Histórias, em Cascais. Publicada por Francisca Cunha Rêgo à(s) 12:05 1 comentários
Etiquetas: Notícias
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
Primeira carta
Tudo começou com Águas de Verão. «Era em Setembro que chegávamos em bando». Eu deveria ter uns 5 anos e, nas noites de Verão algarvio, a minha irmã, seis anos mais velha, deitada na outra cama, lia para mim, em voz alta, o romance acabado de sair de Alice Vieira. Foi assim que conheci os quatro irmãos Bé, Marta, Francisco e António; o senhor Gualberto, o do saxofone, as termas carregadas de sais, de achaques e de muita brincadeira entre a «canalha», como diria a Irene, com o cesto de roupa branca à cabeça, o que levaria a Mãe da história, a um quase desmaio. Parece que a estou a ouvir – «Chamar canalha aos meus filhos! Isso é que não!» – e com ela a lembrar-me da angustia, daquela que se prende atrás da garganta, pela injustiça de, nas últimas páginas, terem despedido o senhor Gualberto, só porque ele era um bocadinho doido («O menino é sócio dos que são sócios ou é sócio dos que não são sócios», costumava perguntar aos miúdos que por ele passavam), um bocadinho músico, um bocadinho alegre no meio dos vapores e da comida sem sal – onde nem a sobremesa, aletria acho, escapava à insipidez. Foi ali, com aquelas personagens vivas na voz da minha irmã, na escrita da Alice Vieira que, antes de aprender as letras, eu aprendi a ler.E foi já sozinha que li Rosa, minha irmã Rosa, Lote 12, 2.º Frente, Chocolate à Chuva, o hilariante Graças e Desgraças da Corte d-El Rei Tadinho, A Espada do Rei Afonso, Este Rei que Eu Escolhi. Foi com Flor de Mel que imaginei, cantarolando sempre para dentro, a canção de embalar que ainda hoje sei de cor. Com Úrsula, a Maior que descobri o Frei Luís de Sousa, e com Joana Ofélia, de Se Perguntarem por mim digam que voei, que aprendi que todas as janelas servem para voar. E sorri com os jantares dos velhotes de Às dez a porta fecha, chorei com o Touro Sentado desaparecido nas pradarias do corredor, sem poder nunca mais ver Os Olhos de Ana Marta.
Em cada novo livro uma surpresa, longe do tonzinho didáctico que sempre me irritou nos livros ditos para a infância. Esse tom que Alice Vieira nunca quis ter, como diz na entrevista que publicamos nesta edição, onde conta que troca correspondência com alguns dos seus leitores há quase 30 anos. Para mim, foram precisos mais de 20 – e tantas outras histórias – para encontrar coragem para lhe escrever. Aqui fica a minha primeira carta.
Publicada por Francisca Cunha Rêgo à(s) 16:42 2 comentários
Etiquetas: Par ou ímpar
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
O mundo do fim do mundo
O Corvo está agora menos isolado. Há um aeroporto que é quase do tamanho da vila e barcos diários. Ainda assim, quando o Inverno aperta, o mar se balança em fúria e as nuvens descem à terra, não há barco que se desafie à travessia nem avião que arrisque a aterragem.
A ilha tem pouco mais de 400 habitantes, todos vivem na Vila do Corvo. Segundo me foi garantido, não há um único eremita, um aventureiro que seja, que se disponha a viver na montanha. As casas que lá existem servem apenas de apoio à agricultura. A terra é fértil e há uma enorme densidade de vacas. A ilha é curta. Atravessa-se a pé ao longo de um dia. Mas há uma carrinha que percorre a única estrada de alcatrão existente, que nos conduz ao sopé da montanha, onde se pode observar um monumento natural de beleza rara: o caldeirão.
De uma das encostas da montanha, a terra é de privados, do outro é pública, quem quiser cultiva ou leva as vacas a pastar. No Corvo há pleno emprego, só pode haver. A crise ali é outra. Se começarmos a contar as pessoas necessárias para o seu funcionamento prático, logo nos sobram os dedos. Ali há Correios, Polícia, Escola, Junta, Café, Mini Mercado, Igreja, Hotel, Bombeiros…
Também há televisão e rede no telemóvel. O senhor simpático, de bigode farto, que me conduz pela curta estrada da ilha, servindo também de guia turístico das pequenas coisas, leva no auto-rádio da carrinha uma espécie de pen. Explica-me que é um leitor de MP3 e que, naturalmente, serve para ouvir música. O mundo e o fim do mundo tornam-se cada vez mais próximos.
Publicada por Manuel Halpern à(s) 13:45 1 comentários
Etiquetas: homem do leme
terça-feira, 25 de agosto de 2009
Nas Bancas!
De 26 de Agosto a 8 de Setembro

Alice Vieira do outro lado do espelho
Entrevista de Maria Leonor Nunes e texto de Ana Margarida Ramos
PEPETELA: O PESO DAS PALAVRAS
Escrita, Angola, crise, ganância, ética, Universidade e outros tópicos, num texto do Prémio Camões.
O Planalto e a Estepe lido por Pires Laranjeira
Raul Solnado (1929-2009)
Textos de Leonor Xavier, Millor Fernandes e poema de Manuel A. Valente
Tiago Gomes : Um apóstolo das artes
Figura e crítica ao livro e ao disco
Art Deco em Serralves e no CCB
O elogio da política, por Mário Soares
Allgosto, a crónica de Helder Macedo
A autobiografia de Isabel Fraga
JL/Educação: Ana Maria Bettencourt, a nova presidente do CNE e entrevista a Fernando Catroga
Camões • Agenda Cultural
Publicada por Manuel Halpern à(s) 16:32 0 comentários
Etiquetas: JL
quarta-feira, 29 de julho de 2009
Nas bancas!
De Tavira a Chaves, durante dez dias, o escritor andou pelo país a conversar com os leitores sobre o seu novo romance, Jesusalém. O JL acompanhou-o e conta tudo sobre o Mia on the road. Reportagem e entrevista de Luís Ricardo Duarte • Depoimentos de Luandino Vieira, Ondjaki e Zeferino Coelho • Crítica ao livro por Pires Laranjeira
O Homem na Lua, 40 anos depois
Entrevistas: Estevão de Moura, os novos projectos da Imprensa Nacional, e João de Melo, o espaço em volta
Publicada por Luís Ricardo Duarte à(s) 14:11 2 comentários
Etiquetas: JL
terça-feira, 28 de julho de 2009
domingo, 26 de julho de 2009
Navegantes dos 7 sóis
Publicada por Manuel Halpern à(s) 01:44 0 comentários
Etiquetas: musica
sábado, 25 de julho de 2009
7 sóis 7 luas 7 mares 7 mundos
Publicada por Manuel Halpern à(s) 20:03 0 comentários
Etiquetas: Música
sexta-feira, 24 de julho de 2009
Eu Era Eu Sou
«Somos no fazer e existimos no sonhar. Por vezes, nuvens sentadas ao computador perguntando-nos até quando nos podemos perguntar o que queremos ser no futuro?». A dúvida é lançada pelo grupo de dança contemporânea péantepé, no seu espectáculo Eu Era Eu Sou, que se estreia no auditório do Centro Cultural da Malaposta, amanhã, sábado, 25, pelas 21 e 30 (repete domingo, 26, às 17).Publicada por Francisca Cunha Rêgo à(s) 11:06 0 comentários
Etiquetas: Notícias
quarta-feira, 22 de julho de 2009
Jardim da Cascata
A assinalar a reabilitação dos antigos Viveiros de Pássaros e Cascata dos jardins do Palácio de Belém, o Museu da Presidência da República inaugura hoje, quarta-feira, 22, a exposição Jardim da Cascata. Encomendada por D. Maria I e erigida entre 1780 e 1785, esta estrutura arquitectónica servia de gaiola para aves exóticas que chegavam um pouco de todo o Império português. Plantas, desenhos, gravuras das colecções de vários arquivos, bibliotecas e museus nacionais e ainda de inúmeras espécies de aves embalsamadas compõe a mostra que estará patente até 26 de Julho (das 10 às 17 horas) e de 28 de Julho a 22 de Outubro (de terça a sexta, das 14, às 17 e 30).Publicada por Francisca Cunha Rêgo à(s) 16:09 0 comentários
Etiquetas: Notícias
sexta-feira, 17 de julho de 2009
Cuidado com o degrau
Voltemos às escadas rolantes. Brilhante invenção. Chegou ao Porto e a Portugal com quase um século de atraso. Quem teve a ideia foi o americano Jesse Reno, em 1897. Eram pouco mais do que estudos, desenvolvidos depois por Charles Seeberger e, finamente, comercializados pela Otis. As primeiras escadas funcionais apareceram em Paris e em Londres nos anos 20.
Imagina-se que falar de uma escada rolante, no final do século XIX ou no princípio do século XX, soaria tão fantástico quanto imaginar um carro voador. Hoje tornou-se um dos grandes símbolos comerciais. As escadas rolantes são apanágio de centros comerciais e grandes armazéns. Tornaram-se lugares comuns, a tal ponto que hoje até há quem prefira apanhar o elevador. Para muitos, como as crianças, continuam a ser atractivas, porque é tentadora a ideia de nos deixarmos levar.
A invenção do tapete rolante não teve metade do mérito. Alguém pensou: «E se fizéssemos umas escadas rolantes sem escadas?» Revelou-se útil, porque funciona na horizontal e permite o transporte de volumes.
Genial, genial foi a invenção da escada, a que não rola. Alguém que pensou: «Isto é mais fácil de subir se cavarmos uns socalcos». Com a vantagem de ficar menos escorregadio, mesmo para quem desce... A invenção remonta à antiguidade, há quem arrisque falar em 2000 a.C. Os primeiros a usá-las foram os egípcios e os hebreus. A partir daí tornou-se mais fácil subir. Mas também passou a haver quem caísse das escadas abaixo. Até que, no século VII a.C, Willem Strügenföelznachemann inventou o corrimão. E agora já temos ao que nos agarrar.
Publicada por Manuel Halpern à(s) 12:57 5 comentários
Etiquetas: homem do leme
sexta-feira, 10 de julho de 2009
Zerlina e Compota Russa
Chega hoje ao palco do Teatro de Almada, e em estreia mundial, Zerlina, de Hermann Broch, numa encenação de Robert Cantarella, já conhecido do público do festival, depois de ter apresentado, na última edição, Hippolyte. Zerlina é uma velha criada que nos mostra a descoberta do amor num corpo ainda desprovido de afectos amorosos. Um espectáculo «perturbador», nas palavras de Cantarella, «tanto mais (...) quanto o discurso vai aumentando progressivamente e se torna de tal modo preciso que é necessário fazer um esforço para imaginar semelhante intensidade do presente, dito por uma personagem que parece ter vivido essa paixão há tanto tempo». O espectáculo, interpretado por Thérèse Crémieux, é em francês, com legendas em português.Zerlina, no Teatro Municipal de Almada, Sala Experimental. Hoje, sexta-feira, 10, às 19; amanhã, sábado, 11, às 18
Compota Russa, na Escola D. António da Costa, Almada, hoje, sexta-feira, 10, às 22.
Foto: Compota Russa
Publicada por Mariana Béu à(s) 13:34 0 comentários
quinta-feira, 9 de julho de 2009
Quarto Interior
É o regresso a Almada de Quarto Interior, pela companhia portuense Circolando, eleito pelo público do festival Espectáculo de Honra deste ano. Inserido no Ciclo Poética da Casa, invoca um homem inconformado, que cria novos mundos, procurando-os no quarto, espaço íntimo da casa, lugar de sonhos, memórias e devaneios. O cenário é composto por janelas, portas, mesas, cadeiras, que se desdobram e abrem para acolher o exterior: as árvores, o vento, os pássaros. O espaço transcende, assim, a geometria. Quarto Interior é um espectáculo de teatro dançado, sem palavras, numa abordagem multidisciplinar, que cruza várias linguagens, como é prática dos Circolando. Interpretação de André Braga e JoãoVladimiro
Quarto Interior, no Teatro Municipal de Almada, Sala Principal. Hoje, quinta-feira, 9, às 22 e 30.
Publicada por Mariana Béu à(s) 17:32 0 comentários
Etiquetas: Festival de Teatro de Almada 2009
quarta-feira, 8 de julho de 2009
Menina Else e Film Noir
Aos 19 anos, Else, uma rapariga da classe média vienense, tem que juntar 30 mil florins para salvar a sua família da ruína. Preâmbulo para Menina Else, de Arthur Schinitzler, que recentemente subiu ao palco da Cornucópia, numa encenação de Christine Laurent, e hoje chega a Almada. Uma excelente interpretação da actriz Rita Durão, no primeiro monólogo da sua carreira. Personagem carregada de sombras – ambíguas e inconscientes – que traça um retrato revelador de uma jovem mulher à época (Arthur Schnitzer viveu entre 1862 e 1931) embora, nalguns momentos se revista de uma enorme actualidade.Construído a partir do Projecto Emergentes, que o Teatro Nacional D. Maria II criou para apresentar projectos artísticos no domínio das artes cénicas, Film Noir, de André Murraças, é um espectáculo de teatro construído a partir do género Filme Negro, muito em voga no pós-guerra. No palco conta-se uma história através de imagens cinematográfica. Com Anabela Brígida, Maria João Falcão e Sofia Correia.
Menina Else, no Fórum Romeu Correia, Almada. Auditório Fernando Lopes-Graça, hoje, quarta-feira, 8, às 21 e 30; e amanhã, quinta-feira, 9, às 18
Film Noir, no Teatro Nacional D. Maria II, Sala experimental. De 8 a 11, às 21 e 45, e a 12, às 16 e 15
Publicada por Francisca Cunha Rêgo à(s) 18:00 0 comentários
Etiquetas: Festival de Teatro de Almada 2009
Amin Maalouf em Lisboa
Publicada por Rita Silva Freire à(s) 16:23 0 comentários
Deixem Passar o Homem Invisível
Publicada por Rita Silva Freire à(s) 12:57 0 comentários
Etiquetas: Livros
terça-feira, 7 de julho de 2009
Cortamos e frisamos
Publicada por Francisca Cunha Rêgo à(s) 09:30 0 comentários
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segunda-feira, 6 de julho de 2009
Carta aos actores e Diálogo de um cão...
Duas peças sobem hoje aos palcos do Festival de Teatro de Almada. Carta aos Actores, uma criação do dramaturgo, romancista e artista plástico francês Valère Novarina, com interpretação de Jorge Silva Melo, é uma reflexão sobre a arte de ser actor e o sentido do teatro. «Será preciso que um dia um actor entregue o seu corpo vivo à medicina, que seja aberto, que se saiba enfim o que acontece lá dentro, quando está a actuar. Que se saiba como é feito, o outro corpo. Porque o actor actua com um corpo que não o seu». Hoje, às 21 horas, e amanhã, 7, às 19 horas, no Instituto Franco- Português, em Lisboa. Publicada por Francisca Cunha Rêgo à(s) 12:08 1 comentários
Etiquetas: Festival de Teatro de Almada 2009
sexta-feira, 3 de julho de 2009
Um Deus falhado
O caso serve de paradigma. No que diz respeito a notícias de última hora, os meios on-line ultrapassam facilmente todos os outros, mesmo a televisão. Contudo, um canal como a CNN, tem que defender, a todo o custo, a sua credibilidade. Se a notícia é avançada pela CNN, sabemos que é verdade. Se é dada por um qualquer site é legítimo desconfiarmos.
Michael Jackson é, por si só, um paradigma tecnológico. Enquanto inúmeros cientistas desenvolveram a robótica de forma a criar máquinas que se pareçam com homens, Jackson dedicou grande parte da sua vida a querer parecer-se com uma máquina. Começando, de forma criativa, com alguns dos seus passos de dança, nomeadamente o famoso Moonwalking, em que desliza de forma tão perfeita que nos faz crer que não é humano.
Depois há toda uma questão tecnológica ligada à sua imagem. As mutações (ou mutilações) que provocou ao seu corpo, em busca do mais estranho conceito de beleza, contribuíram, com certeza, para significativos desenvolvimentos a nível da cirurgia plástica, entre outras ciências médicas.
Além disso, Michael Jackson quis convencer-nos de que era imortal. Já que era rei do pop ousou ser Deus. Numa divinização da sua imagem, chegou a limites extremos de isolamento, com medo de contágios. «Gosto muito de vocês, mas por favor não me toquem». Transformou-se numa espécie de alienígena, demasiado branco para ser real. E ficou por cumprir o sonho humano de que falava Raul Brandão: viver para sempre. Foi mais um Deus que falhou no momento decisivo.
Publicada por Manuel Halpern à(s) 12:55 0 comentários
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quinta-feira, 2 de julho de 2009
L. Ville, de Fernando Sobral
Publicada por Rita Silva Freire à(s) 15:57 0 comentários
terça-feira, 30 de junho de 2009
Morreu Pina Bausch
Simples, convencional, óbvia - nenhuma destas palavras se aplica à coreógrafa Pina Bausch. Sempre de cigarro na mão, este ícone da dança era descrito pelos seus próprios bailarinos como "obssessiva". Ela dizia que nunca desistia.
Começou como bailarina na Alemanha, seu país natal, com 15 anos. Mais tarde, partiu para Nova Iorque, onde estudou dança na prestigiada Juilliard School. Provavelmente, aprendeu todas as regras com perfeição para as quebrar repetidamente. Nos anos 70, as suas coreografias romperam com tudo o que se fazia na altura, reinterpretando (reinventando?) o conceito de dança-teatro. Com 33 anos, foi convidada para dirigir o Wuppertaler Tanztheater, que se transformou no Tanztheater Wuppertaler Pina Bausch. Dançar nesta companhia era fazer parte da coreografia, criar em conjunto com uma coreógrafa que tinha nos próprios bailarinos a sua inspiração. Foi com esses bailarinos-musos que se apresentou várias vezes em Portugal, a última das quais o ano passado.
Segundo o site da companhia, Pina Bausch descobriu que tinha cancro há cinco dias. Morreu hoje de manhã no hospital inesperadamente, com 68 anos. Por cima deste texto, deixamos uma amostra de Café Müller, a única coreografia sua que interpretou.
Um crítico de dança alemão descreveu a sua filosofia de dança como "a interpretação da alma e a batalha dos sexos". A interpretação da alma e nada menos que isso. Foi esta filosofia, as histórias e ambientes que inventou inspirados num universo surrealista, ao som de música inesperada (até Caetano Veloso) e, principalmente, os movimentos complexos, homicidas do óbvio, arriscados até roçar a estranheza que fizeram dela uma revolucionária da dança contemporânea.
Publicada por Marta Pais Lopes à(s) 16:01 0 comentários
sexta-feira, 26 de junho de 2009
Festival de Mérida
«Queremos dar um novo impulso, um novo alento, um olhar contemporâneo ao teatro clássico. Por isso escolhemos a palavra Fogo! para ilustrar a 55.ª edição do Festival de Mérida. Das cinzas poderão nascer as mais belas fenix», afirma Francisco Soares, director do festival na apresentação à imprensa que fez recentemente em Lisboa. O festival abre amanhã, sábado, 27, no Teatro Romano de Mérida com uma gala de onde soará a Sinfonia n.º 1, em Ré M, 'Titan', de Gustav Mahler e se poderá ver O rapto de Proserpina, com dramaturgia e direcção de Leandre Escamilla e Manuel Vilanova, pela Companhia Xarxa Teatre. Fedra, de Eurípedes, com direcção de Miguel Narros - «quisemos muito trabalhar com ele, antes que se reforme», afirma, entre risos, Francisco Soares - sobe ao palco do Teatro Romano, numa versão flamenca onde participam os bailarinos Lola Greco, Amador Rojas, Alejandro Granados e Carmelilla Montoya (de 1 a 5 de Julho). Na programação não podia faltar «o bardo Shakespeare». Tito Andrónico foi o espectáculo escolhido e conta com a direcção de Andrés Lima (8 a 12). Considerado um dos melhores cómicos de Espanha, Rafaek Álvarez 'El Brujo' apresenta a criação El Evangelio de San Juan, onde o contacto com o público é a principal pedra de toque (15 a 19). De risos também se faz o espectáculo Os gémeos, de Platão, com direcção de Tamzin Townsend, e as interpretações de, entre outros, Marcial Álvarez e Jesús Noguero (29 de Julho, a 2 de Agosto e de 5 a 9 de Agosto) . A dança também não foi esquecida e Diana y Acteón - pas de deux de Marius Petipá, pelo Corella Ballet Castillha y León, conta com os passos do primeiro bailarino Ángel Corella, entre outros (23 a 25). Todos os espectáculos são às 23 horas. Esta 55.ª edição estende-se até 30 de Agosto - com outras peças a que iremos dando destaque. Muito tempo para descobrir que Mérida não está assim tão longe... Publicada por Francisca Cunha Rêgo à(s) 12:09 0 comentários
Michael Jackson:apenas os negros dançam assim
Quer se queira quer não, quer se goste quer não, Michael Jackson tem um lugar na história da música pop e da cultura popular. Por inúmeros motivos. Foi o mais prodigioso menino-prodígio da música negra. Thriller é o álbum mais vendido de todos os tempos – e dada a crise e a baixa de vendas de discos tão cedo ninguém superará o record. Foi também o primeiro negro com teledisco na MTV. E, de alguma forma, com Thriller, revolucionou o conceito de teledisco, tornando-o, de forma vanguardista, não só numa importante ferramenta de marketing, mas também um objecto com pretensões artísticas.
Curiosamente, este homem, que fez com que muitos brancos quisessem ser negros, quis ele próprio tornar-se branco, num insano desafio genético. Transformou-se num monstro, mais assustador do que a personagem interpretada em Thriller. Mas, mais grave do que essa questão estética, revelou um intolerável preconceito racial, ofensivo para toda a comunidade afro-americana (e a humanidade em geral), o que talvez seja a atitude mais imperdoável da sua história. E estou certo de que se ele tivesse nascido branco não saberia dançar assim.
Publicada por Manuel Halpern à(s) 02:32 1 comentários
Etiquetas: musica
quinta-feira, 25 de junho de 2009
Morreu Michael Jackson
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Publicada por Manuel Halpern à(s) 22:51 0 comentários
Etiquetas: Notícias
Quem não falece?
Os Gato Fedorento não são músicos. Mas ao longo de alguns meses produziram os seus próprios telediscos (música de Armando Teixeira), no Zé Carlos, série marcante da televisão portuguesa. Esses telediscos, agora lançados em CD e DVD, contêm algumas pérolas de humor musical. O meu preferido é logo o primeiro, apresentado pelos Rústicos pelo epicurismo. Com uma influência directa dos Monty Python, respondem à questão: Qual é o sentido da vida? (A resposta é fácil: nenhum). E cantam alegremente sobre a morte, como o refrão: «Nós vamos todos falecer!». Ricardo Araújo Pereira disse certa vez numa entrevista que se pode brincar com tudo menos com o sagrado. Agora tudo depende do que é sagrado para cada um. Aqui, abalançam-se sobre um dos maiores tabus da humanidade de forma seca e improvável. Se há coisa na vida que não tem graça é a morte. Mas aqui rimo-nos da nossa condição humana e da crueldade realista das palavras cantadas. Um exorcismo inteligentíssimo e quase chocante… em nome da vida.
Lembra-te de comer bem,
Bober também
E rir com vontade.
Mas melhor do que isto até
É praticar a se-xualidade.
Não percas tempo na estrada,
Não serve para nada,
Evita as filas.
Arranja uma boa mulher
Ou um gajo qualquer,
Se fores larilas.
(Sabes porquê? PorqueÂ…)
Nós vamos todos falecer,
Patinar, bater as botas.
Eu vou esticar o pernil,
Conviver com as minhocas.
Tu vais fechar a pestana
E fazer para sempre ó-ó.
Nós vamos passar a ser húmus,
Que é uma espécie de cocó.
Prova o morango e a romã,
A uva, a maçã,
O figo e a cereja.
O mundo tem lindas cores
E belos odores,
Menos em Estarreja.
Tenta por todos os meios
Viver sem receios,
Não há que temer.
Quer tenhas ou não tenhas medo,
Mais tarde ou mais cedo tu vais falecer
Nós vamos todos falecer,
(Eu não vou! Olha que vais!)
Patinar, bater as botas.
Eu vou esticar o pernil,
Conviver com as minhocas.
Tu vais fechar a pestana
E fazer para sempre ó-ó.
Nós vamos passar a ser húmus,
Que é uma espécie de cocó.
Expirar, falecer, extinguir, apagar,
Cessar, fenecer, esvair, patinar,
Morrer, acabar, definhar, concluir,
Perecer, terminar, descansar, sucumbir.
(Estava a brincar!)
Nós vamos todos falecer,
Patinar, bater as botas.
Eu vou esticar o pernil,
Conviver com as minhocas.
Tu vais fechar a pestana
E fazer para sempre ó-ó.
Nós vamos passar a ser húmus,
Que é uma espécie de cocó,
Publicada por Manuel Halpern à(s) 11:13 0 comentários
segunda-feira, 22 de junho de 2009
Porque na noite terrena...
«Elas e as coisas delas/ as histórias delas/ as fotografias/ aquelas coisas que elas tinham/ mesmo que contar/ elas e as suas coisas mínimas/ nós e elas frente a frente e a falta de/ coisas para dizer/ o chegar demasiado tarde/ demasiado cedo/ tudo demasiado/ aquela vez em que chegámos finalmente a tempo/ e tu não estavas lá/ os teus restos espalhados pelo chão da cozinha/ Oh, como te dilacerámos», palavras de Porque na noite terrena sou mais fiel que um cão, a 11.ª criação do Teatro do Vestido, em cena no Teatro da Comuna, em Lisboa, até 27 de Junho (sempre às 22 horas). Tendo como ponto de partida a obra de três poetisas – Elizabeth Bishop, Marina Tsvietaieva, Margaret Atwood – a peça assume-se como a procura da expressão «a partir de», colocando em cena três personagens em confronto entre si, consigo próprias e com as três poetisas. A direcção é de Joana Craveiro, que também assina textos, tal como Inês Rosado, Rosinda Costa e Tânia Guerreiro – que interpretam. Publicada por Francisca Cunha Rêgo à(s) 12:24 0 comentários
Etiquetas: Teatro
sexta-feira, 19 de junho de 2009
Este tempo também é dela
Uma das mais marcantes figuras da música portuguesa contemporânea é revisitada na apresentação de uma das suas obras de teatro musical: Wom Wom Cathy. Paralelamente a esta recriação, Pedro Moreira compõe para a primeira parte do espectáculo um original a partir do imaginário da compositora. O espectáculo volta a reunir o ColecViva, grupo de teatro musical, fundado por Constança Capdeville, nos anos 80.
A direcção do projecto está a cargo de Nuno Vieira de Almeida, a cenografia e os figurinos são de José Fragateiro. Com António Sousa Dias, Carlos Martins, João Natividade, Joana Manuel, Luís Madureira, Manuel Cintra, Nuno Vieira de Almeida e Pedro Wallenstein.
Publicada por Francisca Cunha Rêgo à(s) 12:14 0 comentários
Etiquetas: Notícias
quinta-feira, 18 de junho de 2009
Próximo Futuro na Gulbenkian
Música, cinema, instalações ao ar livre e encontros gastronómicos são algumas das propostas do Programa Gulbenkian Próximo Futuro, que arranca sábado, 20, às 21 e 30, com um concerto pela Orquestra Gulbenkian, no anfiteatro ao ar livre da Fundação. Sob direcção do maestro Osvaldo Ferreira, poderão ouvir-se peças de George Gershwin, Heitor Villa-Lobos, Aaron Copland ou Astor Piazzola. A partir deste dia estarão instalados no jardim toldos que formam um ‘passeio de sombra’ e que têm inscritos poemas de autores de vários pontos do globo, dos clássicos aos contemporâneos. Safo, Jorge Luis Borges, Sophia de Mello Breyner Andresen ou Philip Larkin foram alguns dos escritores escolhidos. Também para o fim-de-semana, a 21, às 19, está marcado o concerto Sublime Frequencies: Group Doueh e Omar Souleyman, com sonoridades do Sahara Ocidental e da Síria. O concerto é antecedido por uma sessão de DJs, na esplanada do jardim, e uma projecção de filmes no Centro de Arte Moderna (CAM), a partir das 17 horas, ambas com entrada livre.O Próximo Futuro é um programa que se dedica à investigação e criação artística na Europa, na América Latina, nas Caraíbas e em África, que a Gulbenkian desenvolve até ao fim de 2011, dirigido por Emílio Rui Vilar e comissariado por António Pinto Ribeiro. Ainda nesta quinzena, a 23, às 18 e 30, no CAM, conferência (com entrada livre) do ensaísta, curador e crítico de arte Nicolas Bourriaud que apresenta o conceito de «altermodernidade». O cinema é outra das apostas do Próximo Futuro, que apresenta no anfiteatro ao ar livre, até 10 de Julho, 11 filmes. A 24, serão projectados Afrique-sur-Seine, de Paulin Soumanov Vieyra e Casa de Lava, de Pedro Costa. A 25, passa Passaporte Húngaro, da realizadora brasileira Sandra Kogut, e a 26, Orfeu Negro, de Marcel Camus. Todas as sessões começam às 22 horas.
The New Electric High Life, por A. J. Holmes é o concerto que chega da Grã-Bretanha e que se pode ouvir a 27, às 21 e 30; da Argentina vêm os sons de Dema y su Orquestra Petitera, a 28, às 19. Mas nem só de cinema e música se faz o futuro e os chefes de cozinha Miguel Castro Silva e José Avillez apresentam uma série de encontros gastronómicos que podem ser saboreados na cafetaria do Museu Gulbenkian.
Publicada por Francisca Cunha Rêgo à(s) 13:33 0 comentários
Etiquetas: Notícias
O milagre aerodinâmico
Voei até Londres naquela que é, segundo dizem, uma das piores companhias aéreas do mundo ocidental (as linhas aéreas do Burkina Faso e a Air Namíbia batem-na aos pontos). É tão económica que os bilhetes às vezes até são de graça (pagam-se apenas as taxas), mas tudo é pretexto para cobrar uns euros. Vinte por cada mala, 10 pela bagagem de mão, 15 por cada quilo a mais, cinco para entrar primeiro no avião. Não há lugares marcados. Por isso, lá dentro, as pessoas (na maioria ingleses daqueles que vão para o Algarve) acotovelam-se para assegurar um lugar à janela. O pessoal de bordo, os mais antipáticos escolhidos a dedo, querem lá saber se as famílias vão separadas, ou se uma criança de quatro anos tem que viajar sozinha, porque não há espaço ao lado da mãe. É uma espécie de autocarro da Carris onde toda a gente tem que ir sentada. Os bancos não se reclinam, uma garrafa de água custa dois euros e pelo caminho vendem uma espécie de lotaria, alegando que é para fins humanitários. O Aeroporto de Stansted (pequenino e jeitozinho) é dos que fica mais longe da cidade. É como um lisboeta ir apanhar o avião a Leiria. Ou um portuense fazê-lo em Coimbra. A propósito, eu que moro em Lisboa, apanhei-o em Faro, mas isso já não é culpa da companhia. Quando, finalmente, já não sei quantas horas depois, cheguei, concluí: os melhores aviões são aqueles que não caem.
Mesmo num voo da Ryan Air, onde as parecenças com um autocarro nos distraem, há sempre uma grande tensão entre os passageiros, principalmente na descolagem e aterragem. Já não se fazem toilettes para o passeio como outrora e a solenidade do voo desgastou-se pela recorrência, mas há sempre uma comichão na barriga que se reflecte nos olhares, significativamente diferente de quando se entra num comboio, barco ou camioneta, apesar de, nestes outros meios, os acidentes serem mais vulgares. É natural: para leigos, como eu, um monstro daqueles conseguir voar sem bater as asas parece, ainda hoje, um milagre aerodinâmico. Uma experiência suprema, em que, de forma arrogante e radical, o homem desafia os limites que a gravidade lhe impôs.
O resto já se sabe: os aviões caem, os barcos naufragam e os comboios descarrilam. Estas são apenas algumas das formas mais espectaculares de morrer. Outra, mais triste, é deitado numa cama de hospital. Agora escolham. Viver para sempre não está no menu.
Publicada por Manuel Halpern à(s) 09:58 0 comentários
Etiquetas: homem do leme
quarta-feira, 17 de junho de 2009
O dever da indignação
Nunca compreendi as virtudes da neutralidade, talvez por isso ainda não tenha visitado as Suíças deste mundo. Nos tempos em que as mães portuguesas agradeciam a Salazar o alegado esforço diplomático deste para manter o país fora da II Guerra Mundial, Miguel Torga (nas páginas do seu Diário) era uma das poucas vozes que se insurgia contra esta posição, não hesitando em qualificá-la de cobarde contemplação da desgraça dos outros. A seus olhos, nada, nem sequer a penúria militar do país, justificava tão obstinado encolher de ombros ante a barbárie que se desenrolava aqui ao lado.
Num filme ainda em exibição – No Limite do Amor, de John Maybury – é a não intervenção de Dylan Thomas (na foto), também durante a II Guerra Mundial, que é questionada. Objector de consciência, o poeta ficou em Londres a emprestar eloquência a textos de propaganda patriótica e a discutir política com ocioso cinismo. O argumento do filme relaciona esta escolha com posteriores actos de cobardia de Thomas, mas, embora se possa achar a ligação abusiva, a opção de ficar em Londres, vestido como um dandy enquanto os seus compatriotas repeliam, com enorme custo, a invasão nazi, macula-lhe a biografia.
Felizmente, nem todos se permitem tão decepcionantes incoerências. José Saramago, por exemplo, não se demite de intervir social e politicamente sempre que a ocasião o reclama. Mais do que o direito à indignação, o escritor sente a intervenção pública como o dever de quem sabe que, por mérito próprio, se tornou uma voz escutada. Enquanto a União Europeia, entre a complacência e o embaraço, se ri da boçalidade de Sílvio Berlusconi, o Nobel português denuncia o modo selvático como o italiano ameaça as liberdades e direitos do indivíduo e, por arrasto, a História e Cultura. «Esta coisa, esta doença, este vírus ameaça ser a causa da morte moral do país se um vómito profundo não conseguir arrancá-lo da consciência dos italianos antes que o veneno acabe corroendo as veias e destruindo o coração de uma das mais ricas culturas europeias», escreveu no El Pais. Assim mesmo, sem pruridos nem cuidados. Não estamos em tempo para eles.
Publicada por maria joão martins à(s) 16:08 0 comentários
Etiquetas: Par ou ímpar
terça-feira, 16 de junho de 2009
Amanhã nas Bancas
• O Acordo Ortográfico • A defesa do Português • O Instituto Camões • O futuro da Cinemateca • A reabilitação do Património • Os novos Museus e outros temas em entrevista com o ministro da Cultura
Eduardo Lourenço: Inédito(s)
Páginas do Diário • Carta melancólica aos leitores jovens do nosso País • Correspondência com Agustina
Arménio Vieira: Um inesperado Prémio Camões
Entrevista • Textos de Pires Laranjeira e Inocência Mata • Poemas inéditos
Teresa Villaverde escreve sobre Leite Derramado, de Chico Buarque
O novo romance de Mia Couto
A Correspondência de Eça em debate
Glória de Sant'Ana (1925-2009), por Eugénio Lisboa
José Sasportes: O centenário dos Ballets Russes
A autobiografia de Rui Nunes
Publicada por Manuel Halpern à(s) 19:10 0 comentários
Etiquetas: JL
sábado, 6 de junho de 2009
Para uma arqueologia da nudez

Publicada por Manuel Halpern à(s) 11:00 0 comentários
Etiquetas: Arqueologia
sexta-feira, 5 de junho de 2009
Engenheiros do tempo desconhecido
Publicada por Luís Ricardo Duarte à(s) 09:00 0 comentários
quinta-feira, 4 de junho de 2009
A outra face do Facebook
Contudo, alguém fez uma denúncia (talvez a própria Fátima), não a esse post, mas a um comentário que dizia: «Fátima! dá cá um abraço... venham daí esses ossos, mulher de deus!». Resultado: o utilizador ficou inibido de acrescentar amigos à sua lista. O que é um castigo severo para os facebookers. Eu conheço meia-dúzia de padres que ririam em alta-voz da graçola. E desconfio que os mais rígidos e ortodoxos, como o actual Papa, não pediriam a excomunhão por tão pouco. Até porque, à parte da piada ser inofensiva, Fátima, obviamente, não faz parte dos dogmas da Igreja. Não obstante, houve alguém sem graça (nem sequer divina) que se sentiu insultado e acusou este meu amigo aos administradores do condomínio. E os administradores fizeram jus à sua fama ultra-conservadora e aplicaram-lhe uma condenação sumária. Aplica-se literalmente o conselho: é preciso ter cuidado como os amigos que se escolhem. E também o outro: com amigos destes…
É tempo de parar para pensar: quem são estas pessoas que nos impõem as mais arbitrárias regras? Estes moralistas de meia-tigela que nos cortam o piu a troco de nada? Como lhes fomos dar o poder de nos controlar? Que direito tem uma plataforma destas de fazer condenações sumárias e aplicar penas por delito de opinião?
A Internet é um mundo sem regras, uma espécie de faroeste em que cada um faz o que lhe apetece. Quando um blogger insulta explicitamente alguém, por pura calúnia, accionam-se os meios ineficazes. Passado algum tempo podem fechar o site, mas nada inibe o blogger de abrir outro, duas páginas ao lado. Mas, enquanto reina este desgoverno, há uns xerifes moralistas, que se esforçam por ditar as suas próprias leis. E as pessoas, sem querer, deixam-se dominar por esta selva ideológica, perigosíssima, e muitas vezes escamoteando organizações extremistas. Quem se esconde por trás do livros dos rostos?
Publicada por Manuel Halpern à(s) 15:30 2 comentários
Etiquetas: homem do leme
O homem do tanque
Publicada por Luís Ricardo Duarte à(s) 11:43 2 comentários
Etiquetas: Par ou ímpar













