sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Gabriela Canavilhas, Pianista de causas

A pianista e gestora cultural Gabriela Canavilhas será a partir de segunda feira, dia 26, a nova ministra da Cultura. Quando estava à frente da Associação Música - Educação e Cultura, entidade que gere a Orquestra Metropolitana de Lisboa o JL traçou-lhe o perfil que agora aqui republicamos.


É uma das mais talentosas pianistas portuguesas. Apaixonou-se pela obra de Schubert, mas foi a tocar música de câmara de compositores portugueses que fez escola. Depois de ter editado sete álbuns e passado por muitos palcos nacionais e internacionais, aceitou, em 2003, ficar à frente dos destinos da Associação Música – Educação e Cultura, que gere a Orquestra Metropolitana de Lisboa (OML). Gabriela Canavilhas, 46 anos, é uma pianista de causas. Acredita que os artistas têm um papel social importante e sempre o tomou nas mãos ao defender as obras de compositores portugueses. Na OML quer subir a fasquia e conta ao JL os planos para o futuro


Foi o cheiro do primeiro piano em que tocou que lhe guiou os passos. O perfume ficou-lhe colado à pele, à memória e ao coração. Hoje, sempre que pensa nas notas de uma partitura, inspira, e recorda o aroma desse instrumento «antigo, preto, nobre». Gabriela Canavilhas tinha então 12 anos e acabava de receber a sua primeira aula no Conservatório de Ponta Delgada, com a professora Natália Silva. Não começava cedo. «Nos Açores, ter uma formação musical não era tão vulgar quanto isso. Mas tive pais atentos que resolveram pôr-me a estudar.» Podia ter sido apenas um complemento da sua educação, mas acabou por revelar-lhe o verdadeiro talento. Nessa primeira aula, desconhecendo ainda o nome das notas, tocou com a professora uma peça a quatro mãos. E a pouco e pouco a linguagem musical foi sendo cada vez mais fácil de falar – embora reconheça que se tivesse começado mais cedo poderia ter chegado mais longe como instrumentista. «É determinante começar cedo até para moldar o físico ao instrumento. Além disso, as obras que se aprendem nessa altura, ficam consolidadas no corpo de uma forma muito mais intensa do que as que se estudam depois dos 25 anos.»
A adolescência foi um tempo cheio de actividades musicais, mas não só. Com as duas irmãs teve aulas no atelier de uma pintora, onde aprendeu a misturar pigmentos, a preparar telas, a segurar nos pincéis e todas as muitas técnicas da arte. A sua irmã mais velha, hoje poetiza e pintora, «estava ligada a tudo quanto era movimento radical e, sempre que havia algo que fosse um corte na tradição, lá estava ela. E levava as irmãs.» Os pais – pai militar, e mãe professora – a tudo assistiam sem grandes interferências. «Em plenos anos 70, estávamos entregues a nós próprias, com o apoio da família, mas com a liberdade para crescer e conhecer o mundo.» O universo da música começara a tornar-se cada vez mais sério para Gabriela e a irmã mais nova – hoje também pianista, a viver na Noruega – mas, como diz entre risos, «os pais só se aperceberam disso quando começaram a ver o nosso nome nos programas dos concertos.»
Acabado o liceu, sempre com boas notas, partiu da ilha rumo ao Curso Superior de Piano do Conservatório de Lisboa. Tinha 17 anos e a viagem não a assustava. Nascida em Angola – por acaso, durante uma comissão do pai – sempre se sentiu 100% açoriana e por isso herdeira de uma tradição de «cidadãos do mundo». «O facto de vivermos no meio do mar, com laços estreitos com os Estados Unidos e o continente, faz com que estejamos em permanente viagem, o que facilita muito a circulação. Vir estudar para Lisboa foi naturalíssimo», diz com um ligeiríssimo sotaque das ilhas.
À chegada encontrou um verdadeiro mestre: o professor António Menéres Barbosa. «Foi e é um transmissor de uma velha escola de piano que se tem vindo a perder: a da excelência.» Não lhe perdoava nenhum tipo de defeito sempre na busca da perfeição. Foi duro, reconhece, mas muito estimulante. Pois, como Gabriela Canavilhas costuma dizer, «nada é pior do que um artista satisfeito.»

À conversa com as notas
No Conservatório teve também aulas de música de câmara com Olga Pratz, com quem descobriu o prazer de tocar em conjunto. Gabriela Canavilhas fascina-se com o intimismo que se pode atingir nesta «conversa» entre músicos. Cada fala traz algo novo à discussão e o que se bebe de uns e de outros é sempre mais do que nos solos. Nessa «embriaguez» de querer aprender tudo o que se relacionasse com este tipo de música, resolveu partir para Siena e participar nos famosos cursos de Verão da Accademia Musicale Chigiana. Durante três inesquecíveis meses, tocou com músicos do Japão, Coreia, Alemanha ou Austrália, formando vários trios, quartetos, quintetos, num ambiente em que as tradições da Toscânia se misturavam com todas as notas. Saiu de Siena com um diploma de mérito. Depois voltou a Lisboa e acabou o curso. Começou então a sua aprendizagem no palco e surgiram vários convites para participar em diversos agrupamentos de música de câmara. Mas a pianista sempre gostou muito mais do estudo e dos ensaios do que dos concertos propriamente ditos. «Não há nada mais difícil do que subir a um palco e provar, através da linguagem da arte, toda a preparação que foi necessária para chegar ali. Mas quando se reúnem as condições ideais – um bom piano, um público atento, um artista concentrado – podem acontecer momentos verdadeiramente mágicos que compensam o intérprete de todo o esforço.»
Quanto ao repertório, sempre preferiu tocar compositores portugueses. «Acredito que temos obrigação de contribuir para a divulgação dos nossos músicos», afirma convicta. No princípio dos anos 90, quando começou a tocar em público e a gravar – tem sete álbuns editados – houve também o boom dos jovens compositores portugueses, de Eurico Carrapatoso a Sérgio Azevedo, com quem criou boas relações. Aliás, algumas das peças que lhe deram mais prazer tocar foram as que Carrapatoso escreveu para o trio Vocalizos, que a pianista formou com Ana Ferraz e António Costa, e que, entre outros, apresentava também peças de Victorino de Almeida ou Pinho Vargas. Seguiram-se mil actividades, desde concertos em que tocou obras de vários compositores portugueses, a recitais dedicados a Vianna da Mota, Alfredo Keil, Lopes-Graça ou Augusto Machado, e a participações nos mais variados festivais nacionais e internacionais – tocou nos Estados Unidos, Brasil, Itália, Macau ou Alemanha. Na Antena 2 (RDP), ao longo dos anos, participou nos programas O Despertar dos Músicos, A Quatro Mãos, A Força das Coisas e Império dos Sentidos. Fundou ainda o projecto do Festival Música Atlântico, que decorre nos Açores há já nove anos. «Foi uma pedrada no charco que começou a integrar os Açores no roteiro das grandes produções», diz com orgulho. Gosta de colaborar nas actividades da sua terra e chegou mesmo a ser assessora do director regional da Cultura. Aliás, acredita que, com mais ou menos visibilidade, todos temos uma quota-parte de responsabilidade social. «Cada vez tenho mais desprezo pelas pessoas que não se revêem na sociedade em que vivem.»

Subir a fasquia
Foi pela «consciência de serviço público» que, em 2003, resolveu aceitar o convite dirigido pela vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Lisboa (CML), para a direcção da Associação Música – Educação e Cultura que gere a Orquestra Metropolitana de Lisboa (OML) e a Orquestra Académica Metropolitana. Precisou de «arrumar a casa» e não foi fácil. A situação financeira que encontrou – após a saída da direcção do maestro Miguel Graça Moura – era «devastadora». Os seus objectivos foram preservar a instituição, assegurar a estabilidade da casa, melhorar a qualidade da orquestra e primordialmente prosseguir o trabalho de formação em simultâneo com divulgação musical e a performance. «Num ano e meio estava consolidado o projecto artístico e recuperado o caminho ascendente da orquestra e das escolas», conta. Mas nesse processo deixou de tocar piano. Os primeiros dois anos foram de tal forma duros que temeu não saber já ler partituras. Concentrou-se na tarefa que tinha em mãos. Pôs o piano em espera e, passados quatro anos, sente que há da parte do presidente da CML, António Costa, «uma vontade política forte de encerrar definitivamente os problemas do passado que se prendiam com questões financeiras.» Por isso aceitou a recondução no cargo – por mais três anos – e espera que políticos e fundadores cumpram as suas promessas. Gabriela Canavilhas pretende cumprir com o que acredita ser a obrigação da instituição: contribuir para o desenvolvimento intelectual e para a exigência do público. «O público tem de ser respeitado e acarinhado. É preciso fazê-lo subir à grande música. Os espectadores merecem que se apresentem mais do que high lighs da música clássica.»
De há dois anos para cá voltou a tocar. E, como nunca perdeu o contacto com os músicos da orquestra e com os maestros convidados, sente que as soluções musicais que hoje encontra lhe surgem naturalmente. Mas onde tudo soa melhor é no seu refúgio em Aviz, no Alentejo. Sabe que precisa de sair do reboliço da cidade e acalmar, ali, no contacto com a natureza. Sentada ao piano de cauda, com vista para o campo, encontra-se consigo própria. Ao fim de semana fica muito tempo a tocar. O marido, militar, não a acompanha a quatro mãos, prefere escutar, e sempre a apoiou em todos os seus passos. A filha, Joana, 23 anos, tocou vários instrumentos mas, embora seja «uma ouvinte atenta», pôs a música de lado para se dedicar ao jornalismo.
Nessas horas que dedica às teclas, Gabriela Canavilhas faz sobretudo escalas técnicas para voltar a treinar os dedos, mas não só. Anda a estudar um pouco de Schumann e uns improvisos de Schubert, o seu compositor preferido. «Tem uma emoção, poesia, intensidade e densidade que me tocam particularmente», explica. Além disso, prepara o concerto de Mozart, K 482 – com que passou no exame final do Conservatório. «Nunca o toquei com uma orquestra», diz com um sorriso na voz. Quem sabe se para o ano?

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Concerto do Retrospect Ensemble ajuda Jardim Botânico


O Retrospect Ensemble dá um concerto único de apoio à reabilitação do Jardim Botânico da Universidade de Lisboa, amanhã, 29, às 21 e 30, na Aula Magna (Lisboa).
Vindo do Reino Unido, depois de uma temporada no Wigmore Hall, aquele que é um dos mais conceituados ensembles europeus de música antiga apresenta ao público português um Grande Concerto Barroco, com obras de Handel e Telemann.
O grupo esteve em Portugal nos Dias da Música 2009, no Centro Cultural de Belém, sob o nome “King’s Consort”. Este ano voltará a integrar a programação dos Dias da Música, já como Retrospect Ensemble. A renomeação traduz o facto de o grupo não se limitar a um período histórico preciso, nem a uma configuração rígida.
É o primeiro grupo a dar a cara pelo projecto Música pelo Jardim, que tem como objectivo angariar fundos para a reabilitação do Jardim Botânico. Outros concertos decorrerão até ao final do ano.

Bilhetes à venda: Fnac, Worten, C.C. Dolce Vita, El Corte Inglés, Lojas Viagens Abreu, Lojas Mega Rede e www.tickectline.sapo.pt e no local (dia do espectáculo)

Preço bilhetes
Doutorais – 40€
Anfiteatro inferior – 30€
Anfiteatro Superior – 20€

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Black Vox

O Teatro do Eléctrico regressa à cena com Black Vox, Histórias Negras em Teatro de Terror. Uma mulher perseguida ou louca, uma princesa ou uma bailarina, um mágico ou um tolo? Personagens que se cruzam com vídeos e que ganham uma dimensão de bonecos de animação. Texto e encenação de Ana Lázaro, Patrícia Andrade e Ricardo Neves-Neves. Também com Sílvia Figueiredo e Vítor Oliveira. Teatro da Comuna, Lisboa, 20 de Setembro, às 21 e 30.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Contadora de histórias

Paula Rego, uma Contadora de Histórias é o título da sessão que decorre hoje, quinta-feira, 3, na livraria Bertrand do Chiado, pelas 18 e 30. Com Dalila Rodrigues, directora do Museu Paula Rego, o cronista José Manuel dos Santos (que trabalhou com a artista aquando da série de quadros para o Palácio de Belém) e a jornalista e poeta Ana Marques Gastão (que escreveu um livro-diálogo com quadros de Paula Rego Nós/Nudos, 25 imagens sobre 25 poemas de Paula Rego (Gótica, 2004)). A moderação está a cargo de Anabela Mota Ribeiro. Em destaque, o carácter narrativo na obra de Paula Rego, a duas semanas da inauguração, a 18, do Museu Casa das Histórias, em Cascais.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Eu Era Eu Sou

«Somos no fazer e existimos no sonhar. Por vezes, nuvens sentadas ao computador perguntando-nos até quando nos podemos perguntar o que queremos ser no futuro?». A dúvida é lançada pelo grupo de dança contemporânea péantepé, no seu espectáculo Eu Era Eu Sou, que se estreia no auditório do Centro Cultural da Malaposta, amanhã, sábado, 25, pelas 21 e 30 (repete domingo, 26, às 17).
A direcção artística está a cargo de Fátima Piedade que também assina a coreografia com Catarina Câmara e o colectivo de bailarinas. Interpretações de Alexandra Campos, Inês Teixeira, Joana Câmara, Patrícia Nunes, Raquel Nave, Rita Alves, Sílvia Pires e Vanda Almeida.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Jardim da Cascata

A assinalar a reabilitação dos antigos Viveiros de Pássaros e Cascata dos jardins do Palácio de Belém, o Museu da Presidência da República inaugura hoje, quarta-feira, 22, a exposição Jardim da Cascata. Encomendada por D. Maria I e erigida entre 1780 e 1785, esta estrutura arquitectónica servia de gaiola para aves exóticas que chegavam um pouco de todo o Império português. Plantas, desenhos, gravuras das colecções de vários arquivos, bibliotecas e museus nacionais e ainda de inúmeras espécies de aves embalsamadas compõe a mostra que estará patente até 26 de Julho (das 10 às 17 horas) e de 28 de Julho a 22 de Outubro (de terça a sexta, das 14, às 17 e 30).
Para os dias 23 a 26 de Julho, às 21h30, está igualmente prevista a apresentação da ópera Dido e Eneias, de Henry Purcell, numa co-produção da Presidência da República e do Teatro Nacional de S. Carlos (TNSC), a decorrer, precisamente, no Jardim da Cascata. Com encenação de André Heller-Lopes e direcção musical do maestro Geoffrey Styles, a obra de Purcell será interpretada por jovens cantores portugueses integrados no projecto Estúdio de Ópera, do TNSC. Nos dias do espectáculo, o Museu da Presidência da República abre as portas até à meia noite.

terça-feira, 30 de junho de 2009

Morreu Pina Bausch



Simples, convencional, óbvia - nenhuma destas palavras se aplica à coreógrafa Pina Bausch. Sempre de cigarro na mão, este ícone da dança era descrito pelos seus próprios bailarinos como "obssessiva". Ela dizia que nunca desistia.

Começou como bailarina na Alemanha, seu país natal, com 15 anos. Mais tarde, partiu para Nova Iorque, onde estudou dança na prestigiada Juilliard School. Provavelmente, aprendeu todas as regras com perfeição para as quebrar repetidamente. Nos anos 70, as suas coreografias romperam com tudo o que se fazia na altura, reinterpretando (reinventando?) o conceito de dança-teatro. Com 33 anos, foi convidada para dirigir o Wuppertaler Tanztheater, que se transformou no Tanztheater Wuppertaler Pina Bausch. Dançar nesta companhia era fazer parte da coreografia, criar em conjunto com uma coreógrafa que tinha nos próprios bailarinos a sua inspiração. Foi com esses bailarinos-musos que se apresentou várias vezes em Portugal, a última das quais o ano passado.

Segundo o site da companhia, Pina Bausch descobriu que tinha cancro há cinco dias. Morreu hoje de manhã no hospital inesperadamente, com 68 anos. Por cima deste texto, deixamos uma amostra de Café Müller, a única coreografia sua que interpretou.

Um crítico de dança alemão descreveu a sua filosofia de dança como "a interpretação da alma e a batalha dos sexos". A interpretação da alma e nada menos que isso. Foi esta filosofia, as histórias e ambientes que inventou inspirados num universo surrealista, ao som de música inesperada (até Caetano Veloso) e, principalmente, os movimentos complexos, homicidas do óbvio, arriscados até roçar a estranheza que fizeram dela uma revolucionária da dança contemporânea.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Festival de Mérida

«Queremos dar um novo impulso, um novo alento, um olhar contemporâneo ao teatro clássico. Por isso escolhemos a palavra Fogo! para ilustrar a 55.ª edição do Festival de Mérida. Das cinzas poderão nascer as mais belas fenix», afirma Francisco Soares, director do festival na apresentação à imprensa que fez recentemente em Lisboa. O festival abre amanhã, sábado, 27, no Teatro Romano de Mérida com uma gala de onde soará a Sinfonia n.º 1, em Ré M, 'Titan', de Gustav Mahler e se poderá ver O rapto de Proserpina, com dramaturgia e direcção de Leandre Escamilla e Manuel Vilanova, pela Companhia Xarxa Teatre. Fedra, de Eurípedes, com direcção de Miguel Narros - «quisemos muito trabalhar com ele, antes que se reforme», afirma, entre risos, Francisco Soares - sobe ao palco do Teatro Romano, numa versão flamenca onde participam os bailarinos Lola Greco, Amador Rojas, Alejandro Granados e Carmelilla Montoya (de 1 a 5 de Julho). Na programação não podia faltar «o bardo Shakespeare». Tito Andrónico foi o espectáculo escolhido e conta com a direcção de Andrés Lima (8 a 12). Considerado um dos melhores cómicos de Espanha, Rafaek Álvarez 'El Brujo' apresenta a criação El Evangelio de San Juan, onde o contacto com o público é a principal pedra de toque (15 a 19). De risos também se faz o espectáculo Os gémeos, de Platão, com direcção de Tamzin Townsend, e as interpretações de, entre outros, Marcial Álvarez e Jesús Noguero (29 de Julho, a 2 de Agosto e de 5 a 9 de Agosto) . A dança também não foi esquecida e Diana y Acteón - pas de deux de Marius Petipá, pelo Corella Ballet Castillha y León, conta com os passos do primeiro bailarino Ángel Corella, entre outros (23 a 25). Todos os espectáculos são às 23 horas. Esta 55.ª edição estende-se até 30 de Agosto - com outras peças a que iremos dando destaque. Muito tempo para descobrir que Mérida não está assim tão longe...
FOTO: Fedra, de Eurípedes, na versão de Miguel Narros

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Morreu Michael Jackson


Notícia de última hora: Michael Jackson morreu aos 50 anos, vítima de paragem cardíaca.
Ler mais aqui


sexta-feira, 19 de junho de 2009

Este tempo também é dela

Este tempo também é dela é uma homenagem a Constança Capdeville, em formato de recriação, que sobe ao palco do Jardim de Inverno, do Teatro São Luiz, em Lisboa, hoje, sexta-feira, 19 e amanhã, sábado, 20, sempre às 22 horas.
Uma das mais marcantes figuras da música portuguesa contemporânea é revisitada na apresentação de uma das suas obras de teatro musical: Wom Wom Cathy. Paralelamente a esta recriação, Pedro Moreira compõe para a primeira parte do espectáculo um original a partir do imaginário da compositora. O espectáculo volta a reunir o ColecViva, grupo de teatro musical, fundado por Constança Capdeville, nos anos 80.
A direcção do projecto está a cargo de Nuno Vieira de Almeida, a cenografia e os figurinos são de José Fragateiro. Com António Sousa Dias, Carlos Martins, João Natividade, Joana Manuel, Luís Madureira, Manuel Cintra, Nuno Vieira de Almeida e Pedro Wallenstein.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Próximo Futuro na Gulbenkian

Música, cinema, instalações ao ar livre e encontros gastronómicos são algumas das propostas do Programa Gulbenkian Próximo Futuro, que arranca sábado, 20, às 21 e 30, com um concerto pela Orquestra Gulbenkian, no anfiteatro ao ar livre da Fundação. Sob direcção do maestro Osvaldo Ferreira, poderão ouvir-se peças de George Gershwin, Heitor Villa-Lobos, Aaron Copland ou Astor Piazzola. A partir deste dia estarão instalados no jardim toldos que formam um ‘passeio de sombra’ e que têm inscritos poemas de autores de vários pontos do globo, dos clássicos aos contemporâneos. Safo, Jorge Luis Borges, Sophia de Mello Breyner Andresen ou Philip Larkin foram alguns dos escritores escolhidos. Também para o fim-de-semana, a 21, às 19, está marcado o concerto Sublime Frequencies: Group Doueh e Omar Souleyman, com sonoridades do Sahara Ocidental e da Síria. O concerto é antecedido por uma sessão de DJs, na esplanada do jardim, e uma projecção de filmes no Centro de Arte Moderna (CAM), a partir das 17 horas, ambas com entrada livre.
O Próximo Futuro é um programa que se dedica à investigação e criação artística na Europa, na América Latina, nas Caraíbas e em África, que a Gulbenkian desenvolve até ao fim de 2011, dirigido por Emílio Rui Vilar e comissariado por António Pinto Ribeiro. Ainda nesta quinzena, a 23, às 18 e 30, no CAM, conferência (com entrada livre) do ensaísta, curador e crítico de arte Nicolas Bourriaud que apresenta o conceito de «altermodernidade». O cinema é outra das apostas do Próximo Futuro, que apresenta no anfiteatro ao ar livre, até 10 de Julho, 11 filmes. A 24, serão projectados Afrique-sur-Seine, de Paulin Soumanov Vieyra e Casa de Lava, de Pedro Costa. A 25, passa Passaporte Húngaro, da realizadora brasileira Sandra Kogut, e a 26, Orfeu Negro, de Marcel Camus. Todas as sessões começam às 22 horas.
The New Electric High Life, por A. J. Holmes é o concerto que chega da Grã-Bretanha e que se pode ouvir a 27, às 21 e 30; da Argentina vêm os sons de Dema y su Orquestra Petitera, a 28, às 19. Mas nem só de cinema e música se faz o futuro e os chefes de cozinha Miguel Castro Silva e José Avillez apresentam uma série de encontros gastronómicos que podem ser saboreados na cafetaria do Museu Gulbenkian.
FOTO: Os argentinos Dema y su Orquestra Petitera

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Colóquio sobre Daniel Faria

E agora sei que ouço as coisas devagar é o título do colóquio de evocação e escuta dedicado ao poeta Daniel Faria, que decorre a 8 e 9 de Junho, no Palacete Viscondes de Balsemão, na Praça de Carlos Alberto, no Porto. «Quando se assinalam os dez anos da morte do poeta reunimos um conjunto de especialistas e leitores privilegiados da obra de Daniel Faria que devolverão, cremos, nas mais diversas vertentes, toda a singularidade e limpidez da sua voz», afirma, ao JL, Constança Carvalho Homem, que com Francisco Fino, Francisco Topa e Joaquim Santos integra a comissão organizadora.
A sessão de abertura, a partir das 10 da manhã, conta com as intervenções de Raul Matos Fernandes, Marques dos Santos e de Francisco Topa. Religiosidade e poesia é a conferência de Fernando Guimarães que se segue. Pedra de Sísifo I, a sessão moderada por Manuel Frias Martins, terá contribuições de Celina Silva, Maria Cristina Santos e João Minhoto Marques. A sessão da tarde – Amarro dois degraus para não subir – será moderada por Rosa Maria Martelo e participam Carlos Nogueira, Marta Afonso e Francisco Saraiva Fino. Às 21 e 30, poderá ouvir-se o recital de poesia A distância que agora nos separa, com Ana Arqueiro, António Durães, Gaspar Queiroz e Sandra Andrade.
No dia 9, pelas 10 da manhã, Joaquim Santos modera Pedra de Sísifo II, com Carlos Moreira Azevedo, Rui Lage e Joana Matos Frias. Ando um pouco acima do chão e Escrevo do lado mais invisível das imagens são as sessões das 11 e 30 e 15 horas, respectivamente. O colóquio encerra com uma mesa-redonda moderada por João Minhoto Marques, com Jorge Reis-Sá, Manuel Frias Martins e Constança Carvalho Homem. O dia longo de Daniel Faria é a leitura encenada que fecha o colóquio, a partir das 18 e 30. Uma encenação de Pedro Manana, que também participa, ainda com Bruno Neiva e Helena Silva.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Nós na Arte

Nós na Arte-Tapeçarias de Portalegre e Arte Contemporânea é a mostra feita em colaboração com a Manufactura de Tapeçarias de Portalegre e o Museu da Tapeçaria de Portalegre-Guy Fino, patente no Museu da Presidência da República, até 31 de Julho.
O projecto expositivo organiza-se ao longo de três núcleos distintos: expõem-se os cartões originais dos artistas plásticos que viram as suas obras reproduzidas, os desenhos de tecelagem e o trabalho final em tapeçaria, com referências ao processo de tecelagem.
Vieira da Silva, Almada Negreiros, Júlio Pomar, Júlio Resende, José de Guimarães, Carlos Botelho, Camarinha, Le Corbusier, Cargaleiro ou Rui Moreira e Rigo são alguns dos artistas representados.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Bypass - uma nova revista

Bypass é o nome de uma nova revista, uma publicação interdisciplinar, editada por Álvaro Seiça Neves e Gaëlle Silva Marques, que convida vários autores, de diversas áreas e nacionalidades, a apresentarem um trabalho escrito/visual sobre o tema proposto para cada número. Arquitectura é o tema do número inaugural que será pré-lançado, hoje, quarta-feira, 27, pelas 19 e 30, na Fnac Chiado. Hoje será também apresentado o ciclo «BYPASSing», no qual os autores do primeiro numero farão mensalmente conferências, exposições e apresentações. Pavel Braila, artista moldavo residente em Berlim, lançará o ciclo com o vídeo Baron’s Hill e Pedro dos Reis apresentará o vídeo Stalk, com música de Draftank. Amanhã, quinta feira, 28, haverá outra apresentação da Bypass na Galeria Appleton Square (Rua Acácio Paiva, nº27 R/C. Lisboa)

sexta-feira, 22 de maio de 2009

A Criação, de Haydn

No ano em que se assinalam os 200 anos da morte do compositor austríaco Joseph Haydn o Coro Sinfónico Lisboa Cantat e a Orquestra Académica Metropolitana apresentam A Criação em três concertos. Hoje, sexta-feira, 22, pelas 22 horas, na Basílica de Mafra, amanhã, sábado, pelas 21 e 30, no Mosteiro de Alcobaça e no Domingo, pelas 17, no Centro Cultural das Caldas da Rainha. Actuaram como solistas Raquel Camarinha (soprano), João Cipriano Martins (tenor) e Nuno Dias (baixo). A direcção musical está a cargo do maestro Jean-Marc Burfin.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Panos – Palcos Novos

A Culturgest recebe, a partir de amanhã, a 4ª edição deste projecto que estreia textos de grupos de teatro escolar/juvenil, pensados para serem representados por adolescentes entre os 12 e os 18 anos. As peças são escritas por Tiago Rodrigues, Miguel Castro Caldas e Abi Morgan. A proposta dos dois primeiros dramaturgos (Coro dos Maus Alunos e Numa corda, respectivamente) revolve em torno do universo escolar, enquanto a da brtânica Abi Morgan é uma história de crianças refugiandas na capital inglesa, embrenhadas no sistema mas ainda assombradas pelo passado. Cada peça sobe ao palco duas vezes, apresentadas por grupos de jovens diferentes.

Culturgest, Lisboa; sexta e sábado, às 18 e 30 e às 22; domingo, às 15 e 30 e 18 e 30

I Ciclo de Música de Câmara de Palmela

O I Ciclo de Música de Câmara em Palmela inicia-se a 23, às 22 horas, com um concerto do Ensemble CamerArte, no Conservatório Regional de Palmela (CRP). A 30, pelas 22 horas, também no CRP, tocam alunos da Escola Superior de Música de Lisboa. A organização do ciclo está a cargo da Sociedade Filarmónica Humanitária e do CRP. Entrada livre.

terça-feira, 19 de maio de 2009

São Tomé, Máscaras e Mitos

São Tomé, Máscaras e Mitos é o nome da exposição de fotografia com trabalhos de Inês Gonçalves e Kiluanje Liberdade que inaugura hoje, terça-feira, 19, pelas 19 horas, na galeria Pente 10 - Fotografia Contemporânea (Trav. da Fábrica dos Pentes, 10, Lisboa).
«Os retratos que aqui estão são encenações que convivem com outras encenações, são retratos de pessoas que fazem teatro e que aparecem com roupas de teatro, roupas de personagem de teatro. Quem vê as fotografias pode não saber de onde vêm essas roupas, essas personagens, essa fantasia; e não é preciso saber tudo. Vêm de uma história de amores, traições, mortes, de nobres e de cavaleiros, onde entra o imperador dos imperadores, porque é o imperador de todos os romances e de todas as peças de teatro, das marionetas às pessoas, da Europa a África, o imperador Carlos Magno. São personagens representadas por grupos que em S. Tomé se chamam Tragédia, grupos que tiram o seu nome daquilo que é, na tradição grega, o género teatral nobre por excelência; um género em que a felicidade e a infelicidade, o bem e o mal, os bons e os maus se encontram em equilíbrio precário, como na vida real», explica João Carneiro no catálogo da exposição que estará patente (de 3.ª a sábado, das 15 às 20) até 31 de Julho.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

(A)tentados, de Martin Crimp

Máscara Solta, grupo de teatro da Faculdade de Letras, da Universidade do Porto, apresenta (A)tentados, de Martin Crimp. Um texto que propõe e procura uma renovação do discurso teatral não só pela ausencia de personagens em palco ou de enredo, mas também pela diversidade de cenários e de informações díspares. Há uma ausencia de certezas, um despejar de informações que se quer apelativo e que remete o espectadador para o discurso dos Media dos dias de hoje. Há uma porta para um vazio onde só pode sobreviver o jogo teatral. «Não é só representação, é algo com mais exactidão», diz o grupo de actores que tem em Beckett um mestre: «Outra vez o corpo. Onde nenhum. Outra vez o lugar. Onde nenhum. Tentar outra vez. Falhar outra vez. Melhor outra vez». A encenação está a cargo de João Melo e conta com a participação especial do Grupo Trei Pastori. Até 23 de Maio, pelas 21 e 30, na Panmixia Associação Cultural (Rua do Freixo, nº 1071, Porto)

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Ana Queirós ao piano

A jovem pianista Ana Queirós toca num concerto inserido na temporada da Orquestra de Câmara de Cascais e Oeiras, no Palácio dos Aciprestes, Domingo, 17, pelas 17 horas. Interpretará obras de Debussy, Janacek, Copland e de Sérgio Azevedo, que também participará no recital, com comentários sobre as diversas peças. A entrada é livre.