sexta-feira, 17 de abril de 2009

Novo inquilino n'O Bairro


O Bairro literário de Gonçalo M. Tavares tem novo inquilino. É O Senhor Swedenborg, um livro que a Caminho publicará brevemente.
A mesma editora informa que 400 alunos da Universidade Lusíada vão projectar casas para o bairro criado pelo escritor português, onde já moram os senhores Valéry, Henri, Juarroz, Calvino, Brecht, Kraus, Walser e Duchamp. «O projecto é elaborado num sítio real, na rua de s. mamede / rua da saudade, na zona do castelo, em Lisboa. O tema é: "uma casa para um livro" e, mais especificamente, para uma personagem. E os alunos entregarão projecto, maquete, etc.», lê-se no comunicado de imprensa da Caminho.
«Este projecto envolve 14 docentes de arquitectura, da cadeira de projecto, da Universidade Lusíada, coordenados pelo Professor Fernando Hipólito. Prevê-se uma exposição dos trabalhos no final e, eventualmente, a entrada de alguns projectos, de uma forma ou de outra, no bairro dos senhores de Gonçalo M. Tavares.» Aos alunos do 5.º ano do curso de Arquitectura caberá a projecção do bairro no seu conjunto. Cada casa terá várias divisões, todas adaptadas à especificidade de cada escritor.

Entrevista a Juan Manuel de Prada

Foto de José Carlos Carvalho

Diz que é missão do intelectual polemizar o seu tempo. E nesta entrevista, como nas suas crónicas e nos seus livros, o escritor espanhol Juan Manuel de Prada, 39 anos, não foge a essa «obrigação». Fala da crise do Ocidente, dos males da Literatura, das suas fórmulas gastas, do maniqueísmo de muitas personagens, da verdade e da mentira, do mal e da culpa, da identidade e da natureza humana. Acredita que, como no seu novo romance, O Sétimo Véu, agora editado em Portugal com a chancela da Dom Quixote, é preciso escavar o passado para encontrar um sentido para o presente. Aqui antecipamos alguns excertos dessa entrevista, que pode ler na íntegra na próxima edição do JL, nº 1006, nas bancas dia 22 de Abril.

Por que razão decidiu enquadrar a história inicial de O Sétimo Véu na II Guerra Mundial e na França ocupada?
A minha formação literária é muito francófona e tenho um grande interesse pela História e Cultura francesas. Isso não me inibe de ser crítico em relação ao seu passado. Sempre me chamou a atenção que um país supostamente civilizado, onde floresceram os pressupostos da modernidade, tenha capitulado, durante a II Guerra Mundial, perante a Alemanha, quase sem batalhar. Era algo que me intrigava. Queria saber como isso foi possível.

Chegou a alguma conclusão?
O desenvolvimento, a prosperidade e as vantagens do progresso converteram a França num país acomodado, sem pulso, nem força de reacção. Nesse sentido, o que lhe aconteceu é um pouco o símbolo do que se passa actualmente no Ocidente. Perante uma crise económica, tudo se desmorona. Não há convicções nem princípios fortes que possam afrontar a contrariedade. Perante ela, desfalecemos sem resistência.

É um pessimista?
Só em relação ao futuro do mundo tal como está organizado hoje em dia. Penso, no entanto, que tudo isso cairá e que surgirá uma ordem nova. A queda da economia ocidental é o fim de uma ordem injusta. E as crises, ao longo da História, sempre provocaram uma renovação da Humanidade. Nessa perspectiva, sou optimista. Claro que as mudanças são precedidas por uma dor muito grande – e parece-me que o drama humano que estamos a sofrer será ainda maior. Mas também acredito que a seguir haverá espaço para a esperança.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Nova tradução de A Montanha Mágica

A Montanha Mágica, a obra-prima de Thomas Mann, vai estar novamente disponível nas livrarias portuguesas, a partir de 30 de Maio, com a chancela da Dom Quixote. Trata-se da primeira tradução feita directamente do alemão para português europeu. A responsável é Gilda Lopes Encarnação, que prepara uma nova tradução de Os Buddenbrooks.

Esta é a primeira tradução para português feita directamente do alemão?

Não, trata-se apenas da primeira tradução para português europeu, porque já havia uma no Brasil, também feita directamente do alemão por Herbert Caro. Foi uma tradução que depois teve uma adaptação estilística, ao ser publicada em Portugal, que na minha opinião não foi bem sucedida, como acontece muitas vezes nestes casos.

Como explica que um romance desta importância tenha tão poucas traduções?
Não é caso único. Basta pensar em Robert Musil, que só no ano passado teve uma segunda tradução do seu O Homem Sem Qualidades. Aliás, os casos de Thomas Mann e Musil são muito semelhantes. Ambos tinham sido editados na Livros do Brasil e têm agora novas traduções, mais cuidadas, para português europeu. E em relação à Literatura Alemã há um manancial enorme de poetas, escritores e dramaturgos que não têm tradução para português, nem em Portugal, nem no Brasil.

Traduzir A Montanha Mágica é uma tarefa difícil?
Não só pela enorme extensão da obra, mas também pela especificidade da linguagem de Thomas Mann, que tem muitas referências culturais, filosóficas e políticas. Foi um trabalho moroso, mas também gratificante. Até porque n'A Montanha Mágica encontramos lá tudo, em termos de História, de Filosofia e da visão do mundo do início do século XX.

O que mais a fascina na obra de Thomas Mann?
O cuidado com a linguagem. Todas as palavras, frases e construções são muito elaboradas, mas sem que o leitor tenha consciência disso. São elaboradas em termos conceptuais. Como se cada palavra, frase ou construção fosse pensada e estivesse no lugar certo. O grande desafio do tradutor é conseguir devolver essa riqueza na língua portuguesa.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Literatura em viagem em Matosinhos

A 4.ª edição do Literatura em Viagem, o encontro de escritores organizado pela Câmara Municipal de Matosinhos, com coordenação de Francisco Guedes, realiza-se entre os próximos dias 18 e 21 de Abril. Vão estar presentes autores portugueses, espanhóis, norte americanos, italianos, mexicanos, argentinos, peruanos, brasileiros e chilenos, unidos pela paixão de viajar. Ao longo do encontro serão lançados vários livros. Eis o programa completo:

Dia 18

Ateliê Uma história nas asas de um avião, na Biblioteca Municipal Florbela Espanca, às 11

Conferência de abertura e lançamento do n.º 2 da revista Itinerâncias, no Salão Nobre C.M. Matosinhos, às 15

Ateliê Uma história nas asas de um avião, na Biblioteca Municipal Florbela Espanca, às 16

1ª Mesa: Escrever a Guerra, com António Brito, Carlos Vaz Ferraz, Henrique Levy, Luís Castro e Manuel Alberto Valente (moderador), na Galeria Municipal, às 16 e 30

Lançamento dos livros Cisne de África, de Henrique Levy (Livros de Seda), e A Ofensa, de Ricardo Menéndez Salmón (Porto Editora), na Galeria Municipal, às 18

2ª Mesa: Poética da Viagem, com Filomena Marona Beja, José Jorge Letria, Miguel Real e Romana Petri. na Galeria Municipal, às 18 e 30

Inauguração da exposição Sobre el Mar, de Nacho Salorio, na Galeria Municipal, às 20

Dia 19

Recital de piano por Raul Peixoto Costa, no Salão Nobre da C.M. Matosinhos, às 11

Lançamento do Livro Leça da Palmeira e o Rio Leça nas Artes, nas Letras e nas Ciências – Indiciário Onomástico, de Albano Chaves e António Mendes (C. M. Matosinhos/Edium-Editores), no Salão Nobre da C.M. Matosinhos, às 12

Lançamento dos livros Com cheiro a canela, de Alice Vieira (Texto/Leya), e As cidadãs, de Filomena Marona Beja (Sextante), na Galeria Municipal, às 15

3ª Mesa: Viajar para Contrariar a Monotonia, com Ricardo Menendez Salmón, Julieta Monginho, Francisco José Viegas, Cristina Carvalho e José Carlos de Vasconcelos (moderador), na Galeria Municipal, às 15 e 30

Ateliê Uma história nas asas de um avião, na Biblioteca Municipal Florbela Espanca, às 16

Lançamento dos livros Para Lá da Terra de Fogo, de Eduardo Belgrano Rawson, Cabeça a Prémio, de Marçal Aquino, Os Suicidas do Fim do Mundo, de Leila Guerriero, Três Lindas Cubanas, de Gonzalo Celório, e O Velho Expresso da Patagónia, de Paul Theroux (todos da Quetzal), na Biblioteca Municipal Florbela Espanca, às 17

4ª Mesa: Ler o mundo, viajando, com Paul Theroux, Renzo Sicco, Isabel da Nóbrega, Isabel d’Ávila Winter e José Mário Silva (moderador), na Galeria Municipal, às 17 e 30

Concerto Sons da Fala, com Sérgio Godinho (voz e guitarra), Vitorino (voz), Janita Salomé (voz), Tito Paris (voz e guitarra), Don Kikas (voz e guitarra), Guto Pires (voz), Luanda Cozetti (voz), Juka (voz) e André Cabaço (voz), no Cine Teatro Constantino Nery, às 22

Dia 20

Ateliê Uma história nas asas de um avião, na Biblioteca Municipal Florbela Espanca, às 11

Lançamento do livro A casa da praia do açúcar, de Helene Cooper (QuidNovi), na Galeria Municipal, às 15

5ª Mesa: A Viagem é a Minha Memória, com Alice Vieira, Leila Guerriero, Gonzalo Celorio, Miguel Miranda e Carlos Daniel (moderador), na Galeria Municipal, às 15 e 30

Ateliê Uma história nas asas de um avião, na Biblioteca Municipal Florbela Espanca, às 16

Lançamentos dos livros Vozes do vento, de Maria Isabel Barreno (Sextante), O assassinato de Berta Linhares, de Jacinto Rego de Almeida (Sextante), e Obama em Guantanamo: a nova segurança americana, de Nuno Rogeiro (Sextante), na Galeria Municipal, às 17

6ª Mesa: Viajar é um acto sensual em todos os sentidos, com João Tordo, Joaquim Teixeira de Sampaio, Santiago Roncagliolo, Christiane Tassis e Jacinto Rego de Almeida (moderadora), na Galeria Municipal, às 17 e 30

Dia 21

Ateliê Uma história nas asas de um avião, na Biblioteca Municipal Florbela Espanca, às 11

Lançamento do livro Ronda Filipina, de César Magarreiro (Teorema), na Galeria Municipal, às 15

7ª Mesa: Existe um Limite para o que a Viagem pode exprimir, com César Magarreiro, Eduardo Belgrano Rawson, João Luís Barreto Guimarães, Júlio Moreira e Álvaro Costa (moderador), na Galeria Municipal, às 15 e 30

Ateliê Uma história nas asas de um avião, na Biblioteca Municipal Florbela Espanca, às 16

Lançamento do livro Portugal no Mar – Homens que foram ao Bacalhau, coordenado por Álvaro Garrido (Campo das Letras), na Galeria Municipal, às 17

8ª Mesa: Viajar é preciso, com Marçal Aquino, Richard Zimmler, Luís Sepúlveda, Helene Cooper, José Luís Peixoto e José Medeiros Ferreira (moderador), na Galeria Municipal, às 17 e 30

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Os mistérios de Clarice Lispector


A vida e obra da escritora brasileira Clarice Lispector vão estar em debate hoje e amanhã, dias 1 e 2 de Abril, respectivamente, num colóquio organizado pela Missão do Brasil junto à CPLP e pela Casa Fernando Pessoa, onde decorre a iniciativa. Programa completo aqui.

terça-feira, 31 de março de 2009

O génio de Gogol

Os 200 anos do nascimento de Nikolai Gógol vão ser assinalados amanhã, quarta-feira, 1 de Abril, no CCB, em Lisboa, com um conjunto de leituras e uma sessão de cinema. O título da iniciativa, Gógol = 2+2=5, é retirado da biografia que Vladimir Nabokov dedicou ao autor de Almas Mortas: «A arte de Gógol tal como nos é revelada no Capote sugere que as linhas paralelas podem não só encontrar-se, mas até contorcer-se e embrulhar-se da maneira mais extravagante, tal como dois pilares que se reflectem na água e se abandonam às mais loucas contorções provocadas pela ondulação», afirma Nabokov. «O génio de Gógol é precisamente essa ondulação – dois e dois são cinco, e até a sua raiz quadrada».
As leituras de três contos de São Petersburgo, na Sala Almada Negreiros, estão a cargo de Bruno Nogueira (Avenida Névski), às 15, António Pinho Vargas (Diário de um Louco), às 16, Jorge Silva Melo (O Nariz), às 17. Às 18, será exibido O Capote, um filme de Morris Panych, com interpretação de Peter Anderson e música de Schostakovich, baseado na produção original da companhia de teatro canadiana Playhouse.

sexta-feira, 20 de março de 2009

Encontro de escritores em Torres Vedras

Arnaldo Espírito Santo, Helena Vasconcelos, José Afonso Furtado, José Mário Silva, Miguel Manso e Pedro Mexia são alguns dos participantes da 3.ª edição do SobreEscritas, o encontro de escritores de Torres Vedras, que arranca já amanhã, sábado, 21, Dia Mundial da Poesia, e se prolonga até 28. A organização é da associação Académico de Torres Vedras e da livraria Livrododia.
Livros e Leitores – Uma perspectiva, amanhã, às 15 e 30, é o tema do primeiro debate do encontro, com Arnaldo Espírito Santo, José Afonso Furtado e Cristina Pimentel. Às 17 e 30, é a vez de Miguel Manso, Lauren Mendinueta e José Mário Silva falarem sobre Um dia feito de Poesia, todos os dias. Ambas as sessões decorrem na sala polivalente da Cooperativa Comunicação e Cultura.
O SobreEscritas prossegue, durante a próxima semana, com um conjunto de oficinas de línguas em várias escolas do concelho: Árabe, na EB 1 Freiria, a 23; Russo, na EB 2,3 Padre Francisco Soares, a 24; Grego, na EB 1 Maxial, a 25; e Latim, na Esc. Internacional, a 26.
As duas últimas sessões realizam-se na livraria Livrododia - Centro Histórico. Sexta, 27, às 21 e 30, com Pedro Mexia e Telmo Mourinho Baptista, sobre O humor anda muito melancólico ou a melancolia também tem a sua graça?. E sábado, 28, às 16, com Isabel Castanheira, Helena Vasconcelos e Sara Figueiredo Costa, sobre Os planos para a leitura e a promoção da literatura.

terça-feira, 17 de março de 2009

O legado de E. A. Poe em debate


Fernando Pinto do Amaral, Hélia Correia, José Luís Peixoto, Pedro Mexia e Rui Lage são alguns dos escritores que vão participar no colóquio internacional Poe e Criatividade Gótica, que se realiza nos próximos dias 18, 19 e 20, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (FLUL), na Casa Fernando Pessoa, na Biblioteca Nacional e na Cinemateca Portuguesa. A organização é do Centro de Estudos Anglísticos (CEA) da FLUL.
O colóquio, que reúne investigadores nacionais e estrangeiros, escritores, músicos e outros artistas, tem como objectivo «partilhar o imaginário multifacetado» do escritor norte-americano, numa altura em que se assinala o bicentenário do seu nascimento. Em análise também estarão as relações do género gótico com outras formas de arte e cultura. Para os organizadores, «a vertente negra e insólita da psique humana, assim como os conceitos de perversão, criminalidade, monstruosidade, transgressão, violência e destruição, têm vindo a exercer uma profunda influência em muitos artistas e escritores contemporâneos».
A abertura de Poe e Criatividade Gótica estará a cargo de Teresa F. A. Alves, coordenadora da linha de acção de estudos americanos do CEA, amanhã, quarta-feira, 18, às 14 e 30, na FLUL. Segue-se a conferência de Fred Bottting, da Lancaster University, sobre Dark Poeisis: Romanticism, Phantasmagoria, American Gothic. Nesse mesmo dia, entre as 15 e 45 e as 17, abre-se espaço para comunicações académicas e, às 17, para um debate com David Soares, Hélia Correia, José Luís Peixoto, Pedro Mexia e Luís Filipe Silva. À noite, às 21 e 30, na Cinemateca, passa o filme A Queda da Casa de Usher, de Roger Corman.
Na quinta-feira, 19, o dia arranca, na FLUL, às 9 e 30, com mais um conjunto de comunicações académicas e, às 11 e 30, com a conferência de Henri Justin, da Universidade Sorbonne, sobre The Paradoxes of Poe’s Reception in France. A tarde passa-se na Casa Fernando Pessoa, com comunicações académicas, a partir das 15, com especial enfoque na recepção de Poe em Portugal e na sua ligação com Fernando Pessoa. Na ocasião será inaugurada a exposição de Filipe Abranches, com as ilustrações que fez para a edição da Obra Poética Completa de Edgar Allan Poe, editada pela Tinta-da-china. António de Macedo, Fernando Ribeiro, Filipe Abranches, Filipe Melo, Maria Antónia Lima e Paula Ribeiro participam, depois, às 18 e 30, num debate sobre arte fantástica em Portugal, seguido de leituras encenadas de poemas do escritor norte-americano.
A conferência de Darry Jones, do Trinity College, sobre Omphalos: Arthur Gordon Pym and the Hollow Earth, às 11 e 30, na FLUL, é o grande destaque de sexta-feira, o último dia do colóquio, que inclui ainda três sessões na Biblioteca Nacional. A primeira, com um painel sobre criatividade gótica; a segunda, com a inauguração de uma exposição bibliográfica; a terceira, com um debate sobre tradução e recepção de Edgar Allan Poe, com Fernando Pinto do Amaral, Helena Barbas, José Manuel Lopes, Margarida Vale de Gato e Rui Lage. O colóquio encerra, a partir das 22 e 30, na discoteca Incógnito, com uma festa gótica.
Recorde-se que o tema da última edição do JL, n.º 1003, ainda em banca, é dedicado à obra e ao legado de E. A. Poe, com textos de Mário Avelar, Maria Antónia Lima e Maria Leonor Nunes, além de inúmeros testemunhos de escritores e artistas.

Ilustração de Filipe Abranches.