sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

O medo ou o fascínio do desconhecido




Moacyr Scliar foi a cabeça de cartaz da quinta mesa-redonda das Correntes D'Escritas, O Medo ou o fascínio do desconhecido, que juntou ainda os escritores Andrea Blanqué, Jesús del Campo, Joaquim Arena e Rui Machado. "Para falar sobre este tema vou ter de falar sobre a banana", brincou o autor brasileiro. E falou sobre o seu pai, que saindo da Rússia se fixou no Brasil. Os emigrantes, na altura, não faziam ideia do que os esperava, disse, e partiam para o desconhecido. Ao desembarcar, depois de cinco semanas de viagem, cheio de fome, ofereceram ao seu pai uma banana, que ele nunca tinha visto na vida. Pensando que se tratava de uma fruta como as outras, abriu a banana, deitou fora o que lhe pareceu um grande caroço e comeu a casca... "O certo é que ele arriscou no desconhecido", lembrou Moacyr Scliar, recordando as duzentas vezes que o pai lhe contou esta história e as milhares de vezes que ele a recontou em encontrou deste género. E acrescentou: "O escritor é aquele que olha para a banana e come a casca"

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

O olhar e a caneta

Sala cheia para mais uma mesa, O olhar escreve ou melhor a caneta vê, com Almeida Faria, Alice Vieira, Álvaro Uribe, Luis Fernando Veríssimo, Mário Cláudio e Paulina Chiziane.




Estou farto de palavras





O tema era provocatório e os escritores responderam à altura? Estou farto de palavras era o mote da terceira mesa redonda das Correntes D'Escritas, mas Antonio Sarabia, Daniel Galera, Eduardo Bettencourt Pinto, Paulo Teixeira Pinto, Rui Cardoso Martins e Victor Andresco deram a volta ao texto. Num pacífico motim, evidenciaram a impossibilidade da proposta. É verdade, disse Sarabia, que há palavras que estão gastas, despidas de sentido, que enchem as páginas dos jornais, como "bloqueio no médio Oriente, terrorismo, liberdade ou até democracia". Mas "sem palavras", como acrescentou Rui Cardoso Martins, "não somos nada". O escritor recordou os e-mails e os sms que tem recebido no último mês, devido à morte da sua mulher, Tereza Coelho. As pessoas diziam-lhe que as suas palavras certamente não significavam nada nesta hora de dor, mas Rui Cardoso Martins sublinhou a sua importância. "As palavras são salvadoras, são o que nos faz continuar".

Os desafios da folha em branco



A mesa-redonda Os desafios da página em branco abriu o segundo dia das Correntes D'Escritas. Amilcar Bettega, Ángela Ramos Díaz, Germano Almeida, Héctor Abad Faciolince, Helder Macedo e Teolinda Gersão falaram sobre a sua relação com a escrita, com as suas dificuldades e facilidades. "Escrevemos contra o vazio", afirmou Bettega, "nas infinitas possibilidades da criação". Com um grande sentido de humor, Faciolince esclareceu: "Como nem deus, nem o diabo me ajudam, e como não tenho ideias, escrevo com a recordação. Mas como não tenho memória, não sei se estou recordando ou inventando". O melhor, como sugere Helder Macedo, é assumir a página em branco, não matado-a com palavras excessivas. Ou, segundo Ángela, transformar a página em branco numa página negra. E enchê-la com a luz das palavras"

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Língua e liberdade

A Língua enquanto ferramenta de liberdade e formação pessoal foi o tema que José António Pinto Ribeiro escolheu para a conferência de abertura da 10.a edição das Correntes D'Escritas, a decorrer na Póvoa de Varzim até ao próximo sábado, 14. O ministro da Cultura, apresentado por José Carlos de Vasconcelos, salientou a importância da leitura e da escrita na construção de uma identidade individual e colectiva, lançando a ideia de um Plano Nacional de Escrita. Ensinar os jovens a ler e a escrever bem, a saber argumentar, a desenvolver ideias, a ser sedutor no seu discurso são, na sua opinião, prioridades para se poder responder às grandes e eternas questões do Mundo: o que somos, de onde vimos, para onde vamos. Isso passa pela valorização da língua materna, neste caso o Português, nomeadamente através da sua uniformização (Acordo Ortografico), da sua difusão (através da internet) e reinvenção. "A Língua é dos seus falantes", defendeu José António Pinto Ribeiro, referindo-se aos 190 milhões de brasileiros que falam português, num universo de 230 milhões. No fim, expressou o desejo que estas Correntes D'Escritas possam ser também correntes de leitores e que, em conjunto, possam divulgar o modo de pensar e sentir que está subjacente à Língua Portuguesa. E acrescentou: "Porque cada língua encerra em si a narrativa e identidade de um povo".

Prémio Literário Correntes D'Escritas

Gastão Cruz, com o livro A Moeda do Tempo (Assírio & Alvim), é o vencedor do Prémio Literário Correntes D'Escritas/Casino da Póvoa, anunciou Ana Luísa Amaral, dintinguida com o mesmo prémio em 2007, na sessão de abertura do Encontro de Escritores de Expressão Ibérica.