quarta-feira, 29 de julho de 2009

Nas bancas!

Mia Couto
Pela Estrada Fora
De Tavira a Chaves, durante dez dias, o escritor andou pelo país a conversar com os leitores sobre o seu novo romance, Jesusalém. O JL acompanhou-o e conta tudo sobre o Mia on the road. Reportagem e entrevista de Luís Ricardo Duarte • Depoimentos de Luandino Vieira, Ondjaki e Zeferino Coelho • Crítica ao livro por Pires Laranjeira

O Homem na Lua, 40 anos depois
Crónicas de Álvaro Manuel Machado, Amadeu Lopes Sabino, José Saramago, José Carlos de Vasconcelos e Viriato Soromenho-Marques

Entrevistas: Estevão de Moura, os novos projectos da Imprensa Nacional, e João de Melo, o espaço em volta
Figura: António Pinto da França, os contos do embaixador

Letras: Rui Cardoso Martins lido por Miguel Real

Artes: Júlio Pomar: os caminhos da pintura, por Rocha de Sousa, e Laborinho Lúcio escreve sobre Ruy de Carvalho

Crónica: Troca de segredos, por Helder Macedo

A autobiografia de Mário Barradas

Suplemento Camões

Agenda Cultural

Pela Estrada Fora - Galeria de imagens

terça-feira, 28 de julho de 2009

Pela Estrada Fora

domingo, 26 de julho de 2009

Navegantes dos 7 sóis


Imagine-se que, no final do espectáculo, o público pediu bis para Maria Faia. E, na altura certa, todos cantaram em conjunto "Ó Maria Faia, ó Faia Maria". Foi assim, esta noite, em Pontedera, no Festival 7 Sóis 7 Luas, no concerto dos Navegante. O grupo de José de Barros, numa versão mais portátil, reduzida a quinteto, conquistou o público. Apenas ninguém dançou, apesar de elevarem a música portuguesa a um ritmo alucinante. Para dança, bastou ontem, no mesmo local, Sara Alhinho (filha de Teté), num bailarico bem cabo-verdiano, com o sr embaixador. São assim os dias de festa em Pontedera, e nas 29 outras cidades onde vai decorrendo o festival. Amanhã à noite, um grande momento: a 7 Luas Orkestra, formada especialmente para o festival, com Celina da Piedade, num dos principais papéis. É caso para dizer: felizmente há luar.

sábado, 25 de julho de 2009

7 sóis 7 luas 7 mares 7 mundos

Ontem o festival 7 Sóis 7 luas decorreu em 7 cidades em simultâneo. Em Pontedera (Itália), na sede do 7, no jardim da casa do marquês, bati 7 palmas a Teté Alhinho e outras 7 à sua filha Sara, num concerto de 7 sonhos. Gerassons assim se chama o disco de mãe e filha. Perspectivas diferentes que enriquecem o universo musical de Cabo Verde. A Teté canta mornas e funanás. A Sara, para espanto de todos, canta um rock crioula, com calor insular. O 7 sóis 7 luas é um festival do tamanho do mundo. Estende-se da Croácia ao Brasil e aproxima culturas mediterrânicas e lusófonas. A não perder a reportagem no próximo JL.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Eu Era Eu Sou

«Somos no fazer e existimos no sonhar. Por vezes, nuvens sentadas ao computador perguntando-nos até quando nos podemos perguntar o que queremos ser no futuro?». A dúvida é lançada pelo grupo de dança contemporânea péantepé, no seu espectáculo Eu Era Eu Sou, que se estreia no auditório do Centro Cultural da Malaposta, amanhã, sábado, 25, pelas 21 e 30 (repete domingo, 26, às 17).
A direcção artística está a cargo de Fátima Piedade que também assina a coreografia com Catarina Câmara e o colectivo de bailarinas. Interpretações de Alexandra Campos, Inês Teixeira, Joana Câmara, Patrícia Nunes, Raquel Nave, Rita Alves, Sílvia Pires e Vanda Almeida.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Jardim da Cascata

A assinalar a reabilitação dos antigos Viveiros de Pássaros e Cascata dos jardins do Palácio de Belém, o Museu da Presidência da República inaugura hoje, quarta-feira, 22, a exposição Jardim da Cascata. Encomendada por D. Maria I e erigida entre 1780 e 1785, esta estrutura arquitectónica servia de gaiola para aves exóticas que chegavam um pouco de todo o Império português. Plantas, desenhos, gravuras das colecções de vários arquivos, bibliotecas e museus nacionais e ainda de inúmeras espécies de aves embalsamadas compõe a mostra que estará patente até 26 de Julho (das 10 às 17 horas) e de 28 de Julho a 22 de Outubro (de terça a sexta, das 14, às 17 e 30).
Para os dias 23 a 26 de Julho, às 21h30, está igualmente prevista a apresentação da ópera Dido e Eneias, de Henry Purcell, numa co-produção da Presidência da República e do Teatro Nacional de S. Carlos (TNSC), a decorrer, precisamente, no Jardim da Cascata. Com encenação de André Heller-Lopes e direcção musical do maestro Geoffrey Styles, a obra de Purcell será interpretada por jovens cantores portugueses integrados no projecto Estúdio de Ópera, do TNSC. Nos dias do espectáculo, o Museu da Presidência da República abre as portas até à meia noite.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Cuidado com o degrau

As primeiras escadas rolantes públicas do país foram armadas no Shopping Brasília, no Porto, no início da década de 80. As pessoas iam ao centro comercial só para ter aquela experiência inolvidável de subir e descer, descer e subir, com a mesma emoção de quem anda na roda gigante. Mais do que um instrumento prático, era uma diversão, suficientemente nova para suscitar a curiosidade de locais e forasteiros. O Shopping Brasília, que inspirou Carlos Tê para a letra da Rapariga do Shopping, tornou-se um fenómeno nacional, com milhares de visitantes e lojas prósperas. O modelo de centro comercial multiplicou-se por todo país. Até que, os mais antigos, os de média dimensão, entraram em profunda decadência. Incluindo o próprio Brasília, outrora rei, hoje mono. Devia-se fazer um documentário sobre o Brasília. João Nicolau rodou ali parte do seu mais recente filme de ficção, Canção de Amor e de Saúde, distinguido agora com o prémio nacional do Curtas de Vila do Conde. Em grande.
Voltemos às escadas rolantes. Brilhante invenção. Chegou ao Porto e a Portugal com quase um século de atraso. Quem teve a ideia foi o americano Jesse Reno, em 1897. Eram pouco mais do que estudos, desenvolvidos depois por Charles Seeberger e, finamente, comercializados pela Otis. As primeiras escadas funcionais apareceram em Paris e em Londres nos anos 20.
Imagina-se que falar de uma escada rolante, no final do século XIX ou no princípio do século XX, soaria tão fantástico quanto imaginar um carro voador. Hoje tornou-se um dos grandes símbolos comerciais. As escadas rolantes são apanágio de centros comerciais e grandes armazéns. Tornaram-se lugares comuns, a tal ponto que hoje até há quem prefira apanhar o elevador. Para muitos, como as crianças, continuam a ser atractivas, porque é tentadora a ideia de nos deixarmos levar.
A invenção do tapete rolante não teve metade do mérito. Alguém pensou: «E se fizéssemos umas escadas rolantes sem escadas?» Revelou-se útil, porque funciona na horizontal e permite o transporte de volumes.
Genial, genial foi a invenção da escada, a que não rola. Alguém que pensou: «Isto é mais fácil de subir se cavarmos uns socalcos». Com a vantagem de ficar menos escorregadio, mesmo para quem desce... A invenção remonta à antiguidade, há quem arrisque falar em 2000 a.C. Os primeiros a usá-las foram os egípcios e os hebreus. A partir daí tornou-se mais fácil subir. Mas também passou a haver quem caísse das escadas abaixo. Até que, no século VII a.C, Willem Strügenföelznachemann inventou o corrimão. E agora já temos ao que nos agarrar.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Zerlina e Compota Russa

Chega hoje ao palco do Teatro de Almada, e em estreia mundial, Zerlina, de Hermann Broch, numa encenação de Robert Cantarella, já conhecido do público do festival, depois de ter apresentado, na última edição, Hippolyte. Zerlina é uma velha criada que nos mostra a descoberta do amor num corpo ainda desprovido de afectos amorosos. Um espectáculo «perturbador», nas palavras de Cantarella, «tanto mais (...) quanto o discurso vai aumentando progressivamente e se torna de tal modo preciso que é necessário fazer um esforço para imaginar semelhante intensidade do presente, dito por uma personagem que parece ter vivido essa paixão há tanto tempo». O espectáculo, interpretado por Thérèse Crémieux, é em francês, com legendas em português.
Ainda hoje estreia Compota Russa, peça de Liudmila Ulítskaia, uma das mais importantes autoras russas contemporâneas. A acção transporta-nos para um cerejal que já não dá cerejas e que, por isso, já não permite fazer a deliciosa compota que antes se produzia. Terá, assim, que se encontrar outra solução: fazer compota de groselha. Neste espectáculo, Ulítskaia reúne personagens e frases das peças O Ginjal, A Gaivota e Tio Vânia, de Tchecov. Uma produção do Teatro de Sátira da Ilha Vassilievski, São Petersburgo, encenada por Andrzej Bubien.

Zerlina, no Teatro Municipal de Almada, Sala Experimental. Hoje, sexta-feira, 10, às 19; amanhã, sábado, 11, às 18

Compota Russa, na Escola D. António da Costa, Almada, hoje, sexta-feira, 10, às 22.

Foto: Compota Russa

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Quarto Interior

É o regresso a Almada de Quarto Interior, pela companhia portuense Circolando, eleito pelo público do festival Espectáculo de Honra deste ano. Inserido no Ciclo Poética da Casa, invoca um homem inconformado, que cria novos mundos, procurando-os no quarto, espaço íntimo da casa, lugar de sonhos, memórias e devaneios. O cenário é composto por janelas, portas, mesas, cadeiras, que se desdobram e abrem para acolher o exterior: as árvores, o vento, os pássaros. O espaço transcende, assim, a geometria. Quarto Interior é um espectáculo de teatro dançado, sem palavras, numa abordagem multidisciplinar, que cruza várias linguagens, como é prática dos Circolando. Interpretação de André Braga e JoãoVladimiro

Quarto Interior, no Teatro Municipal de Almada, Sala Principal. Hoje, quinta-feira, 9, às 22 e 30.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Menina Else e Film Noir

Aos 19 anos, Else, uma rapariga da classe média vienense, tem que juntar 30 mil florins para salvar a sua família da ruína. Preâmbulo para Menina Else, de Arthur Schinitzler, que recentemente subiu ao palco da Cornucópia, numa encenação de Christine Laurent, e hoje chega a Almada. Uma excelente interpretação da actriz Rita Durão, no primeiro monólogo da sua carreira. Personagem carregada de sombras – ambíguas e inconscientes – que traça um retrato revelador de uma jovem mulher à época (Arthur Schnitzer viveu entre 1862 e 1931) embora, nalguns momentos se revista de uma enorme actualidade.
Construído a partir do Projecto Emergentes, que o Teatro Nacional D. Maria II criou para apresentar projectos artísticos no domínio das artes cénicas, Film Noir, de André Murraças, é um espectáculo de teatro construído a partir do género Filme Negro, muito em voga no pós-guerra. No palco conta-se uma história através de imagens cinematográfica. Com Anabela Brígida, Maria João Falcão e Sofia Correia.

Menina Else, no Fórum Romeu Correia, Almada. Auditório Fernando Lopes-Graça, hoje, quarta-feira, 8, às 21 e 30; e amanhã, quinta-feira, 9, às 18
Film Noir, no Teatro Nacional D. Maria II, Sala experimental. De 8 a 11, às 21 e 45, e a 12, às 16 e 15
Foto Film Noir, de Paulo Segadaes

Amin Maalouf em Lisboa

É já daqui a pouco que começa o encontro com Amin Maalouf. O escritor libanês irá conversar com o embaixador António Monteiro sobre os temas do seu último livro, Um Mundo Sem Regras, que agora se publica com a chancela da Difel: o desregramento intelectual, económico, geopolítico e ético do mundo no séc XXI. A sessão será moderada por António Vitorino.
Hoje, quarta-feira, 8, pelas 18, no Auditório 2 da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

Deixem Passar o Homem Invisível

João Lobo Antunes apresenta o novo romance de Rui Cardoso Martins, Deixem Passar o Homem Invisível (Ed. Dom Quixote).
A sessão conta com um concerto de António Eustáquio (Guitolão) e Carlos Barreto (Contrabaixo).
Hoje, quarta-feira, 8, pelas 19, no Reservatório da Mãe d'Água das Amoreiras.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Cortamos e frisamos

Duas irmãs, cabeleireiras - Mabel e Marta - passam a vida no salão onde trabalham a falar da vida alheia. Entre um corte de cabelo e uma pintura de raízes comentam, a bom ritmo, a vida das clientes. Ciúmes, inveja e vingança são pontos chave de um diálogo com doses de brutalidade disfarçadas de uma aparente cordialidade e inocencia. Cortamos e frisamos, uma comédia hilariante que desde 2001 já passou por grandes palcos mundiais, baseia-se nos contos da escritora Silvina Ocampo e conta com a encenação de Inés Saavedra, que com Maria Marta Guitart e Cora Rezk, também interpreta. Saavedra, há alguns anos, transformou a sua própria casa, em Buenos Aires, na Argentina, numa sala de teatro - La Maravillosa - destinada à investigação, estudo e criação de textos dramáticos. Espectáculo em espanhol, legendado em português.
Hoje, terça feira, 7, às 22 horas, no palco grande da Escola D. António da Costa.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Carta aos actores e Diálogo de um cão...

Duas peças sobem hoje aos palcos do Festival de Teatro de Almada. Carta aos Actores, uma criação do dramaturgo, romancista e artista plástico francês Valère Novarina, com interpretação de Jorge Silva Melo, é uma reflexão sobre a arte de ser actor e o sentido do teatro. «Será preciso que um dia um actor entregue o seu corpo vivo à medicina, que seja aberto, que se saiba enfim o que acontece lá dentro, quando está a actuar. Que se saiba como é feito, o outro corpo. Porque o actor actua com um corpo que não o seu». Hoje, às 21 horas, e amanhã, 7, às 19 horas, no Instituto Franco- Português, em Lisboa.
Dialogue d'un chien avec son maître sur la nécessité de mordre ses amis ou Diálogo de um cão com o seu dono sobre a necessidade de morder os seus amigos é o texto de Jeann-Marie Piemme, com encenação de Philippe Sireuil, do Théâtre National de la Communauté Française que, hoje, às 22 horas, se estreia no palco grande da Escola D. António da Costa, em Almada. Um dos grandes êxitos do Festival d'Avignon, narra a história do encontro de um homem - porteiro num hotel de luxo - que vive numa caravana com um cão que está constantemente a fazer asneiras. Humor sem 'pinças' e 'ferocidade' quanto baste, numa peça que, segundo o encenador, nos dá «o osso, o nervo e a carne de um belo pedaço de teatro que deve ser devorado sem qualquer moderação». Com Philippe Jeusette e Fabrice Schillaci. Espectáculo em francês, legendado em português.
Na foto: Dialogue d'un chien avec son maître sur la nécessité de mordre ses amis

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Um Deus falhado

As metamorfoses dos media são por demais evidentes e o caso da morte de Michael Jackson só veio demonstrar os excessos do fenómeno. A notícia da morte do cantor foi adiantada, em primeiríssima mão, pelo TMZ, site maldito que coscuvilha a vida privada de personalidades (e, pelos vistos, também a morte). Ultrapassou largamente a televisão. A Sky News avançou com a notícia da notícia: «A TMZ noticiou que Michael Jackson morreu). A CNN recusou-se a seguir o portal, simplesmente ignorando-o. Esperou pela fonte seguinte, o on-line do credível jornal LA Times. E então, novamente noticiou a notícia, dizendo: «O LA Times anunciou que…» Colocando sempre a ressalva: «A CNN ainda não confirmou». E com este cuidado extremo da maior cadeia noticiosa do mundo (que também se verificou, por exemplo, nas eleições americanas), passadas duas horas ainda não tinha sido confirmada coisa nenhuma. Ao ponto de nos perguntarmos: «Será que estes tipos já confirmaram a notícia da morte do Elvis?».
O caso serve de paradigma. No que diz respeito a notícias de última hora, os meios on-line ultrapassam facilmente todos os outros, mesmo a televisão. Contudo, um canal como a CNN, tem que defender, a todo o custo, a sua credibilidade. Se a notícia é avançada pela CNN, sabemos que é verdade. Se é dada por um qualquer site é legítimo desconfiarmos.
Michael Jackson é, por si só, um paradigma tecnológico. Enquanto inúmeros cientistas desenvolveram a robótica de forma a criar máquinas que se pareçam com homens, Jackson dedicou grande parte da sua vida a querer parecer-se com uma máquina. Começando, de forma criativa, com alguns dos seus passos de dança, nomeadamente o famoso Moonwalking, em que desliza de forma tão perfeita que nos faz crer que não é humano.
Depois há toda uma questão tecnológica ligada à sua imagem. As mutações (ou mutilações) que provocou ao seu corpo, em busca do mais estranho conceito de beleza, contribuíram, com certeza, para significativos desenvolvimentos a nível da cirurgia plástica, entre outras ciências médicas.
Além disso, Michael Jackson quis convencer-nos de que era imortal. Já que era rei do pop ousou ser Deus. Numa divinização da sua imagem, chegou a limites extremos de isolamento, com medo de contágios. «Gosto muito de vocês, mas por favor não me toquem». Transformou-se numa espécie de alienígena, demasiado branco para ser real. E ficou por cumprir o sonho humano de que falava Raul Brandão: viver para sempre. Foi mais um Deus que falhou no momento decisivo.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

L. Ville, de Fernando Sobral

Zé Pedro (Xutos & Pontapés) apresenta L. Ville, romance policial urbano de Fernando Sobral, com a chancela da Quetzal. Diamantes, crimes e traições, numa trama que se desenrola entre Lisboa, Nigéria e Macau.
Hoje, quinta-feira, 7, às 19, na Livraria Ler Devagar, no Lx Factory, em Alcântara.