Quinta-feira, 26 de Novembro de 2009

Kurt Vile e B Fachada no Frágil

Em noite de concerto duplo, Kurt Vile, músico indie/folk norte-americano, interpreta temas do seu primeiro disco a solo Childish Prodigy e, em jeito de pré apresentação do vindouro segundo disco, B Fachada apresenta algumas das novas canções em concerto. Frágil, em Lisboa, a 9, às 23

Sexta-feira, 20 de Novembro de 2009

Animações de bolso

No cinema, o movimento é uma ilusão de óptica criada pela maquinaria. Na verdade, o que existe é uma sequência de fotografias, de imagens estáticas. A sua rápida sucessão cria essa ideia de realidade. O processo é de tal forma mecanizado que, muitas vezes, nem os realizadores se apercebem da sua complexidade. Nem têm que se preocupar com isso. Apesar do o cinema, mais do que outras, ser uma arte fortemente tecnológica, ao contrário do que acontecia no tempo dos Irmãos Lumiére, os realizadores já não são engenheiros.

Na animação esta ideia de frames, de imagens estáticas, de ilusão de óptica é mais explícita. Porque é sabido que aquelas imagens não têm uma existência real, só existem no ecrã porque alguém as desenhou. E é fácil exemplificar a ilusão de movimentos mesmo a uma criança. Através de um flipbook, livrinho que, passando rapidamente as páginas, nos dá a ideia de acção. Ou num flipbook de trazer por casa, que qualquer um pode fazer, por exemplo, nos cantos das folhas de um caderno. O processo é tão simples quanto isto. Num canto desenha-se um rapaz, uma bola e um cesto. Na folha seguinte, a bola sai-lhe das mãos, e, página por página, vai avançando até entrar no cesto. Uau! Para uma criança, é como entregar a fórmula da poção mágica do Astérix. Não se perde a magia, apenas se aprende a cozinhá-la.

A Nintendo desenvolveu na sua consola, a DSI, um programa que alimenta electronicamente este jogo óptico. Através de uma pentouch vão-se desenhando os frames, um por um. Mais tarde pode acrescentar-se o som e alguns efeitos. E o filme está feito. O software é simples, básico, e aproxima-nos de um conceito artesanal. Algumas obras assim feitas participam num concurso que decorre na Videoteca, no dia 2 de Dezembro. Será entusiasmante perceber o que pode ser feito com tão pouco. Eu próprio já me deixei deslumbrar com o software (de download gratuito). Mas quanto a mim, fica por resolver um problema básico: há que saber desenhar.

Terça-feira, 17 de Novembro de 2009

Amanhã nas bancas!


JL 1021

de 18 de Novembro a 1 de Dezembro


Luísa Costa Gomes: As Ilusões do Real
A escritora fala do seu novo romance, do 'espírito do tempo',
das linguagens contemporâneas e das relações com a Cultura

Isabel Alçada: A ministra que veio dos livros
Que desafios imediatos?
Textos de Roberto Carneiro, Júlio Pedrosa, G. d'Oliveira Martins e José M. Canavarro

Entrevista com Peter Handke e balanço do Estoril Film Festival

António Olaio, um artista no universo pop

Cristina Robalo Cordeiro, o último Lobo Antunes

Eunice Muñoz, a magia da grande actriz

Claude Lévi-Strauss, a paixão do outro

Helder Macedo, retrato do artista como cão

Ricardo Adolfo, Perdido na Tradução

Autobiografia de Nuno Crato

Quinta-feira, 5 de Novembro de 2009

Bungee Jumping social

Agora viver debaixo da ponte está ao alcance de todos. Há uma empresa sedeada na Holanda que propicia umas férias muito especiais. Por um preço nada simbólico, é oferecida a sensação de ser um sem-abrigo, nas ruas de Paris ou Londres. A organização distribui um cartão e assegura a segurança aos seus clientes. Como se não ter casa fosse divertido, e se colocasse a dúvida: vou para as Seicheles ou para debaixo de uma das pontes do Sena? Da mesma forma, no Brasil, fazem-se visitas guiadas às favelas. É a pornografia da pobreza, que, por algum motivo, seduz aqueles que não são pobres. Não para deixarem tudo e tornarem-se um deles, à imagem de um santo ou coisa assim, mas para ter uma experiência radical, como quem faz bungee jumping.

Um salto para o abismo, com a segurança do elástico que nos prende e nos puxa novamente para cima. Mas as sociedades são suficientemente acidentadas para podermos cair num precipício sem rede, nem corda, nem tempo para nos agarramos às paredes. O desemprego está a crescer, mais vale não brincar aos pobres. E nos Estados Unidos, terra de oportunidades onde se ‘cai na rua’ com uma facilidade incrível, vários blogues mostram que qualquer um pode ser um sem-abrigo.

O bungee jumping social tem como factor positivo, pelo menos, o interesse pelo Outro. Mesmo que seja uma curiosidade mórbida, para os dias que correm, não está mal. Há quem resolva o seu mal-estar com esse mundo de forma menos obscena. No documentário de Rui Simões, Ruas da Amargura, que agora se estreia em sala, encontramos algumas dessas personagens que habitam o submundo de Lisboa. E, lado a lado, uma série de voluntários que dedicam o seu tempo a ajudá-las. Sem fazer turismo.

Se a ideia é apenas conhecer melhor os jardins da cidade, mais vale fazê-lo de forma abrigada, como o eco-resort alternativo, de um só quarto, montado no Jardim da Estrela (ver www.dass.pt). Quanto ao resto, já se sabe: a rua não é sítio onde se more e é uma vergonha social não conseguirmos dar a volta a isso.

Terça-feira, 3 de Novembro de 2009

Amanhã nas bancas!

JL 1020

de 4 a 17 de Novembro



A BÍBLIA
As respostas de A. M. Pires Cabral, Alice Vieira, Gastão Cruz, José Agostinho Baptista, José Augusto Mourão, José Mattoso, Teresa Toldy e Vasco Graça Moura. Inquérito a propósito de Caim, de José Saramago.

A literatura como heterodoxia, por Carlos Reis


LUÍS SEPÚLVEDA
Sem sombra de esquecimento. Entrevista sobre o novo romance e sobre o Chile de Allende e Pinochet


Gabriela Canavilhas: quem é a ministra da Cultura


João Aguardela, tradição e vanguarda


Albatroz Azul, de João Ubaldo Ribeiro: texto de Juva Batella e entrevista


Francisco José Viegas lido por Miguel Real


Os novos filmes de Fernando Lopes e Pedro Costa


A autobiografia de João Paulo Borges Coelho