quinta-feira, 28 de maio de 2009

Versos Olímpicos, de José Ricardo Nunes

Cerimónia de Abertura

Entram no estádio e desfilam
as delegações: uma bandeira
por país, um capitão
a comandar os implicados
no crescimento do comércio global.
Os desportistas sorriem, acenam,
cumprem à risca o seu papel de figurantes.
Digo-lhe que não sei parar as imagens.

Reina a paz e a concórdia.
Mesmo os que vieram apenas para competir,
perder, sonham com o milagre
que lhes turva os olhos de glória. E eu,
sentado neste sofá suburbano
que treme à passagem do comboio,
acredito no que lhe digo.

Lembra o comentador, algo comovido
pelas últimas notícias, que na Grécia
faziam tréguas durante os Jogos.
Alguém é dono da verdade? Resta-nos
o poder de mudar livremente de canal
ao sabor dos nossos humores tão variáveis.
Estou sempre a dizer isto à Jacinta.

O Suplente

O futebol preferia
aos livros. Mas livros depois
já não era capaz de distinguir
quem driblava, quem centrava
para dentro da área, se o remate
certeiro concluía uma jogada
ou um poema. Se não podes vencê-los
junta-te a eles. No mesmo banco
em que acompanhava os jogos
da minha equipa leria os livros.
lances e metáforas imaginados,
uma luz crua e breve.
Pois a maior parte do tempo
ficava petrificado, ausente,
como se nem sequer eu
estivesse sentado no banco
a assistir a tudo isto.

Espírito Olímpico

Há palavras que nunca servem
e palavras que se adaptam ao que pretendemos.
Talvez haja alguma apropriada para morrer.

O poeta deve procurar a palavra certa?
Deixemo-nos de conversas.
Temos à disposição palavras limpas
e palavras com restos de terra e sujidade.
Qualquer palavra se pode confundir com outra.
Já não é possível confiar em palavras.

Transferem-mos, os versos? Mundo
e condição, os versos e a vida igual
de quem os escreve, com facturas
e pequenas glórias e desumanidades,
qualquer que seja o lado da muralha.

Às vezes ouvimos mal a palavra
que traz dentro um verso. Imperfeito?
Escrevemos o que não queremos,
repetimos erros, aprendemos,
quase tudo uma questão de sorte.
Quarenta dias. Apenas quarenta dias.

Do novo livro de poemas de José Ricardo Nunes, Versos Olímpicos, uma edição da Deriva.

B, de Beckett

Quais as motivações destas personagens? O que as faz permanecer cómicas, trágicas, ridículas? Que caminhos vão percorrer? São algumas das dúvidas levantadas em B, peça a partir de textos de Samuel Beckett, que o Teatroensaio estreia hoje, quinta-feira, 28, às 21 e 30, no Blackbox, Cace Cultural do Porto (Rua do Freixo, 1071).
«Uma das grandes provas da capacidade de resistência mental e física que o ser humano tem pós o caos, o extremo acontecimento e a noção de que para além de nada ainda existe a permanência, a solitária permanência entre e sobre os cacos, são os textos de Samuel Beckett. Sim falamos sobre existencialismo, mas sobretudo sobre existência», diz o encenador Pedro Estorninho sobre B, que conta com as interpretações de Ana Vargas, Daniel Pinheiro, Inês Leite, Joana Mesquita, José Topa, Julieta Guimarães e Olinda Favas. Para ver de Quinta a Domingo, às 21 e 30, até 14 de Junho.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Rokia Traoré ao vivo



Diz que tudo começou com um som dentro da sua cabeça, um som que era uma música nova, ao mesmo tempo africana e blues e rock, mais do que lhe podia oferecer a sua guitarra acústica. Foi então que esta cantora do Mali descobriu a clássica guitarra eléctrica Gretsch. Daí surgiu uma brilhante carreira na world music, levada ainda mais longe com o mais recente álbum, Tchamantché.

Hoje, 27, às 22, na casa da Música, no Porto e amanhã, 28, às 22, no Lux, em Lisboa.

Bypass - uma nova revista

Bypass é o nome de uma nova revista, uma publicação interdisciplinar, editada por Álvaro Seiça Neves e Gaëlle Silva Marques, que convida vários autores, de diversas áreas e nacionalidades, a apresentarem um trabalho escrito/visual sobre o tema proposto para cada número. Arquitectura é o tema do número inaugural que será pré-lançado, hoje, quarta-feira, 27, pelas 19 e 30, na Fnac Chiado. Hoje será também apresentado o ciclo «BYPASSing», no qual os autores do primeiro numero farão mensalmente conferências, exposições e apresentações. Pavel Braila, artista moldavo residente em Berlim, lançará o ciclo com o vídeo Baron’s Hill e Pedro dos Reis apresentará o vídeo Stalk, com música de Draftank. Amanhã, quinta feira, 28, haverá outra apresentação da Bypass na Galeria Appleton Square (Rua Acácio Paiva, nº27 R/C. Lisboa)

terça-feira, 26 de maio de 2009

Kenneth Anger: Da magia e do oculto

Alexandre Estrela, António Poppe, Brian Butler, Jannis Varelas, Joachim Koester, John Bock, Jonathan Meese, Manuel Ocampo, Markus Selg e Tamar Guimarães são os artistas que compõem a mostra internacional Estrela Brilhante da Manhã, patente até 1 de Agosto, integrada no ciclo que a Associação Zé dos Bois está a dedicar ao realizador norte americano Kenneth Anger, uma das referências do cinema independente e undergroud.
Esta exposição sugere um percurso iniciático, pondo, num primeiro plano, a evidência dos fantasmas do humano», sugere o comissário, Natxo Checa, no texto de apresentação. «Acedemos a narrativas mediúnicas, manifestações xamânicas, construções simbólicas, figurações híbridas que sublinham o constante sentimento metafísico que o homem experiência na busca incansável do absoluto».
São trabalhos que reclamam as propriedades da magia, dos rituais e da tradição hermética, que procuram, introspectivamente, perceber os grandes mistérios da humanidade. Brian Butler propõe uma travessia do abismo, Tamar Guimarães defende que o papel do historiador é equiparável ao do médium. Também há deambulações pelos sonhos (Jannis Varelas), personagens utópicas (Jonathan Meese), críticas ao fundamentalismo religioso (Manuel Ocampo). E não faltam simulacros, por Joachim Koester, ligações entre o sagrado e o profano, por John Bock, reflexões sobre a quarta dimensão, por Markus Selg, ensaios sobre a impossibilidade de entendimento global, por António Poppe, e aproximações à temática do poder, por Alexandre Estrela.
Múltiplas abordagens (como se pode ver pelos tópicos aqui reunidos) à fascinante obra de Kenneth Anger, de quem se apresenta a curta-metragem Brush of Baphomet, inspirada na simbologia esotérica de Aleister Crowley. Uma exposição do outro mundo.

Crucificado, a partir de Natália Correia

«As igrejas não chegam para dar vazão às nossas rezas. Sairemos para a rua num cortejo, atearemos a noite com a melodia intempestiva da nossa prece popular, folclórica e pagã. Não é uma escavadora persistente que há-de abrir a nossa cova nem a santíssima trindade política que nos roubará esta loucura. Chegou finalmente o dia? Queremos cortar caminhos e amarras e rotinas. Queremos errar, porque o nosso verbo é o verbo ir. Queremos fugir a fingir que somos livres dessa cruz que carregamos. Mas prisioneiros somos nós todos ó crucificados, prisioneiros do silêncio como gatos e ratos». Palavras de Crucificado, peça escrita a partir de Memórias de Uma Tia Tonta e outros textos de Natália Correia, que se estreia na quinta d'O Bando, em Vale de Barris (Palmela), dia 28, às 22 horas. O espectáculo conta com dramaturgia e encenação de Miguel Moreira e João Brites, espaço cénico (por onde entra uma retroescavadora) de Rui Francisco e composição musical de Jorge Salgueiro. Co-produção com o Útero. Com Adelaide João, Miguel Moreira, Paula Só, Sílvia Almeida e Filipe Luz.
Crucificado estará em cena até ao solstício de Verão, dia 21 de Junho - de quinta, a domingo, sempre às 22, e passa-se ao ar livre, daí que seja aconselhavel levar agasalhos.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Passatempo: Maria João Quadros

O Blogue do JL oferece convites par o concerto de Maria João Quadros no Coliseu de Lisboa, no próximo dia 28. Para se habilitar, veja este teledisco e responda à seguinte pergunta:








O tema Fado Mulato, que dá nome ao disco de Maria João Quadros, tem letra de Tiago Torres da Silva. Qual é o autor da música?



a) Alain Oulman

b) Caetano Veloso

c) Sérgio Godinho

d) Zeca Baleiro



Envie a resposta para bloguejl@gmail.com

Maria João Quadros no Coliseu de Lisboa

Tito Paris e o Quarteto Luso-Tango são os convidados especiais dos concertos que Maria João Quadros vai dar no Coliseu de Lisboa (dia 28), Centro de Artes de Sines (dia 22) e Casino da Figueira da Foz (dia 30). Trata-se da apresentação ao vivo de Fado Mulato, um álbum que cruza oceanos. Concebido por Tiago Torres da Silva, que também escreveu quase todas as letras, conta com fados compostos de alguns dos mais ilustres músicos brasileiros. Entre outros, Zeca Baleiro, Chico César, Francis Hime, Ivan Lins e Olívia Byington. Além dos temas do álbum, a experiente fadista preparou um espectáculo abrangente, que passa por sonoridades de países de expressão portuguesa, como Cabo Verde, Brasil ou Moçambique. Há ainda a possibilidade de alguns músicos brasileiros estarem presentes no espectáculo do coliseu e a certeza de convidados surpresa. Recorde-se que o álbum já foi apresentado no Brasil, com recensões favoráveis na imprensa.

sábado, 23 de maio de 2009

Os cúmplices de Maria João Quadros

Entrevista com Tiago Torres da Silva

Tiago Torres da Silva é, neste momento, um dos mais destacados letristas da música portuguesa (e não só), com particular ênfase no fado. Foi ele que concebeu Fado Mulato, o disco em que Maria João Quadros canta fados composto por músicos brasileiros. O Blogue de Letras entrevista-o, uma semana antes do concerto da fadista, no dia 28, no Coliseu de Lisboa

Pediste a uma série de compositores brasileiros para escrever fados, que é uma música genuinamente portuguesa e lisboeta… De que forma é que os compositores brasileiros transformam o fado?

Na realidade, os compositores brasileiros só conhecem o fado de matriz amaliana e, mais do que o conhecerem a fundo, intuem um sentimento que está associado a esse fado que a Amália levou ao Brasil com tanto sucesso. O que me parece que todos estes compositores fizeram foi compor com a riqueza harmónica da MPB associando o seu próprio estilo de composição a essa coisa nostálgica que eles reconhecem no fado. Depois, eu escrevi letras impregnadas de fado, com muitas referências ao mundo fadista e isso, associado a muitas conversas que fomos tendo ao longo dos meses de composição, ajudou a situá-los numa coisa mais próxima do Fado. Foi muito curioso ver a reacção que eles tiveram ao ouvir a maria João Quadros a cantar os temas novos, porque no Brasil jamais tinham escutado uma emissão de voz como aquela que nada tem a ver com o que eles conhecem do fado.


Que surpresas estão preparadas para os concertos?

Os concertos traçam um caminho que nasce nos retiros fadistas de Lisboa, atravessam o continente africano e aportam no Brasil sem, por isso, negarem o parentesco que têm com, por exemplo, o tango. Nestes diversos lugares que vai "percorrendo", a Maria João Quadros vai encontrando cúmplices das mais variadas origens e faixas estárias. É assim que, ao palco do Coliseu, subirão o Quinteto Lusotango, o Tito Paris e o António Pinto Basto para além de... ah!, mas isso é surpresa! E que surpresa!... Quem é aficionado de fado e não estiver no Coliseu no dia 28, vai ficar a roer-se durante uns bons tempos! Podes ter a certeza!


Gravaste um disco com uma portuguesa a cantar fados brasileiros e agora vai sair um outro, da Maria Berasarte, em que escreves letras para uma «fadista» basca, que canta fado em espanhol sem guitarra portuguesa. Queres alargar as fronteiras? Tornar o fado universal? Será que tudo isto é fado?

Como sabes, o Brasil está no meu caminho há muito tempo e de tanto escrever para cantores portugueses e brasileiros, confesso que já não sei bem onde me situar. Apaixona-me o rigor poético do fado, mas sinto-me muito feliz com a liberdade que a MPB me permite. Encontrei um pequeno espaço na MPB que me dá muita alegria, porque acho que os maiores letristas da língua portuguesa se encontram no Brasil. A lista é extensíssima e encabeçada pelo Chico Buarque, mas tem também Paulo César Pinheiro, Luiz Tatit, Caetano Veloso, Arnaldo Antunes, etc. Fui eu que quis o Brasil no meu caminho. Trabalhei para isso e, agora, ao ouvir o que escrevo nas vozes da Maria Bethânia, do Ney Matogrosso, da Alcione, da Elba Ramalho, do Seu Jorge, da Zélia Duncan, da Olivia Byington, entre muitos outros, sei que me tornei naquilo que sempre quis ser - um escritor de uma língua mais do que um escritor de um lugar.
O disco da Maria Berasarte foi um acontecimento. Nada fiz para que acontecesse, mas a Maria, que é uma cantora extraordinária, apaixonou-se pelo Fado e veio a Portugal com o intuito de encontrar os parceiros certos para esta viagem. Quando me encontrou, pediu-me que escrevesse letras em português para ela e fui eu que lhe propus que, se era para cantar fado, tinha de cantar com as palavras que aprendeu desde criança. Eu sou um letrista de vozes, para vozes! Tento sempre escrever como se fosse o cantor que vai interpretar aquelas palavras. Por isso, fez-me sentido escrever em castelhano e foi um desafio muito grande, porque tive de comprar dicionários de rimas em espanhol, de expressões... durante meses a fio só li livros em castelhano e, por fim, escrevi aquelas letras de fados tradicionais, o que não é nada directo, porque a poesia popular portuguesa (e, por isso, quase todos os fados tradicionais) é maioritariamente em redondilha maior. E as sete sílabas não calham bem ao espanhol... tive de as fazer caber... mas acho que isto foi um episódio que eu tenho muita vontade de repetir... mas nada mais que isso...por exemplo, gostava imenso de fazer um disco com fados tradicionais em francês... e até sei quem seria a cantora...
Quanto à questão de se estas experiências são fado ou não, confesso que não me interessa muito. Eu faço o que tenho de fazer, Existe alguma coisa inominável que me impele a fazer as coisas. Por isso, do ponto de vista da intimidade, claro que isto tudo é fado. Do ponto de vista da catalogação pública, talvez nada disto seja fado. Pelo menos, para os puristas, não é, de certeza!

sexta-feira, 22 de maio de 2009

A Criação, de Haydn

No ano em que se assinalam os 200 anos da morte do compositor austríaco Joseph Haydn o Coro Sinfónico Lisboa Cantat e a Orquestra Académica Metropolitana apresentam A Criação em três concertos. Hoje, sexta-feira, 22, pelas 22 horas, na Basílica de Mafra, amanhã, sábado, pelas 21 e 30, no Mosteiro de Alcobaça e no Domingo, pelas 17, no Centro Cultural das Caldas da Rainha. Actuaram como solistas Raquel Camarinha (soprano), João Cipriano Martins (tenor) e Nuno Dias (baixo). A direcção musical está a cargo do maestro Jean-Marc Burfin.

E se a literatura salvar jornais?

Quero contar-lhe uma história. Dou-lhe dois inícios à escolha.

1. Ontem, um prédio na Avenida da Liberdade incendiou-se às 15 e 45, devido a uma fuga de gás.

2. Dar cinco passos, parar, tocar e deixar as cartas. Parecia um dia igual a tantos outros. José Santos, carteiro há mais de 20 anos na Avenida da Liberdade, deu os cinco passos de uma porta à outra, parou, mas não tocou. Cheiro de fumo.

Se escolheu a segunda hipótese, sente-se e beba um copo. Apresento-lhe o Jornalismo Literário. Não, não é jornalismo sobre literatura (como o JL tem vindo tão nobremente a fazer ao longo dos anos), mas um feliz casamento entre as duas coisas. Coisa nova em Portugal, mas que já se faz nos EUA há mais de 100 anos. Mas parece estar a florescer no nosso país, como se viu no Seminário de Jornalismo Literário dos dias 8 9, promovido por Paulo Moura, a grande referência portuguesa nesta área.
A diferença está na forma de fazer: perguntar menos, observar mais e ter um grande cuidado estético – jornalistas mais artistas que técnicos. Isto para contrapor ao jornalismo mecânico que se tornou tradição. Na era do fast-food, fast-internet, fast-pensamento, claro que vinga o fast-jornalismo. Com leads, pirâmides e, principalmente, um espremedor de sumos: quer-se o essencial, sem cascas nem caroços. Mas não nos esqueçamos que não é só o sumo que faz a laranja. Metáforas à parte, os defensores do Jornalismo Literário apresentam-no como o salvador dos jornais, que vivem tempos nada felizes, ainda mais arrastados para o fundo pela famigerada crise económica. Tentar concorrer com a televisão e, pior, com a Internet, seguindo os seus padrões – a notícia aqui e agora –, afigura-se uma clara luta inglória. Os jornais precisam de fazer diferente. Acreditando que as pessoas lêem os textos se eles forem bons, a diferença pode estar na qualidade dos escritos – contar histórias em vez de publicar relatórios policiais. Este tipo de jornalismo não se faz só em livros resultantes de dois anos na floresta Amazónica, mas requer sempre mais tempo do que o telex da Lusa. Para isso, é preciso alguma disponibilidade das redacções. No entanto, numa tentativa de salvar os jornais da extinção (e de fazer render os trocos), as redacções estão cada vez mais pequenas. Obviamente, os três jornalistas que sobram têm mais que fazer que ter conversa de barman com o carteiro. O Jornalismo Literário fica então de fora, em função das notícias que já saíram no Twitter. Ainda está aí sentado? Seguiu o raciocínio? Beba o último gole e responda-me: será que a tentativa de salvar os jornais não os está a matar mais depressa?

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Doug MacLeod ao vivo



Uma velha guitarra National e uma voz quente - não é preciso mais nada para uma noite de música dentro da mais perfeita tradição do blues. Doug MacLeod aprendeu com os mestres e é um dos últimos seguidores desse velho blues. Quando se fala dos seus concertos, a palavra que surge é (assim mesmo, no original) unforgettable.

Amanhã, às 22, no Auditório Acácio Barreiros, em Sintra.

Panos – Palcos Novos

A Culturgest recebe, a partir de amanhã, a 4ª edição deste projecto que estreia textos de grupos de teatro escolar/juvenil, pensados para serem representados por adolescentes entre os 12 e os 18 anos. As peças são escritas por Tiago Rodrigues, Miguel Castro Caldas e Abi Morgan. A proposta dos dois primeiros dramaturgos (Coro dos Maus Alunos e Numa corda, respectivamente) revolve em torno do universo escolar, enquanto a da brtânica Abi Morgan é uma história de crianças refugiandas na capital inglesa, embrenhadas no sistema mas ainda assombradas pelo passado. Cada peça sobe ao palco duas vezes, apresentadas por grupos de jovens diferentes.

Culturgest, Lisboa; sexta e sábado, às 18 e 30 e às 22; domingo, às 15 e 30 e 18 e 30

I Ciclo de Música de Câmara de Palmela

O I Ciclo de Música de Câmara em Palmela inicia-se a 23, às 22 horas, com um concerto do Ensemble CamerArte, no Conservatório Regional de Palmela (CRP). A 30, pelas 22 horas, também no CRP, tocam alunos da Escola Superior de Música de Lisboa. A organização do ciclo está a cargo da Sociedade Filarmónica Humanitária e do CRP. Entrada livre.

Pneuma, de Luís Carlos Patraquim

Pneuma

1
a fragmentária Ciência
resvalando em sua própria declinação

- na cor da corola onde
se supõe plano e inclinado o verde
s'tará a bola e a carambola? -

ou toda a cor se encurva
e a declinação regride

principio essendi

esse Ponto?

2
... de onde a palavra dança
antes da boca

um revolteio de grãos
riscando o Olho

as pálpebras da Luz
semicerrando a noite

as dunas
e o sulco da cobra lavrando
o pomar de deus

3
Que ele não queriaaaaEu sei
A geometria plana onde se escondem
Os losangos da pele

E mandou erigir as formas cónicas
E deus a gravidade à rotação
Das pirâmides

E adoptou um gato
Para desenhar o tempoaaaOnde
As mulheres se banham
Cúbicas

4
E seus panos d'agua Te alvoroçaram
E lhes apresentaste o cordeiro
Para que se cobrissem

sangue que o ar esparge

5
... quando nasceste

e o nome das dunas nómadas
subiu em haste
pelo volume eléctrico das Mães

onde repousa
entre tâmaras azuis e a folha
da Palmeira

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Querida Professora...

Quatro alunos finalistas batem à porta da professora Helena Serguéiévna. Trazem um ramo de flores, um serviço de cristal e sorrisos abertos. Vêm desejar um «Feliz aniversário» àquela mulher tristonha que vive sozinha. Espantada com tanta gentileza, a professora convida-os a entrar e a partilharem o que está no frigorífico. Um quadro feliz que não vai durar muito, pois estes intrusos só querem tirar-lhe a chave do cofre onde estão guardados os exames... Querida Professora Helena Serguéiévna, de Ludmilla Razumovskaia estreia hoje, quarta feira, 20, pelas 21 e 30, na Comuna Teatro de Pesquisa, em Lisboa. A versão cénica e a encenação são de João Mota. Com Hugo Franco, Marco Paiva, Maria Ana Filipe, Rui Neto e Tânia Alves.

Ontem não te vi no Second Life


Nunca se deve voltar a sítios onde se foi feliz. É o que se diz por aí. E com alguma razão. Mas eu não quis saber de bocas, ressuscitei o meu avatar, o Castanheira de Pêra, e regressei ao Second Life, quase dois anos depois do simulador de vida ter feito capa do JL. Os comandos estavam trôpegos nos dedos e o meu querido Castanheira, um segundo eu, parecia tão desajeitado como um principiante. Senti-me sobretudo como um emigrante que regressa à sua aldeia natal. Encontrei tudo tão mudado, como um estrangeiro na minha própria ilha, Portucalis. Dois anos no mundo virtual correspondem, pelo menos, a 20. Uma eternidade.
Ninguém, mas ninguém, nem um só dos meus amigos estavam por lá. Alguns estavam off-line (se calhar não fui na melhor hora), outros, pura e simplesmente tinham desaparecido, se evaporado ou, eventualmente, regressado à primeira vida. Eu, Castanheira de Pêra senti a solidão de um avatar perdido num arquipélago, demasiado novo para se reformar, mas demasiado velho para procurar novas amizades. Onde estariam os meus velhos amigos? Eu próprio os tinha abandonado e agora eles vingavam-se com a sua ausência. Como eram vivas aquelas festas n’O Caneco…
O Caneco, isso mesmo, fiz uma chamada de grupo para Os Amigos d’O Caneco. Após um longo silêncio, respondeu uma simpática desconhecida chamada Medeia Magne, que se dedica à construção In World (reproduzo o diálogo na íntegra já a seguir).
Descobri que a Summer e a Winter se tinham zangado (quando o Verão se zanga com o Inverno está tudo perdido). E o Caneco simplesmente desapareceu, assim como o Café Roma ou o Jardim Cinema. Portuclais, contudo, continuava lá. Mudada, vazia, mas com novas atracções. «Queres que eu te diga onde a malta agora se reúne?», pergunta-me a simpática Medeia. Claro que sim. Um dia destes passo por lá à noite. Será que ainda se lembram de mim?
Voar é como andar de bicicleta. Percorri um pouco dos céus. Fui a Bora Bora, para matar saudades, e passei pela loja da Medeia. Gostei da viagem. Enquanto rede social, o Second Life é sem dúvida a mais simpática de todas as plataformas: vasta, versátil, surpreendente. Um mundo invariavelmente novo, onde nenhum avatar se sente só.

Uma conversa de fim de tarde no Second Life





Reprodução de uma conversa no Second Life.

Nota: Para quem não sabe, O Caneco é um bar na ilha de Portucalis. Castanheirade Pera é o meu avatar.


[10:50] Castanheirade Pera: Olá!
[10:50] Medeia Magne: ol´á
[10:50] Medeia Magne: olá lol
[10:50] Castanheirade Pera: Não vinha ao SL há um ano
[10:51] Castanheirade Pera: e agora não encontro um único amigo
[10:51] Medeia Magne: lol
[10:51] Castanheirade Pera: o que aconteceu ao Caneco?
[10:51] Medeia Magne: é uma hora péssima para encontrar aguém :-)
[10:51] Medeia Magne: e além disso já muita água passou debaixo da ponte
[10:51] Medeia Magne: o caneco..... longa história
[10:52] Medeia Magne: divergências em Portucalis..... a malta separou-se toda
[10:52] Castanheirade Pera: a sério?
[10:52] Medeia Magne: mas não sei detalhes :-)
[10:52] Medeia Magne: sim, parece q sim
[10:52] Castanheirade Pera: onde estás?
[10:52] Medeia Magne: no meu sim... a construir, que é a única coisa q faço por aqui lol
[10:53] Castanheirade Pera: lol
[10:53] Castanheirade Pera: Portucalis ainda existe?
[10:53] Medeia Magne: mas psso dizer-te onde andam os outros :-)
[10:53] Medeia Magne: sim, claro que existe :-))))
[10:53] Medeia Magne: queres as landmarks de tudo?
[10:53] Castanheirade Pera: sim sff
[10:53] Medeia Magne: ok, a 1: Portucalis
[10:54] Medeia Magne: quem é q conhecias?
[10:55] Medeia Magne: tens o Sim Alma que é do TP
[10:56] Castanheirade Pera: Maria gerhardi
[10:56] Castanheirade Pera: Palup Ling
[10:56] Castanheirade Pera: Winter
[10:57] Medeia Magne: ok, a Maria presumo que continue com as suas criações...... não sei dela
[10:57] Medeia Magne: o Palup... nunca mais vi
[10:57] Medeia Magne: A winter (q se zangou com a Summer) vem cá sempre.... está em Owls Bay
[10:57] Castanheirade Pera: não posso crer
[10:57] Castanheirade Pera: zangaram-se?
[10:58] Castanheirade Pera: mas eram como irmãs
[10:58] Medeia Magne: sim, está ela, o Imso e mais alguns
[10:58] Medeia Magne: só sei q se zangaram todos..... mas detalhes.... é melhor ser a p´ropria a dar
[10:58] Castanheirade Pera: claro
[10:58] Medeia Magne: não gosto de me meter nessas cenas :-(
[10:58] Castanheirade Pera: alguém engravidou?
[10:58] Castanheirade Pera: lol
[10:58] Medeia Magne: lol
[10:59] Medeia Magne: q eu saiba não lol
[10:59] Castanheirade Pera: sinto-me como se estivesse a regressar de França
[10:59] Medeia Magne: mas aqui no sl nunca se sabe lolol
[10:59] Medeia Magne: o meu Sim..... é colado ao do TP
[11:00] Medeia Magne: não tem nada mas és bem vido :-)
[11:00] Medeia Magne: e eu agora tenho de sair :-(
[11:00] Castanheirade Pera: onrigado
[11:00] Castanheirade Pera: obrigado
[11:00] Medeia Magne: de nada..... espero que te ambientes depressa
[11:00] Medeia Magne: e logo à noite de certeza q encontras alguém :-)
[11:00] Medeia Magne: pelo menos a Winter :-)
[11:00] Castanheirade Pera: ok
[11:01] Castanheirade Pera: :-)
[11:01] Medeia Magne: :-)

Nas Bancas!

Serralves 'vintage'
Nos 20 anos da Fundação e 10 anos do Museu, reportagem e depoimentos • Entrevista com (e perfil de) António Gomes de Pinho, presidente da Fundação

Da TV aos livros
Reportagem e entrevistas com jornalistas e comunicadores que publicaram obras de «ficção» • A opinião de Miguel Real

Figura: Fernando Morais, o biógrafo biografado
Carlos Reis: A Correspondência de Eça

B Fachada: Disco 'revelação'
Ondjaki: Carta de um certo Sul

José Luís Peixoto: Cédula pessoal
A autobiografia de Luiz Francisco Rebello

Agenda Cultural

Páginas 28


Devido a uma falha técnica, a página n.º 32 do JL 1008, que hoje chega às bancas, foi impressa duas vezes, na própria página 32 e no lugar da 28. Aos leitores, as nossas desculpas. A imagem reproduz a página 28 original.

terça-feira, 19 de maio de 2009

São Tomé, Máscaras e Mitos

São Tomé, Máscaras e Mitos é o nome da exposição de fotografia com trabalhos de Inês Gonçalves e Kiluanje Liberdade que inaugura hoje, terça-feira, 19, pelas 19 horas, na galeria Pente 10 - Fotografia Contemporânea (Trav. da Fábrica dos Pentes, 10, Lisboa).
«Os retratos que aqui estão são encenações que convivem com outras encenações, são retratos de pessoas que fazem teatro e que aparecem com roupas de teatro, roupas de personagem de teatro. Quem vê as fotografias pode não saber de onde vêm essas roupas, essas personagens, essa fantasia; e não é preciso saber tudo. Vêm de uma história de amores, traições, mortes, de nobres e de cavaleiros, onde entra o imperador dos imperadores, porque é o imperador de todos os romances e de todas as peças de teatro, das marionetas às pessoas, da Europa a África, o imperador Carlos Magno. São personagens representadas por grupos que em S. Tomé se chamam Tragédia, grupos que tiram o seu nome daquilo que é, na tradição grega, o género teatral nobre por excelência; um género em que a felicidade e a infelicidade, o bem e o mal, os bons e os maus se encontram em equilíbrio precário, como na vida real», explica João Carneiro no catálogo da exposição que estará patente (de 3.ª a sábado, das 15 às 20) até 31 de Julho.

A nova feira do livro

Contra factos não há argumentos: a Feira do Livro foi um sucesso. As vendas subiram, os editores ficaram satisfeitos e, por uma vez e apesar da crise, queixaram-se um pouco menos do que em anos anteriores. Os novos pavilhões foram bem recebidos: 42 por cento dos e-leitores do Blogue de Letras acham-nos melhores. E 25 por cento manifestou a intenção de comprar mais do 10 livros na Feira, o que é assinalável. O que os nossos e-leitores não concordam é com o novo horário - 52 por centos preferia que, aos dias de semana, a feira estivesse aberta das 16.30 à oo.30. Fica a sugestão para o próximo ano.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

(A)tentados, de Martin Crimp

Máscara Solta, grupo de teatro da Faculdade de Letras, da Universidade do Porto, apresenta (A)tentados, de Martin Crimp. Um texto que propõe e procura uma renovação do discurso teatral não só pela ausencia de personagens em palco ou de enredo, mas também pela diversidade de cenários e de informações díspares. Há uma ausencia de certezas, um despejar de informações que se quer apelativo e que remete o espectadador para o discurso dos Media dos dias de hoje. Há uma porta para um vazio onde só pode sobreviver o jogo teatral. «Não é só representação, é algo com mais exactidão», diz o grupo de actores que tem em Beckett um mestre: «Outra vez o corpo. Onde nenhum. Outra vez o lugar. Onde nenhum. Tentar outra vez. Falhar outra vez. Melhor outra vez». A encenação está a cargo de João Melo e conta com a participação especial do Grupo Trei Pastori. Até 23 de Maio, pelas 21 e 30, na Panmixia Associação Cultural (Rua do Freixo, nº 1071, Porto)

Urbano Tavares Rodrigues, anos 50

Uma Pedrada no Charco, As Aves da Madrugada, Bastardos do Sol e Nus e Suplicantes são os livros que compõem o segundo volume das Obras Completas de Urbano Tavares Rodrigues, que a Dom Quixote vai publicar em dez tomos.
São títulos lançados entre 1958 e 1960, numa fase particularmente profícua do autor, o que de resto sempre caracterizou a sua escrita. Uma urgência que não se espelha apenas no número de publicações, como salienta Manuel Gusmão no prefácio, mas também «na variação estilística e na amplitude temática das suas ficções que entretanto desdobram um núcleo poderoso de obsessões e mitos pessoais que se estão a constituir na altura em constantes da sua obra narrativa».
Histórias de alguém que se «sente interpelado pela situação bloqueada do seu país e do seu povo», procurando denunciá-la. Mas este já não é um Urbano Tavares Rodrigues neo-realista «canónico», acrescenta Manuel Gusmão, antes um dos autores que participa das «linhas de renovação da ficção portuguesa».

sexta-feira, 15 de maio de 2009

O terceiro policial de Dennis McShade

Com Mulher e Arma com Guitarra Espanhola a Assírio & Alvim prossegue a publicação dos romances policiais de Dinis Machado, publicados durante o Estado Novo sob o pseudónimo de Dennis McShade, ficando apenas a faltar o ainda inédito Blackpot.
O artifício era manhoso e fazia lembrar Boris Vian, que na França dos anos 40 escreveu e editou policiais negros, utilizando para isso o nome de Vernon Sullivan. Dinis Machado, que dirigia a colecção Rififi, da editora Íbis, seguiu a mesma estratégia. Sabia que a censura era apertada para os autores nacionais e para as mensagens subliminares. Fez-se passar por um escritor e um editor americanos, Dennis McShade e Matt West, respectivamente, e lá vendeu a prosa como literatura popular. E quando a tolerância do censor começou a apertar disse que era o último título do autor. Surgia assim Mulher e Arma com Guitarra Espanhola, depois de Mão Direita do Diabo e Requiem para D. Quixote.
Neles se pode ver a antecâmara do seu romance maior, O Que Diz Molero: a tentação pelos mundos marginais, neste caso o do crime; pelo confronto entre narrativa e pensamento; e pelas abundantes referências culturais, que aqui dão corpo à personalidade emblemática de Peter Maynard, atirador mortífero, amante de Mozart e Debussy, leitor de Céline e de John Dos Passos.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Contrabando de Versos ou VERSschmuggel

No ano passado, a língua portuguesa foi a convidada de honra do Festival de Poesia de Berlim. Os alemães traduziram poetas portugueses; os portugueses traduziram os alemães: o resultado foi um livro de poemas bilingues, que a Sextante edita agora em Portugal. Contrabando de Versos (em alemão, VERSschmuggel) dá o mote para várias iniciativas sob o tema O Festival de Poesia de Berlim em Lisboa.
Amanhã, 15, às 18 e 30, na Casa Fernando Pessoa, haverá uma sessão de leitura e um debate sobre Poesia e Tradução, com a moderação de Maria João Cantinho e a participação de Thomas Wholfahrt e dos poetas Ana Paula Tavares, Pedro Sena-Lino, Daniel Falb, Bárbara Köhler, Ana Luísa Amaral, Luís Carlos Patraquim e Tony Tcheka. No sábado, 16, há sessão de autógrafos no stand da Sextanta na Feira do Livro, a partir das 17 e 30.

Ana Queirós ao piano

A jovem pianista Ana Queirós toca num concerto inserido na temporada da Orquestra de Câmara de Cascais e Oeiras, no Palácio dos Aciprestes, Domingo, 17, pelas 17 horas. Interpretará obras de Debussy, Janacek, Copland e de Sérgio Azevedo, que também participará no recital, com comentários sobre as diversas peças. A entrada é livre.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Guarda Sol Amarelo

Uma meditação sobre a cidade feita por 30 cabeças, 60 mãos, algumas miniaturas, umas maquetas... Assim se define Guarda-Sol Amarelo, uma criação colectiva, com encenação de Gonçalo Amorim, com estreia marcada para dia 15, às 22, no Auditório da Biblioteca Municipal Orlando Ribeiro, em Telheiras. Telheiras, é na verdade o ponto de partida, para um «desafio de construir um espectáculo que fosse ao mesmo tempo documental, um show e uma conferência», nas palavras do encenador, que coordena pela segunda vez um projecto com o teatroàparte. As relações entre trabalho e lazer e a do actor e espectador são também a génese do trabalho que pretende abordar o 'mito do guarda sol amarelo'. Com Ana Contumélias, Ana Maria Duarte, Ana Marques da Silva, Catarina Lourenço, Catarina Ribeiro, Clara Agapito, Diana Melo, Filipe Matos, Henrique Morujo, Inês Machado, José Miguel Mendes Lopes, Leonilde Timóteo, Leonor Costa, Luís Pato, Maria do Céu Bártolo, Mariana Sousa, Miguel Gaspar, Pedro Conde, Pedro Rocha, Renato Borges, Rita Aveiro e Susana Vargas. Também dias: 16, 22, 23, 29 e 30 de Maio.

O que dói às aves, de Alice Vieira

O que dói às aves - 16

E chega um dia em que reconhecemos
finalmente
a injustiça das palavras -
exactamente as mesmas
para quem vai e para quem fica

um dia
em que não há mais passado para contar
nem mais futuro para viver

apenas uma velha cantiga de embalar
uma casa desaparecida
e este limbo ocasional
onde o corpo
espera que anoiteça

Relendo os gregos - 4

E tu perguntaste
o que de novo eu sofria
e por que de novo te chamava
e que coisas eu queria que acontecessem
no meu desvairado coração

Safo

Acenderam-se todas as luzes cruas da cidade
e as palavras acordaram mais velhas e com sabor
a camas desfeitas
e a línguas subitamente agrestes
que se encadeavam na tua boca em estranhas falas
como se tudo tivesse chegado ali sem mácula
e fosse agora preciso ensinares-me
a escrever junho com as ferozes sílabas
do que não conseguias perdoar

deixo que saias lentamente dos meus ombros
e espero que tudo o que era teu saia contigo

desabitaste de ti a minha vida
e em teu lugar há apenas
um translúcido rasto de poeira que
a brisa há-de arrastar

Aquele que o meu coração ama - 1

Aquele que o meu coração ama
ergueu-se do meu leito e nele esqueceu
as repetidas promessas de um regresso
em que aos meus olhos ensinaria
a única maneira de esconder
o prenúncio de invisíveis desertos

aquele que o meu coração ama
afogou em noites de leite e mel
o rasto dos oásis que
teciam a sede do desejo no meu peito
e bebeu neles as horas de um destino que
me acenava de muito longe

aquele que o meu coração ama
partiu às cegasaisem descobrir
as húmidas palavras que se espalham
à sombra dos ciprestes
contando os minutos que faltam
para a vertigem do corpo onde o aguardo

Um Amor de Perdição em Debate

Um Amor de Perdição, filme de Mário Barroso, baseado na obra de Camilo, a que o JL dedicou capa recentemente, vai estar em debate sexta-feira, dia 15, no Cinema Nimas, em Lisboa
Com o tema «Transposição para a actualidade de uma obra clássica e outras adaptações cinematográficas», conta com a participação do realizador, da actriz Catarina Wallenstein e da professora Maria do Rosário Lupi. Será moderado por Ana Margarida de Carvalho.


É uma organização da Clap Filmes e do blogue Final Cut que dedica um dossier e um inquérito ao filme.


19.30 – Projecção do Filme


20.50 - Debate

terça-feira, 12 de maio de 2009

Um concerto testemunho

Das Lied von Terézin (A Canção de Terezin), do compositor alemão Franz Waxman terá a sua primeira audição em Portugal, no Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian, a 14, às 21 horas. A peça é uma homenagem do compositor às vítimas de Auschwitz, entre as quais se encontravam vários compositores judeus. Do programa faz também parte Baal Shem, peça para violino e orquestra, de Ernest Bloch, dedicada ao fundador do ramo pietista do judaísmo, conhecido como Hassidismo. A Quinta Sinfonia, de Beethoven será a peça final. A direcção está a cargo do maestro Lawrence Foster. Com o Coro e Orquestra Gulbenkian, o Coro Infantil da Academia de Música de Santa Cecília; Alexandra Mendes, no violino, e como solista o soprano Stephanie Friede. O concerto repete a 15, às 19 horas.

Os vídeos de Daniel Blaufuks

A par da fotografia, o vídeo tem sido uma constante no percurso artístico de Daniel Blaufuks. Sinal disso é esta exposição retrospectiva, Viagens com a minha Tia, patente na Solar - Galeria de Arte Cinemática, em Vila do Conde, até 21 de Junho, em que o artista português, nascido em 1963, reúne nove trabalhos realizados nos últimos anos.



Um deles, Scratch, foi feito propositadamente para esta mostra e reflecte sobre a especificidade da película, em confronto com o digital. Os restantes são testemunhos da geografia afectiva e artística de Daniel Blaufuks, com passagens obrigatórias por Marrocos, em A Praça, pelos Estados Unidos da América, em A Perfect Day, e pela Alemanha, em Theresienstadt.
As ideias de arquivo e de memória também estão presentes nestes vídeos, num diálogo constante com a fotografia, em que a sua ascendência judia e o terror nazi têm uma presença muito forte. Um último denominador comum destas peças é a relação entre as artes plásticas, o cinema e a Literatura, em particular na obra de Georges Perec.

Fotogramas de A Praça (clicar nas imagens para aumentar).

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Workshop de Dança Contemporânea

Controlo e Liberdade é o nome do workshop de Dança Contemporânea que a bailarina, actriz e coreógrafa Paula Águas dirige nos próximos dias 16 e 17, das 11 às 15, no CACE Cultural do Porto (Rua do Freixo). «Desvender as possibilidades corporais e emocionais de cada um, disponibilizando-as para um exercício consciente de valorização da expressão individual e encontrar prazer em dirigir o movimento e usar a criatividade através da manipulação do próprio corpo» são alguns dos objectivos deste workshop, promovido pela Circolando, e destinado a todos os interessados em artes performativas. As inscrições estão abertas em http://www.circolando.com/ ou através dos telefones 225189157 ou 939482601.

Novas crónicas de Rui Tavares

O Fiasco do Milénio e Outras Tragédias Menores, uma edição da Tinta-da-china, é a segunda recolha de crónicas do historiador Rui Tavares. A par da sua coluna no jornal Público, o autor d’O Pequeno Livro do Grande Terramoto mantém há três anos uma colaboração regular com a revista Blitz.
São esses textos, escritos entre Junho de 2006 e Abril de 2009, que aqui se reúnem. A personagem Svengali (um hipnotizador que consegue levar uma péssima cantora à fama mundial), retirada do romance Trillby, de George du Maurier (1834-1896), é o guia destas crónicas inventivas, que tanto mergulham no passado como no presente, na música e na literatura, na cultura e nas ideias.
«Não sei se [Svengali] chegou a ser um alter-ego; eu e ele não somos muito parecidos. Mas algumas obsessões foram tomando corpo: o futuro e o passar do tempo em geral, as cidades, alguns inesperados clarões da infância, a relação entre as artes e a filosofia», escreve Rui Tavares no prefácio. «O tom era mais pessimista e melancólico do que seria meu hábito. Habituado a escrever duas vezes por semanas sobre assuntos correntes, esta coluna era um mergulho mensal na liberdade absoluta».

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Nova Gaia d'Ouro, pelo TEP

Nova Gaia d'Ouro, de Norberto Barroca e Manuel Dias acaba de estrear no Auditório Municipal de Gaia, pelo Teatro Experimental do Porto (TEP). É uma nova versão da peça Gaia d'Ouro, que o TEP estreou em 2001, e uma homenagem da companhia ao concelho de Vila Nova de Gaia, que recebeu o TEP como 'novos residentes' há precisamente 10 anos. A história, as lendas e as gentes de Vila Nova de Gaia estão em pano de fundo, deste que é o 215.º espectáculo da companhia nortenha. Os onze actores desdobram-se em cerca de duas centenas de personagens (!) passando por todos os factos históricos significativos da vila, da construção, por exemplo, dos primeiros mosteiros, às festas de São Gonçalo, até à iluminação pública. A encenação está a cargo de Norberto Barroca.

Ai Deus e hu é?

Se Deus existe tem que estar na Internet, caso contrário é uma trapaça obsoleta do tempo em que os animais (as pombas) falavam e as virgens tinham filhos. Um ente querido e ameaçador que morreu envenenado por um copo de ciência, assim que a Terra descobriu a sua órbita. Ou será que se manteve pregado àqueles primeiros dias criadores e hoje se confunde entre ratos e teclados, assim como a minha tia que acha que uma pena é uma esferográfica inglesa. Deus é muito mais velho, mas a sua natureza não lhe permite a arteriosclerose.
O Google sabe tudo. Então procurei «Deus» na Internet e, apesar do meu cepticismo, cliquei em «sinto-me com sorte». A sorte levou-me à Wikipédia, com um artigo completo, mas nada esclarecedor quanto à questão essencial: a sua existência. Se pesquisar Barack Obama logo me esclarecem que, apesar da sua dimensão mítica de super-herói, é um pessoa de carne e osso, com pai, mãe e filhos, e clara existência terrena. Se procurar o Noddy, dizem-me que são coisas de crianças, e informam-me do nome do desenhador. Mas sobre Deus não se arriscam a esclarecer. Talvez por não saberem.
Então, pergunto: «Será que Deus existe?». Encaminham-me para um livro de Nigel Warburton, em que se lê: «Se Deus existe, a existência humana pode ter sentido e podemos mesmo ter esperança na vida eterna. Se não, temos de criar nós mesmos o sentido das nossas vidas: nenhum sentido será dado a partir do exterior e a morte será provavelmente definitiva.»
Não é grande ajuda este «agora escolha». Será que podemos resolver o enigma por referendo no chat ou no Facebook? A Internet é crente apesar de tecnológica: são mais os sites religiosos do que ateus, mas isso é só porque quem não tem fé não faz questão de o exibir. E quem acredita sofre daquela maleita milenar de querer impor os seus credos a outros. E, na verdade, eu já sabia que não ia encontrar Deus na Internet. Apenas sites sobre ele. Talvez o problema tenha sido esse: fiz a pesquisa com pouca fé. Se Deus existe é mais natural que me envie uma mensagem com o texto: «Olá Manel, eu sou o teu Deus!». Que certamente irá parar ao junk mail.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Seminário sobre África e a Guerra Fria

Debater a problemática da descolonização e da Guerra Fria, numa perspectiva comparada, com especial enfoque no período compreendido entre o fim do império português em África e o início do desmantelamento do apartheid na África do Sul é um dos principais objectivos do seminário Southern Africa in the Cold War Era, que se realiza nos dias 8 e 9 de Maio, a partir das 9 e 30, no auditório da Fundação Luso-Americana (FLAD), em Lisboa. Trata-se de uma iniciativa do Instituto Português de Relações Internacionais (IPRI), em parceria com a London School of Economics, que conta com o apoio da FLAD.
Rui Machete, presidente da FLAD, preside à sessão de abertura ao lado de Carlos Gaspar, do IPRI, e Odd Westad, da London School of Economics.



Até à última Gota


Gota d'Água, um musical corrosivo



A própria actriz, Izabella Bicalha, avisara-me que era um musical de onde se saía com um nó na garganta. O que eu não tinha percebido é que nó era um eufemismo. Como dizia o meu camarada Rodrigues da Silva, Gota d’Água é mesmo um pontapé nos t... (isso mesmo). Nem outra coisa poderia acontecer, pois é uma adaptação da Medeia, a mais trágica das tragédias gregas. Isto aplicado a um musical torna-se absolutamente extraordinário. Pois não, não estamos na Broadway. Nem são as alegres safadezas da Ópera do Malandro. Este é um musical a doer. Com momentos de grande teatro. E eu, que nem sou particularmente admirador do género, rendi-me à evidência.
E depois, claro, há a música de Chico Buarque. E todo aquele contexto social, que paraboliza a situação do Brasil durante a ditadura militar. Meu Deus, como é que isto passou na censura? É um musical de esquerda (outra originalidade?), doutrinário, didáctico, que incentiva a insurreição, a luta contra as injustiças sociais, a união dos pobres contras os ricos malvados. E a gente vai levando.
Gota d’Àgua, de Chico Buarque e Paulo Fontes, Encenação: João Fonseca. Direcção Musical: Roberto Bürgel. Elenco: Izabella Bicalho, Claudio Lins, Armando Babaioff, Maíra Kestenberg, Luca Castro, Claudia Ventura, entre outros. Representações: CCB, de 6 a 9 de Maio, às 21 horas (bilhetes de 15 a 38 euros); Centro Cultural das Caldas da Rainha, 13 de Maio (12, 5 a 25 euros); Cine-Teatro de Estarreja, 15 de Maio, às 21 e 30 (15 a 20 euros); Centro de Artes e Espectáculo da Figueira da Foz, 16 de Maio, às 21 e 30 (25 euros); Coliseu do Porto, 20 de Maio, às 21 e 30 (28 a 35 euros); Teatro das Figuras (Faro), 23 de Maio, às 21 e 30 (25 a 30 euros)

Vêm aí os piratas!


Os piratas estão de volta. Não os hackers que se infiltram nos sistemas informáticos mais sofisticados, mas os verdadeiros: os que se ocultam nos recortes da costa para surpreender indefesos navios mercantes. Dos mares da China ou da costa da Somália, chegam, semana após semana, novos relatos de ataques ou de fragatas da marinha postas de atalaia. Devíamos sentir repúdio e, no entanto, o sentimento que nos toma é um fascínio quase infantil. A culpa, está de ver, é do cinema. Ao contrário do que acontece nos westerns, Hollywood (e realizadores como Raoul Walsh ou Michael Curtiz) atribuiu aos piratas uma qualidade de contra-poder, mostrando-os como o ladrão que roubava a ladrão e que se, não obtinha cem anos de perdão, conquistava, pelo menos, a simpatia (e por vezes a identificação) dos espectadores. Esta opção tornou-se muito evidente em filmes como The Spanish Main ou em Captain Blood. No primeiro caso, Van Horn ter-se-á tornado o «terror das Caraíbas» após prolongada sujeição à tortura infligida pelo governador espanhol de Cartagena de las Indias. No segundo, Peter Blood, um médico inglês condenado à escravatura por um crime que não cometeu, torna-se, por desespero, um pirata que trata com humanidade e alguma democracia a turba que comanda.
A propósito deste tema que, confesso, me é caro, recomendo a leitura de Os Piratas - Piratas, Flibusteiros, Bucaneiros e outros Párias do Mar (edição Antígona). Da autoria do ensaísta francês, Gilles Lapouge, é um texto cativante sobre a pirataria, quer do ponto de vista historiográfico, quer ensaístico. Para além de evocar as muitas aventuras de temíveis criaturas como o Capitão Morgan ou Anne Bonnie, esta obra reflecte de forma muito bela sobre este fenómeno: «O pirata é um homem descontente. O espaço que lhe consentem a sociedade ou os deuses parece-lhe exíguo, nauseabundo, desconfortável. Sujeita-se por uns breves anos e depois diz "estou farto" e recusa-se ao jogo». Estranhamente actual? Quantos pacatos cidadãos, de horizontes estreitados pela ganância alheia, são hoje candidatos a este exército de sombras?

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Uma perspectiva prática do Jornalismo Literário

Os norte-americanos Mark Kramer e Suketu Mahta, a holandesa Anja Vink, os brasileiros Edvaldo Pereira Lima e Sérgio Vilas Boas e os portugueses Paulo Moura e Fernando Alves são os oradores do Seminário Internacional de Jornalismo Literário – Uma perspectiva prática, organizado pelo Departamento de Jornalismo da Escola Superior de Comunicação Social (ESCS) e pelo seu jornal, o Oitava Colina.
O objectivo do encontro, que se realiza nos próximos dias 8 e 9 no auditório daquela faculdade, é «fornecer competências e técnicas de aprendizagem essenciais para a escrita deste tipo de jornalismo» que, em tempos de crise para a comunicação social, «será certamente», de acordo com a organização, um dos caminhos para a imprensa do futuro.
Durante os dois dias serão abordadas questões como a importância do Jornalismo Literário na actualidade, os seus subgéneros (reportagem, ‘romance’ de não ficção, literatura de viagens, memórias, divulgação científica e ensaio pessoal), a complexidade moral da narrativa de não ficção e a variante deste tipo de jornalismo na rádio. Numa perspectiva mais prática, os oradores explicarão, por exemplo, como escrever uma biografia, como vender o trabalho de Jornalista, como transformar uma reportagem em livro e quais os procedimentos narrativos (recursos e técnicas) associados ao Jornalismo Literário.

Nas bancas


JL 1007

(de 6 a 19 de Maio)




Literatura Brasileira
Alguns caminhos: textos de Arnaldo Saraiva, Juva Batella e Mª Leonor Nunes • Depoimentos de escritores portugueses

Fernando Pinto do Amaral: Dicionário Pessoal
O escritor e ensaísta, de A a Z • Crítica ao novo romance, por Miguel Real

Figuras: Catarina Wallenstein, a actriz; Agostinho Cordeiro, o galerista

Artur Pizarro fala dos próximos concertos e discos

Porto Editora, a ‘ciência' dos livros

As Vozes Búlgaras Angelite, e A Gota d' Água, de Chico Buarque

As crónicas de Eugénio Lisboa, Gonçalo M. Tavares, G. d’Oliveira Martins, Helder Macedo, J. Rego de Almeida e José Luís Peixoto

A autobiografia de Moacyr Scliar

JL/Educação: O alargamento da Escolaridade Obrigatória

Camões

Agenda Cultural

20 anos da Malaposta

Um recital com o tenor Carlos Guilherme é o destaque da sessão solene que celebra os 20 anos do Teatro da Malaposta, em Olival Basto. No sábado, dia 9, pelas 22 horas, no Auditório do Centro Cultural, poderão ouvir-se excertos de várias obras interpretadas pelo tenor, que será acompanhado ao piano por Armando Vidal.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Todos os prémios do Indie Lisboa

Grande Prémio de Longa Metragem “Cidade de Lisboa”
Ballast, de Lance Hammer, de Ficção, EUA, 2008, 92', 35mm

Prémio TOBIS para Melhor Longa Metragem Portuguesa
Ruínas, de Manuel Mozos, Documentário, Portugal, 2009, 60', Beta Digital

Prémio de Distribuição
Jalainur, Zhao Ye, Ficção, China, 2008, 92', Digi Beta PAL

Grande Prémio de Curta Metragem
Kempinski, de Neil Beloufa, Experimental, França, 2007, 14', Beta SP
Menção Honrosa: It's Nick's Birthday, de Graeme Cole, Ficção, Reino Unido , 2009, 34', Digi Beta PAL; Bernadette, de Duncan Campbell, Experimental, Reino Unido , 2008, 37', Beta Digital

Prémio para Melhor Curta Metragem Portuguesa
Arena, de João Salaviza, Ficção, Portugal , 2009, 15', 35mm

Prémio RESTART para Melhor Realizador Português de Curta Metragem
Pássaros, de Filipe Abranches, Animação, Portugal , 2009, 6', HD

Prémio Novo Talento FNAC
Visionary Iraq, de Gabriel Abrantes, Ficção, Portugal , 2009, 20', Beta Digital

Prémio de Melhor Imagem para Curta Metragem Portuguesa AIP
Para o director de fotografia de Alasca, Paulo Menezes

Prémio RTP2 Onda Curta
Tierra y Pan, de Carlos Armella, Ficção, Mexico , 2008, 8', 35mm
The Herd, de Ken Wardrop, Documentário, Irlanda , 2008, 4', Beta Digital
Dix, de BIF, Animação, França , 2008, 7', 35mm
Ballad of Marie Nord and Her Clients, de Alexander Onofri, Ficção, Suécia , 2008, 28', 35mm
2 Birds, de Runar Runarsson, Ficção, Islandia , 2008, 15', 35mm
Prémio atribuído pelo Júri FIPRESCI/Fipresci Jury Award (Demtrious Matheou, Miguel Somsen e Vladan Petkovic)

Prémio FIPRESCI
The Happiest Girl in the World, de Radu Jude, Ficção, Romania , 2009, 100', 35mm

Prémio Amnistia Internacional
Los Herederos, de Eugenio Polgovsky, Documentário, Mexico , 2008, 90', Beta Digital
Menção Honrosa: L'encerclement, de Richard Brouillette, Documentário, Canadá , 2008, 160', Beta Digital; D’Arusha à Arusha, de Christophe Gargot, Documentário, Canadá, França , 2008, 115', HDCam PAL

Prémio Revista Pais e Filhos para o Melhor Filme IndieJúnior
O Peso das Pedras, de Hanne Larsen, Ficção, Noruega , 2008, 15’, 35mm
Menção Honrosa: Ex-E.T, de Benoit Bargeton, Nicolas Gracia, Rémy Froment, Yannick Lasfas, Animação, França , 2008, 8’, Beta SP

Prémio do Público Johnnie Walker para Melhor Longa Metragem
L'encerclement, de Richard Brouillette, Documentário, Canadá , 2008, 160', Beta Digital

Prémio do Público Johnnie Walker para Melhor Curta Metragem
Visita Guiada, de Tiago Hespanha, Documentário, Portugal , 2009, 56', Beta Digital

Prémio do Público Revista Pais e Filhos para o Melhor Filme IndieJúnior
Sem Rede, de Ari Kristinsson, Ficção, Islandia , 2007, 83’, 35mm

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Prémio Longa Metragem Portuguesa no Indie Lisboa


Ruínas, de Manuel Mozos

É um filme coral, mesmo que lhe faltem corpos, humanos ou outros. Digo corpos e não presenças, já que, ao longo dos 60 minutos de Ruínas, cruzam-se múltiplos pedaços de vidas: os homens e mulheres a quem a doença atirou para um sanatório, a quem uma ânsia de mar mandou para um hotel costeiro ou a sobrevivência para a dureza de uma mina alentejana. São espaços há muito abandonados, prestes a diluirem-se na terra, mas, de algum modo, ainda assombrados pela carga de esperança ou de dor de que foram investidos. Ouvimos o vento em ombreiras que tiveram portas e janelas e, ressuscitadas pelo realizador, essas vozes vindas de um passado nem sempre distante.
Com uma carreira de mais de 20 anos, dividida entre montagem, realização e argumento, Manuel Mozos, 45 anos, é autor de longasmetragens de ficção como Um Passo, Outro Passo e Depois (1989); Xavier (1992), Quando Troveja (1999) e 4 Copas (2008), mas também assinou documentários como José Cardodo Pires -Diário de Bordo (1989). A sua habitual discrição não o tem impedido, porém, de intervir como actor em filmes de outros realizadores, nomeadamente em O Capacete Dourado, de Jorge Cramez, Veneno Cura, de Raquel Freire, e Coitado do Jorge, de Jorge Silva Melo. No Indie, apresentou outro documentário: Aldina Duarte: Princesa Prometida.

Jornal de Letras: Como lhe surgiu a ideia para Ruínas?
Manuel Mozos: Foi surgindo quer de notas que tomo em viagem, quer de locais que, de algum modo, já conhecia. Há algum tempo este projecto começou a tomar forma, embora inicialmente tenha parecido (nomeadamente aos produtores) uma coisa um bocado caótica.

Partiu dos locais ou das histórias a eles associadas?
Parti dos locais, embora inicialmente tivesse uma listagem muito mais extensa (qualquer coisa como cerca de 200 espaços!) Só a partir dessa escolha, fui fazer a investigação das histórias daquelas ruínas. Mas nem sempre os textos correspondem historicamente aos espaços evocados. Nestes casos, o propósito foi fazer colagens com sentido.

O som (e não só a voz humana) assume aqui um papel muito forte. É deliberado?
Sem dúvida. Procurámos um som sem grandes efeitos, com alguns elementos captados em directo. Foi o que fizemos nos moínhos do Barreiro filmados com o anúncio sonoro da estação de caminhosde-ferro. Captámo-lo durante as filmagens e pareceu-nos que devia ser mantido ali.

Recorda-se de frequentar algumas destas ruínas?
Algumas delas não são exactamente ruínas, mas, sim, espaços que foram desviados da sua função original: lembro a praia da Cova do Vapor, Fonte da Telha, o navio bacalhoeiro transformado em museu.
Nestas situações, interessou-me o anacronismo da sua sobrevivência.
Mas não quero impor um padrão de leitura do filme: gostaria muito que cada espectador o interpretasse à sua maneira.

V Mostra de Teatro Escolar de Coimbra

Saltita Andarilho, pela Escola Básica 2,3 da Lousão é a peça de abertura da V Mostra de Teatro Escolar de Coimbra, que inaugura hoje, às 10 e 30. Patente até dia 7, no novo espaço do Teatrão, a Oficina Municipal do Teatro (Rua Pedro Nunes) a mostra é organizada pelas Escolas Secundárias Jaime Cortesão e Quinta das Flores e pelo Nova Ágora - Centro de Formação de Associação de Escolas e conta com a participação de 12 escolas: EB 23 da Lousã; EB23 Silva Gaio; EB23 Alice Gouveia; Colégio S. Martinho; EB23 Eugénio de Castro; Colégio S. José; Instituto de Almalaguês; Instituto Pedro Hispano; EB 2,3 Eugénio de Castro; ES Quinta das Flores; Escola Secunária Avelar Brotero; e a Escola Secundária Infanta D. Maria. Era uma vez um poeta chamado Camões, Portugal (em)barca, A Feira dos Malandrecos ou Génese são algumas das peças a ver na mostra, que termina a 7, às 21 e 30, com a apresentação de Eu, tu, ele, nós, vós, eles, de Sérgio Godinho, pelo grupo Bonifrates.

domingo, 3 de maio de 2009

Ele chama-se B

Zé, de B Fachada

Da vasta prol da Flor Caveira/ Amor Fúria, B Fachada talvez seja o caso mais sério. Ou pelo menos o músico de quem mais se espera. O tema de abertura do seu primeiro álbum, Um fim-de-semana no Pónei Dourado, é um achado na transformação do folque roque português, na descendência por linha travessa de António Variações. Zé resume os ingredientes que lhe dão encanto. Uma simplicidade de meios, com o som da sua viola, o baixo, a cadência e os coros. A letra conta uma história simples de ascensão social, que também é uma crítica concreta a determinadas personagens que povoam a sociedade portuguesa. Só falha na marca. Os Cadilacs estão demasiados conotados com o universo americano. Por cá não há muitos Zés a conduzir carros assim.

“Chamo-me Zé, vim para aqui a pé, e agor tenho um Cadilac”
Ouvir aqui