Governantes e governados. Pessoas sem nada que fazer, pessoas com ideias, com dores de cabeça, com vontade, sem vontade, com coragem, sem coragem. Tristezas e Carnavais, amor e inveja e uma saudável esquizofrenia. De tudo isto é feito Chapéus há muitos, o espectáculo que assinala os 15 anos da companhia Pim Teatro, onde os chapéus (e os narizes vermelhos) ajudam a falar de uma coisa «séria, perigosa e ridícula»: o poder. A encenação é colectiva, mas coordenada por João Sérgio Palma. E as interpretações são de PAlexandra Espiridião, Diogo Duro, João Sérgio Palma e João Sol. Para ver no Teatro Garcia de Resende, em Évora, até 9 de Maio (de quarta a sábado, às 21 e 30).Quinta-feira, 30 de Abril de 2009
Chapéus há muitos
Governantes e governados. Pessoas sem nada que fazer, pessoas com ideias, com dores de cabeça, com vontade, sem vontade, com coragem, sem coragem. Tristezas e Carnavais, amor e inveja e uma saudável esquizofrenia. De tudo isto é feito Chapéus há muitos, o espectáculo que assinala os 15 anos da companhia Pim Teatro, onde os chapéus (e os narizes vermelhos) ajudam a falar de uma coisa «séria, perigosa e ridícula»: o poder. A encenação é colectiva, mas coordenada por João Sérgio Palma. E as interpretações são de PAlexandra Espiridião, Diogo Duro, João Sérgio Palma e João Sol. Para ver no Teatro Garcia de Resende, em Évora, até 9 de Maio (de quarta a sábado, às 21 e 30).Publicada por Francisca Cunha Rêgo em 15:59 0 comentários
Etiquetas: Teatro
Feira do Livro de Lisboa abre hoje
Apesar da inauguração oficial apenas estar marcada para as 17 horas, a Feira do Livro de Lisboa arranca às 12 e 30. Essa é, de resto, uma das grandes novidades deste ano. Uma abertura antes da hora de almoço, aproveitando a oferta de restauração. O fecho, por seu turno, é às 20 e 30. Com este novo horário, que só se aplica de segunda a quinta-feira (durante o fim de semana o fecho é às 23 horas), a organização pretende cativar o público escolar. Objectivo que também ditou a antecipação da Feira, que normalmente se realiza em finais de Maio.
Quando aos pavilhões, embora mais pequenos, a organização assegura que são mais práticos e confortáveis, tanto para os trabalhadores, como para os visitantes.
Com um auditório principal e várias esplanadas no Parque Eduardo VII, a programação cultural da Feira do Livro deste ano promete ser uma das mais intensivas. Tudo para que comprar um livro continue a ser uma festa.
Publicada por Luís Ricardo Duarte em 12:22 1 comentários
Etiquetas: Feira do Livro 2009
Quarta-feira, 29 de Abril de 2009
Venham mais Cinco
Parece que o saudosismo falou mais alto. Com o expressivo valor de 42%, os leitores do Blogue do JL escolheram Os Cinco, da escritora inglesa Enid Blyton, como a sua colecção infanto-juvenil de eleição. É daquelas que passa certamente de pais para filhos, às vezes em livros de páginas já amarelas. Os irmãos Júlio, Ana e David (na versão portuguesa) e a amiga maria-rapaz Zé viveram vinte e uma aventuras, onde prenderam ladrões, desvendaram mistérios e descobriram tesouros, com a ajuda, claro, do famoso cão Tim.
Em segundo lugar, com 27%, ficou Uma Aventura, de Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada. Tal como Os Cinco é a referência de uma geração também esta colecção é um ícone para gerações mais recentes. São poucos os que não terão ouvido falar das gémeas Teresa e Luísa, dos amigos Pedro, João e Chico e os inevitáveis cães de estimação, Caracol e Faial.
As restantes hipóteses, que incluem outros títulos das mesmas autoras, tiveram votações bem menos simpáticas. O que lhes faltou para terem o mesmo sucesso? Eu cá aposto no cão...
Publicada por Marta Pais Lopes em 23:02 1 comentários
Etiquetas: Inquérito
Paisagens em Trânsito, em Aveiro
No átrio de uma estação de comboios imaginária, há um homem carregado de malas. Viajante sem destino com uma história guardada na bagagem. O comboio não chega. Desesperado o homem vai abrindo uma mala atrás da outra e vai revelando pedaços da sua vida: das malas cai palha, badalos de ovelhas, uma farda de combate, terra e outros objectos. Paisagens da memória aos poucos descobertas no fundo de cada mala. Um retrato de Paisagens em Trânsito, projecto da companhia Circolando, com direcção artística de Patrick Murys (que também interpreta), estreia a 8 de Maio, às 22, no auditório Estúdio PerFormas, em Aveiro. A peça conta com as composições musicais de Luís Pedro Madeira e Isabelle Fuchs. Publicada por Francisca Cunha Rêgo em 19:54 0 comentários
A Parte pelo Todo, de João L. B. Guimarães
Páscoa Baixa
Durante a manhã inteira a barba
ainda cresceu. O vórtice que me picava
ao fim de um dia de trabalho
já o posso adivinhar
neste círculo de flores.
O seu torso é imóvel. Nada
diviso a mover-se (um relâmpago das pálpebras?
o pensamento de um dedo?)
velo a hesitação da barba qual
néscio agarrando tempo.
Durante a manhã de março a
barba ainda cresceu
qualquer coisa dentro dele ainda
não queria morrer.
As Cadeiras
À aula de
quarta-feira assistiram 13 alunos e
27 cadeiras. Em resumo: a sala cheia.
Quando a
lição terminou os 13 alunos partiram e
acto contínuo contei 20 casais de cadeiras.
Às aulas que tenho dado nunca faltam
as cadeiras
ficam a ouvir-me atentas
(as costas muito direitas).
É bom de ver que as cadeiras entendem
tudo à primeira
parecem ser mais maduras (mais
pés
assentes na terra).
Botox®
Procura as minhas mãos uma mulher
nos quarenta
pedindo que lhe atrase o outono dos olhos
cansados: «Só queria perder dez anos». E
tento o que de amargo possa ter acontecido
para a ter a desejar punir
um decénio da idade -
dou comigo a lamentar não saber delir
memórias somente
rugas e rídulas (ruínas
pouco marcadas). Na armadilha do tempo
ninguém tomba por engano:
não se expurga a pele por décadas quanto muito
dano a
dano.
Do novo livro de poemas de João Luís Barreto Guimarães, A Parte pelo Todo, uma edição da Quasi.
Publicada por Luís Ricardo Duarte em 11:47 0 comentários
Terça-feira, 28 de Abril de 2009
Conferência de João Lopes na Católica
Publicada por Maria Leonor Nunes em 15:59 0 comentários
Etiquetas: Notícias
Sexualidade pessoana
É próprio dos mitos terem aspectos biográficos que fazem correr muita tinta, desencadear muitas polémicas e incendiar muitas plateias. Fernando Pessoa não é excepção. E Salomó Dori – o pseudónimo do colectivo de escritores valencianos Jordi Botella, Gustavo Cardenal, Pep Jordà, Ximo Lllorens e Manel Rodríguez-Castelló – não se deixou enganar pela teoria da sexualidade branca que os especialista atribuem ao autor de A Mensagem. Foram investigar o assunto, mais pela ficção do que pela suposta veracidade dos factos, e o resultado são estes cinco contos autobiográficos de Pessoa e dos quatro heterónimos Ricardo Reis, Alberto Caeiro, Alexander Search e Álvaro de Campos, reunidos em A Vida Sexual de Fernando Pessoa, uma edição da Palimpsesto. Um curioso e pouco ortodoxo exercício literário que evidencia a projecção internacional da obra pessoana, capaz de chegar à intimidade de leitores de vários pontos do mundo. O que, bem vistas as coisas, também é próprio dos mitos.Publicada por Luís Ricardo Duarte em 12:46 0 comentários
Etiquetas: Livros
Vozes Búlgaras: workshop e digressão
Publicada por Francisca Cunha Rêgo em 09:30 0 comentários
Etiquetas: Música
Segunda-feira, 27 de Abril de 2009
A não perder no Indie
Encounters at the End of the World, de Werner Herzog
Não se percebe porque é que Herzog, que já se deslocou aos locais mais improváveis do planeta, não há-de vir também a este fim do mundo, ou fim da Europa, que é Portugal, durante a 6ª edição do Indie, onde é homenageado, enquanto herói independente. Pode ser que venha, ainda não está é confirmado. De qualquer forma, o público irá encontra-se com ele, em mais um dos seus filmes de fim do mundo, que nunca teve oportunidade de ver as luz dos projectores nas salas de cinema portuguesas. Encounters at the End of the World é um documentário rodado no ponto exacto para onde todas os meridianos do planeta convergem. Não se espere mais um filme sobre pinguins… Encounters… vem sempre acompanhado pelo olhar assombrado e pela própria voz de Herzog, em off. E, de facto, é um documentário especial, porque o realizador alemão (que agora é mais ou menos do mundo) tem um daqueles olhares de criança, ou de poeta, que ainda guardam a extraordinária capacidade de se deslumbrar com as coisas mais corriqueiras da vida. Diz-se que as pessoas normais se ocupam de coisas especiais, os verdadeiros sábios apenas de coisas normais – tão normais como uma estalactite de gelo numa gruta ou um catterpiller a abrir caminho entre a neve suja. Herzog faz do cinema uma reflexão, a muitos graus abaixo de zero, na latitude sul 66º, onde durante cinco meses não existe noite. Este pólo não está ocupado, como nos clichés, de iglus, mas de laboratórios, barracões, escavadoras, barulho, confusão como nas terreolas recentes dos filmes do faroeste. E é este ponto, infinitamente branco – tão branco que se torna azul – , que Herzog filma e disseca. Não só as focas e as estrelas-do-mar debaixo de gelo. Mas a outra fauna humana tão especial, que na realidade o habita: cientistas, sábios, biólogos, glaciologistas… Herzog chama-lhes «sonhadores profissionais».
Domingo, 3, 16 , São Jorge 1
Singularidades de uma Rapariga Loira, de Manoel de Oliveira
É um dos grandes acontecimentos do IndieLisboa, que tem sido amplamente publicitado. Singularidades de uma Rapariga Loira, o primeiro filme de Manoel de Oliveira depois dos 100 anos, vai ter a sua ante-estreia nacional no festival. Oliveira adapta o conto de Eça de Queirós transpondo-o para os nossos tempos, numa média-metragem de 63 minutos. Num estilo muito seu, cria facilmente uma sensação de espanto, um anacronismo transversal à obra e uma despreocupação com pormenores importantes para a credibilidade da história. Do elenco fazem parte os habituais Ricardo Trêpa e Leonor Silveira, mas quem realmente se destaca é Catarina Wallenstein. A jovem actriz tornou-se a figura do momento do cinema português, e aqui é uma rapariga loira deslumbrantemente singular.
Terça, 28, 22, Cinema São Jorge 1
The Happiest Girl in the World, de Radu Jude
O cinema romeno teve a sua efervescência, com uma mão cheia de bons filmes surgidos nos últimos dois anos. Mas agora corre o risco, no caso dos seus autores não reincidirem com filmes de qualidade, de se tornar fora-de-moda. Radu Jude era uma das promessas. E este ano tornou-se certeza. Em 2007, ganhara o prémio para a melhor curta-metragem, num filme sobre a Roménia profunda, chamado The Tube with a Hat. Agora estreia-se no formato longo, com A Rapariga mais feliz do mundo. Não será um Sr. Lazarescu, nem um 4 meses, 3 semanas e 2 dias. Aproxima-se antes do realismo satírico de 12:08 A Este de Bucareste, de Corneliu Porumboiu. A obra conta a história de uma jovem que ganhou um carro num concurso de um sumo de laranja e consequentemente é forçada a gravar um anúncio à marca. Numa estrutura minimal, Radu Jude expõe as contradições de um país em vias de desenvolvimento, mas que sabe rir de si próprio
Sexta, 1, 21.45, Londres 1
Ricky, de François Ozon
No ano passado, François Ozon trouxe ao Indie um filme chamado Angel. Mas só este ano ganhou asas, com Ricky. Ganhou asas literalmente. O filme tem todos os contornos de banalidade, até com alguns pormenores de mau gosto, com o uso abusivo de lugares comuns. Mas a meio tudo muda, quando Ricky, o bebé, filho de um casal disfuncional, deixa crescer umas asas e aprende a voar. Tudo se transforma. E é, acima de tudo, o próprio filme que se liberta, no domínio de um fantástico realista. Ou de um surrealismo contido. Há todo um universo de possibilidades que se abre juntamente com as asas do bebé. Mas o filme, tecnicamente exemplar, também pode ser entendido como uma metáfora sobre a perda de um filho. Certo é que Ozon se transcende e se eleva ao nível do coração dos pássaros, onde mora a felicidade.
Sexta, 1, 21 e 45, São Jorge 1
Dernier Maquis, de Rabah Ameur-Zaïmeche
Durante os 90 minutos desta película, não aparece uma única mulher. Nem como secundária, nem como figurante, nem sequer a passar distraidamente em plano de fundo. É um filme de homens num mundo de homens. De imigrantes, operários e muçulmanos. Onde tudo se mistura como faces concorrentes da mesma luta: religião e relação patronais. Não há Satã. Não há infiéis. O filme passa-se numa extraordinária comunidade árabe algures perdida em França, que é, acima de tudo, uma comunidade laboral. Parece enquadrar-se na tendência, apontada em O Segredo de um Cuscuz, para dar voz à larga comunidade árabe em França. Para espreitar pelo buraco da fechadura e descobrir este mundo que nos é particularmente estranho. Só que radicaliza o conceito, abolindo todos os franceses, e deixando de parte as questões de integração. Ali está tudo perfeitamente integrado, aquela fábrica é uma colónia islamita, e desenquadrados estão aqueles que ainda não se converteram. O chefe constrói uma mesquita, com o duplo objectivo de chegar ao paraíso e manter a concertação social com os seus trabalhadores. Mas a luta de classes é inevitável. E não se pode servir dois deuses ao mesmo tempo.
Sexta, 1, 18 às 30, Cinema Londres 1
Crítico, de Kleber Mendonça Filho
Todo o mundo tem pele fina, mesmo… Este documentário brasileiro, filmado ao longo de dez anos, foca os dois lados da barricada: de um lado a crítica, do outro os criticados, realizadores e actores de cinema. Curiosamente em vez de um tiroteio de parte a parte, Kléber consegue uma polifonia de discursos e análises. Em vez de duelo, Kléber consegue diálogo. Aliás, o filme passa na secção Director’s Cut, que tem esta vocação de pensar o cinema. Recorrendo a cerca de 70 testemunhos, recolhidos em festivais e ante-estreias (de Gus Van Sant a Carlos Saura), a imagens de épocas díspares, entremeadas de uma forma particularmente hábil e feliz, relata-se como se sente esta estranha metamorfose, das imagens em movimento da tela até às palavras estáticas dos jornais. Muitos contam como uma má crítica, uma análise leviana ou mesmo injusta pesa tanto como uma agressão a um filho. Outros realizadores não se sentem tão pessoalmente atingidos por estas reinterpretações das suas obras. Os mal-amados críticos são intermediários entre o filme e o público. E, neste sentido, «todo o crítico é um passador». Afinal, só pode haver uma boa crítica quando a matéria-prima é boa. O bom cinema é formador. E, como se diz no documentário, é impossível ser-se especialista em samba no Japão.
Terça, 28, 15 e 15, Classic Alvalade 1, Domingo, 3, 21e 30, Classic Alvalade 1
Muitos Dias tem o Mês, de Margarida Leitão
O endividamento das famílias portuguesas é um tema deste documentário de Margarida Leitão. Um filme de uma actualidade extrema, que procura mostrar a complexidade deste problema que assola milhares de famílias. A realizadora procura abordar a questão de diversos ângulos, desde o balcão da DECO, às casas de penhores, passando pelos leilões imobiliárias e as confissões intimistas de vários devedores. Sobretudo revela uma notável dimensão humana. Num filme urgente, que pode ser tomado como uma obra sóbria de intervenção social. Porque a maior lição que se toma é que é preciso manter-nos alerta numa sociedade em que o apelo ao consumo se torna tantas vezes irresistível.
São Jorge, dia 27, às 21 e 45; Londres, dia, às 21 e 45
La belle personne, de Christophe Honoré
Não é de agora o interesse do cinema pela escola. Basta lembrar Jean Vigo, e o seu Zero em Comportamento (de 1933), para perceber quão frutíferas são as relações, os conflitos e as paixões sociais que se desenvolvem durante as aulas, os convívios nos pátios e as tertúlias dos cafés. Em intensidade, talvez se assemelhem mesmo ao ambiente das cortes das velhas monarquias absolutas. Não é, por isso, descabida esta adaptação que Christophe Honoré, realizador de Dans Paris, fez do clássico romance psicológico de Madame de La Fayette, La Princesse de Clèves. A chegada da bela Junie, a meio do ano lectivo, vem desconcertar o equilíbrio da turma. Rapidamente se estabelecem jogos amorosos, que escondem, substituem e se sobrepõem aos já existentes. Amantes e amados, traidores e traídos desfilam perante a câmara num subtil bailado que tem tanto de encenado, como de familiar. Se os atributos de Louis Garreal, que participou em quatro filmes de Christophe Honoré, eram conhecidos, é surpreendente o desempenho de Léa Seydoux. É o fio condutor desta comédia de enganos, reclamando a atenção do espectador quando estes sentimentos se revelam excessivamente contidos para os dias de hoje.
Cinema City Classic Alvalade (Sala 3), dias 29 Abril, às 18 e 15, 1 de Maio, às 21 e 45, e 3 de Maio, às 18:15
Publicada por Manuel Halpern em 18:09 0 comentários
Etiquetas: Cinema
João Rosas: London Calling
De um lado, Yasujiro Ozu, do outro, Pedro Costa. De um a forma de conceber o enquadramento. Do outro a radical postura face à indústria do cinema. É nestas duas grandes referências que João Rosas procura inspiração para mergulhar no mundo da sétima arte, na qual começa a dar os passos decisivos. Depois de algumas curtas-metragens e da frequência do Programa Gulbenkian Criatividade e Criação Artística, o realizador português, nascido em Lisboa, em 1981, leva ao Indie Lisboa a sua estreia na longa-metragem. Em Birth of a City, que passa hoje, às 21 e 45 , no Cinema Londres (com nova exibição, na mesma sala, dia 1 de Maio, às 15), lança-se um olhar sobre a cidade onde viveu nos últimos três anos. E é no confronto com a pintura de Claire Fahys que Londres, afastada dos circuitos turísticos, se revela. Num registo íntimo e diarístico, esta «tentativa de filme», como João Rosas lhe chama, feita de fragmentos do quotidiano, é uma resposta ao apelo da cidade.É por isso um retrato de uma cidade habitada por pessoas e por circuitos turísticos?
Por que razão privilegiou a câmara fixa, sem movimento?
Publicada por Luís Ricardo Duarte em 12:30 0 comentários
Etiquetas: Cinema, Indie 2009
O Senhor Valéry no palco
Publicada por Francisca Cunha Rêgo em 11:42 0 comentários
Domingo, 26 de Abril de 2009
Rita Lello nomeada para o Festival de TV de Monte Carlo
A actriz Rita Lello acaba de ser nomeada na categoria de Outstanding Actress (Drama), na 49.ª edição do TVFest09 – Monte Carlo Television Festival, pela sua prestação na série da RTP1 Liberdade 21. Rita Lello, 38 anos, actriz e encenadora, está na Barraca há vários anos, tendo recentemente encenado Peça para Dois, de Tennessee Williams do qual foi protagonista. Está neste momento a encenar A Bicicleta de Faulkner, um texto contemporâneo da dramaturga Norte Americana Heather MacDonald, distinguida com o Prémio Hellen Hayes para Outstanding Play. O espectáculo contará com Maria do Céu Guerra no papel principal e música original de Bernardo Sassetti. A actriz estreou-se no teatro em O Conto de Inverno, de Shakespeare, numa encenação de Luís Miguel Cintra. Mais recentemente participou em peças como A Profissão da Sra. Warren, de Shaw, Deixa-me rir, de Alistair Beaton ou Jantar de Idiotas, de Francis Weber sendo actualmente responsável pelo núcleo de produção para a infância d’A Barraca.Rita Lello, em Peça para Dois, de Tennessee Williams. Foto de: Luís Rocha
Publicada por Francisca Cunha Rêgo em 09:30 0 comentários
Etiquetas: Notícias
Sábado, 25 de Abril de 2009
25 de Abril: uma revolução com banda sonora
É uma das muitas incongruências da mítica figura: o que terá levado Amália a cantar Grândola Vila Morena? Com o 25 de Abril, a fadista passou de heroína popular a memória do fascismo e, por isso, alvo a abater. Houve quem lhe chamasse uma Senhora PIDE, com nítido e exagero, pois Amália nunca teve qualquer conivência com a polícia política. Sabe-se, contudo, que chorou no enterro de Salazar. E o sinistro ditador referia-se a ela como a «criaturinha». Mas também se diz que entregou dinheiro ao PCP ou a alguém ligado ao PCP. Álvaro Cunhal quis levá-la à Festa do Avante!, mas ela sempre se recusou. De esquerda ela não era. Mas no pós-25 de Abril confundiram-na com uma fascista que talvez também não fosse. E numa altura que até a direita tinha um discurso de esquerda, Amália, para dissipar qualquer dúvida, gravou o hino da Revolução dos Cravos, Grândola Vila Morena. Mas nunca ergueu o punho a cantar, isso é grantido.
Publicada por Manuel Halpern em 01:26 1 comentários
Sexta-feira, 24 de Abril de 2009
Não mais do que desamparo
THIS IS ENGLAND, DE SHANE MEADOWS
Poucos sentimentos humanos são mais devastadores do que o medo. Com a ganância, é talvez a causa que mais vezes encontramos associada ao mal e a todas as suas formas. No filme de Shane Meadows, This is England (vencedor do BAFTA para melhor filme britânico do ano), Shaun (deslumbrantemente interpretado pelo muito jovem Thomas Turgoose) é uma criança aterrorizada pela sua própria fragilidade: o pai morto na Guerra das Malvinas, o bullying de que é alvo na escola, a desesperança da mãe e a fealdade da cidade em que vive mergulham-no num estado próximo da depressão. Até ao dia em que um grupo de punks o toma sob protecção e Shaun volta a ter pequenos sonhos que lhe iluminam o rosto: umas botas Doc Martens, um novo corte de cabelo, uma primeira namorada, mais velha e experiente como fica bem a um rapaz da sua (pouca) idade. Não são felizes para sempre. No seio desta nova e benigna família há-de infiltrar-se Combo, um skinhead saído da prisão, a quem o desamparo há muito conduziu à violência e ao racismo.
Shane Meadows (nascido em 1972) é um herdeiro confesso da tradição realista britânica, de que são intérpretes maiores realizadores como Ken Loach ou Mike Leigh. This is England, ambientado na democracia musculada (chamemos-lhe assim) de Thatcher, é dominado por conflitos laboriais e sociais muito graves, em que o desemprego (ou o subemprego) do proletariado desencadeia, entre outros fenómenos, a hostilidade contra os emigrantes (nomeadamente indianos e paquistaneses) e o chauvinismo. Para este panorama sombrio, o regime encontra fórmulas anestesiantes de diversão como o «casamento do século» entre Carlos e Diana e a «última guerra patriótica», contra a Argentina, pela posse das minúsculas ilhas Malvinas. Em pano de fundo, bandas punk como os Joy Division ou os Sex Pistols dão o mote musical: temas como Anarchy in UK ou God Save the Queen não deixavam margem para dúvidas. O mau-estar grassava e tomava a forma de uma crise de identidade. Perdido o sonho do Império e do rule Britannia, o que restava ao britânico médio?
Shane Meadows, que cresceu nesta Inglaterra proletária e sombria (mas, como tantas vezes nos dois últimos séculos, na vanguarda cultural), constrói uma narrativa brilhante, sem maniqueísmos nem lições de moral. Demonstra como, insidioso, o mal cresce num grupo humano à semelhança dos cancros: invariavelmente a partir de dentro e com as mesmas consequências letais. Compassivo com as suas personagens (que parece conhecer tão intimamente), o realizador nunca as reduz a uma só dimensão: hesitam, confundem-se, perdem-se, reencontram-se até ao momento em que uma tragédia as submete a um esforço da clarificação. A entrada em cena de Combo destruiria, para sempre, a cândida proposta subversiva dos amigos de Shaun e colocava-os precocemente face a escolhas de vida ou da morte. Destas, há-de depender a perda ou a salvação de todos eles.
This is England, de Shane Meadows, com Thomas Turgoose, Stephen Grahanm, Jo Hartley, Andrew Shum, Vicky McClure, Joseph Gilgun.122 minutos. G.B, 2006
Publicada por Maria Joao Martins em 18:06 1 comentários
Etiquetas: Cinema
Os contos de John Cheever
John Cheever (1912-1982) é um dos grandes nomes da tradição norte americana da história curta, na linha de Sherwood Anderson, J. D. Salinger e Raymond Carver. Ao longo da vida escreveu inúmeros contos, quase todos publicados inicialmente na revista The New Yorker. É essa monumental produção que a Sextante começa agora a publicar em Portugal, em dois volumes, depois de ter editado um dos seus romances, Falconer.Publicada por Luís Ricardo Duarte em 16:00 0 comentários
Etiquetas: Livros
O mais novo coro mais velho do mundo
Young@Heart, de Steven Walker
O filme começa com uma senhora de 90 anos a cantar, sussurrando, ao microfone, Should I Stay or Should I go, dos Clash. É um delicioso aperitivo na apresentação do mais insólito coro do mundo. Os Young@Heart são formados por cerca de 20 idosos e o seu reportório é feito, essencialmente, à base de punk, soul e rock. Clash, James Brown, Talking Heads ou Sonic Youth são algumas das bandas visitadas por estes indomáveis gerontes. O documentário, de Stephen Walker, é construído num tom de Isto é Incríve!l. E na verdade é. Apanham-se momentos encantadores e quase insólitos, ao mesmo tempo que se aprecia uma fantástica vontade de viver a vida, numa idade em que, aparentemente, não há muita vida para viver. É essa adrenalina que os move nesta adolescência mais que tardia, mesmo quando, confessos apreciadores de música clássica, vão para os ensaios de tampões nos ouvidos, porque tudo aquilo faz muito barulho, ou discutem que lado do CD deve ficar para cima. Um filme fresco e ironicamente jovem.
Sexta, 24, 15 e 30, Classic Alvalade 3
Publicada por Manuel Halpern em 14:14 0 comentários
Etiquetas: Cinema
Noé Sendas na Filmoteca Espanhola

Publicada por Maria Leonor Nunes em 11:57 0 comentários
Etiquetas: Exposições
O Deserto dos Tártaros, Dino Buzzati
Publicada por Francisca Cunha Rêgo em 09:32 0 comentários
Quinta-feira, 23 de Abril de 2009
Cada ribanceira é uma nação
«Rio de ladeiras/ Civilização encruzilhada/ Cada ribanceira é uma nação», sempre que entro no Facebook ou no Twitter ocorre-me esta música de Chico Buarque. Naturalmente, quando Chico escreveu Estação Derradeira, estava a pensar nas favelas, que escorrem pelos morros do Rio de Janeiro, como se fossem ribanceiras, ao mesmo tempo que se fecham nas suas próprias leis como se fossem estados.
O Facebook e o Twitter são mundos enclausuradamente abertos. Existe um eu hiper-enfático, numa arrogância existencial, como se o mundo girasse à volta do ego e se interessasse por cada passo, cada impressão ou cada sentimento do indivíduo. E assim se transformam os mais insignificantes pormenores do quotidiano em algo digno de ser noticiado e comentado, muitas vezes numa voluntária abdicação da privacidade.
Essa abdicação da privacidade transforma estes mundos em algo exemplarmente aberto, de entidades desprotegidas de capas, segredo e mistérios, iludindo-nos com uma transparência que, evidentemente, nunca chega a ser efectiva. Os programas em causa espelham uma necessidade de comunicação, de exasperadamente alcançar o outro, numa sociedade que, segundo se diz e se queixam os analistas, perigosamente se fecha. É essa bipolaridade que torna a coisa interessante: estes cibernautas ao mesmo tempo que se fecham percorrendo com o teclado todos as saliências dos seus umbigos, exibem esplendorosamente o umbigo ao mundo, sobrevalorizando-o para bem da auto-estima.
O Facebook e o Twitter são ou podem ser, claramente, mais do que isso. É um meio de comunicação totalmente novo com potencialidades brutais. Que de outra maneira se poderia comunicar como 50, 100, 200 ou mil pessoas em simultâneo? É uma forma de estar diferente. Há amigos do Facebook que quando se cruzam na rua fazem de conta que não se conhecem, porque, simplesmente, não têm nada para dizer um aos outro. E há outros que se tornam amigos no Facebook. Enquanto as instituições já se aperceberam da importância que os meios estão a adquirir e investem massivamente. Mas o balanço é positivo. O Facebook e o Twitter aproximam as pessoas, num mundo cada vez mais distante.
Publicada por Manuel Halpern em 13:57 0 comentários
Etiquetas: homem do leme
Narrativa do tempo

O conceito de memória e a condição da fotografia são as linhas de força da quarta exposição individual de João Leonardo. A ideia de tempo tem sido constante no seu trabalho, nomeadamente através da apresentação do resultado acumulado de uma mesma actividade ao longo de dias, meses ou anos. Assim era com as palavras cruzadas e os maços de cigarros utilizados para as concluir, em As Time Goes By, e agora em Timeline.O artista, nascido em 1974, em Lisboa, partiu do seu arquivo de imagens digitais, que tem vindo a criar nos últimos cinco anos, para dar corpo a uma enorme instalação de 48 metros, que se estende ao longo da Galeria 111, em Lisboa, onde a exposição está patente até 30 de Maio. Os temas são os mais variados – paisagens, natureza mortas, retratos, abstracções, animais, viagens, manifestações políticas, edifícios, objectos, comidas, mas é nessa dispersão que as peças deste puzzle formam uma inesperada narrativa. «A diversidade e o aparente caos são tão mais surpreendentes como a própria simplicidade do trabalho», lê-se na apresentação da mostra. «O olhar individual de quem produz a imagem é o fio condutor real que nos permite ver – como num espelho – a própria imagem do criador». A exposição encerra com um vídeo em que João Leonardo se auto-entrevista, inspirado na obra do artista plástico Lucas Samaras. Porque esta linha do tempo, esta narrativa, é sobretudo interior.
Publicada por Luís Ricardo Duarte em 12:55 0 comentários
Etiquetas: Exposições
14.º Festival Sementes
«Mostrar às crianças e jovens do nosso país, um leque o mais variado possível das diferentes estéticas e áreas artísticas, de forma a muni-los de referências que os permitam formar um espírito crítico em relação à forma e aos conteúdos veiculados por esses objectos artísticos», é segundo Rui Cerveira, director do 14.º Festival Sementes – Mostra de Artes para o Pequeno Público, um dos objectivos principais da programação, organizada, como sempre, pelo Teatro Extremo. De 2 de Maio a 7 de Junho, mais de 30 companhias de países como Portugal, Espanha, França, Itália, Holanda, Reino Unido e Suíça apresentam espectáculos de teatro, dança, marionetas, música, circo, magia, além de exposições e animações de rua. As actividades estendem-se por palcos, praças e jardins de 11 municípios (Almada, Aveiro, Barreiro, Cascais, Moita, Montemor-o-Novo, Odivelas, Palmela, Santarém, Seixal e Sesimbra) e iniciam-se com a animação de rua Cogumelos, da companhia francesa Théâtre de la Toupine, às 10 e 30, no mercado do Feijó, e às 16, no Largo Gabriel Pedro, em Almada. Às 22, na Praça da Liberdade, também em Almada, pode ver-se Colecção de Borboletas, pela companhia britânica Neighbourhood Watch Stilts International Street Theatre. Ao longo do período do festival, de terça a sexta, às 10 e 30 e 15 horas (para escolas, por marcação), sábados, às 16, e domingos, às 11, o Teatro da Malaposta e Klássikus apresentam João e o Pé de Feijão, com texto e encenação de Fernando Gomes. Na Biblioteca D. Dinis, em Odivelas, dias 8 e 9 de Maio, decorre uma das actividades mais originais do Sementes: Contar Carneiros – Adormeço num conto, acordo no teatro, no qual crianças e pais são convidados conhecer a biblioteca e a visitar a exposição O tamanho da minha altura, com ilustrações de Marta Neto, para o livro de Suzana Ramos, e a passar a noite a contar e a ouvir histórias, e depois adormecer ao som de histórias, poesias, canções e lengalengas. De manhã haverá o atelier de pintura com Teresa Roriz. Estas e muitas outras actividades compõem o Sementes. Mais informações através do 212723660. Publicada por Francisca Cunha Rêgo em 09:41 0 comentários
Quarta-feira, 22 de Abril de 2009
O Anel do Poço, de Paulo Teixeira
O Poço
Mas é aí que tudo acontece,
nos lugares aonde nunca fomos -
o ar ergue a ponte pênsil,
elevada meio tom acima da voz,
acima das frases que se precipitam
e a si chamam as atenções gerais,
membros da confraria sem o sabermos
na pausa fumegante, aérea:
consoante surdas, explosivas,
viajam no ar e na água,
abruptamente caem,
o centro de interesse,
no poço do elevador ou da mina,
para sempre desfocado.
A inquilina em Motzstrasse
Um desígnio: escapar às malhas do real,
enredar na sua vidas imaginárias,
ídolos, crenças, tabus, ordenar
os nomes onde se perde, em elipses,
nas palavras das baladas e canções,
o rasto aos amigos alegóricos;
dispô-los de maneira a regurgitarem
a página de segredos, mitos,
pseudónimos, máscaras,
construir uma biographia literaria
onde a vida verídica, a vénus
oriental & o andrógino verdadeiro
renunciam à vida oficial,
a vida que não passa de um ensaio
entre gentes, lutos, leitos, parábolas,
trocar, títere e personagem
vestida de roupas masculinas,
a escura vida em que desposou
este e aquele, o Bárbaro, o Nibelungo,
por um reino de poder e domínio
no Egipto ou no Eufrates.
A hora nua e os dias breves
de Janeiro verão seguir,
com o séquito de sombras,
na barca de passagem, o rei,
o imperador invisível de Tebas.
Se não tardar o mestre das horas.
O empregado
dann in Berlin als ems'ger Prosaist
vivi então em Berlim como diligente prosador]
Não tinha morada fixa
nem cartão de visita.
Nada na sua vida,
à parte a crispação nervosa
e as hesitações da escrita,
parece digno de menção.
A caligrafia mínima
e uma particular disposição
para a tristeza não constam
da magra folha de serviços.
Sem carta de rota,
sem identidade conhecida,
foi evitando as vias principais,
abrindo com os passos um trilho
neste sudário: passou traves, cancelas,
foi, duende, estranho fantasma,
ver tinir a luz das cidades na distância.
Tendo desistido de tudo
(família, relações, as simples
futilidades da conversa),
o único prazer era este: evadir-se,
ser como o vadio onde a desventura
como o pedaço de carvão incandescente
brilha, é um sol interior que arde
e ilumina a casa sem portas nem janelas
que é o ser - ir, só, melancólico, absorto,
até ao limite da resistência passiva,
até à capitulação final.
Vestiu o casaco de lã e hoje
deixou na neve escrita a vida
tão gratuita como uma pantomima.
Do novo livro de poemas de Paulo Teixeira, O Anel do Poço, uma edição da Caminho.
Publicada por Luís Ricardo Duarte em 14:00 0 comentários
Nas Bancas
Publicada por Luís Ricardo Duarte em 12:29 0 comentários
Etiquetas: JL
As páginas infinitas de Saramago
Publicada por Maria Leonor Nunes em 12:01 0 comentários
Etiquetas: Livros
Tomar o Sol
Publicada por Francisca Cunha Rêgo em 09:32 1 comentários
Terça-feira, 21 de Abril de 2009
Paisagens familiares
(clicar nas imagens para aumentar)
Publicada por Luís Ricardo Duarte em 15:27 0 comentários
Etiquetas: Arte, Exposições
Nadir Afonso em livro
Publicada por Maria Leonor Nunes em 12:47 0 comentários
Teatro da Terra
Publicada por Francisca Cunha Rêgo em 09:42 0 comentários
A batida de Fernando Pinto do Amaral
Depois de conhecer O Segredo de Leonardo Volpi, o recém-lançado romance de Fernando Pinto do Amaral, fiquei com curiosidade em saber da música do próprio Leonardo. Estará algures entre um Luís Gonzaga de segunda linha e um Tom Jobim de terceira, e é certo que, nos últimos anos, perdeu o fulgor. Mas ainda assim possui os dotes carismáticos dos grandes artistas, aqueles que iluminam tudo por onde passam, ou ensombream... Indiferente para o caso, desde que qualquer coisa aconteça.Publicada por Manuel Halpern em 00:33 0 comentários
Etiquetas: Livros
Segunda-feira, 20 de Abril de 2009
O pequeno guerreiro de Xangai
O cinema tem esta capacidade avassaladora: James Graham Ballard, conhecido por JG Ballard, é autor de dezenas de novelas importantes, mas, no momento da morte (ocorrido no passado domingo, 19, aos 78 anos), os obituários publicados abriram invariavelmente com a referência à adaptação de O Império do Sol, por Spielberg, e com o facto da história nele contada, passada na Segunda Guerra Mundial, ser autobiográfica. Jamie, o pequeno inglês sobrevivente a um campo de internamento nipónico durante a IIª Guerra Mundial (brilhantemente interpretado por Christian Bale), não era outro senão o próprio escritor, nascido em Xangai a 15 de Novembro de 1930, filho de um químico que dirigia uma multinacional britânica instalada na China. O mundo privilegiado e glamouroso em que vivia, entre quadros ocidentais, foi bruscamente estilhaçado pela violência da guerra sino-japonesa e, posteriormente, pela entrada do Japão na IIª Guerra, ao lado de Alemanha e Itália.Publicada por Maria Joao Martins em 18:50 0 comentários
Etiquetas: Notícias
Gabriel Abrantes, Prémio EDP
Gabriel Abrantes, 24 anos, encontra no cinema uma forma de «preenchimento em termos sociais»: «No atelier, estou a fazer um esforço intelectual, mas a actividade social não é grande. O cinema tem vindo a cumprir esse espaço que foi a razão principal que me levou a trabalhar em arte». Também a possibilidade de realização de todas as artes. Tanto mais que o seu cinema está «longe de obedecer a qualquer convenção». Prepara agora um filme, em três «capítulos», que irá apresentar em locais distintos, a Maumaus - Escola de Artes Visuais, a ZDB e o Museu da Electricidade – é um dos finalistas do Prémio EDP Novos Artistas 2009 – para contar a história de um casal homossexual, em eco-férias na Amazónia, que decide ter um filho com recurso a uma barriga de aluguer e aos óvulos de uma irmã. Em cada um dos lugares, irá construir um cenário e filmar lá mesmo o que vai projectar nesse espaço. «É um filme dividido na cidade», adianta, sublinhando por outro lado a importância do «públicoalvo». «Houve uma grande abertura nas artes plásticas, como na escrita ou na filosofia, o que resultou numa grande perda de sentido. O capitalismo tem o objectivo de fazer dinheiro e esse é também o de Hollywood, que produz os filmes que têm sentido para o seu público-alvo. Eu opero da mesma maneira, procurando um público-alvo e um objectivo claro, até porque a maior parte das coisas que vemos hoje não querem dizer absolutamente nada».
Procura, aliás, diferentes ângulos de abordagem, como aconteceu em Visionary Iraq, um filme que fez sobre o Iraque. Aposta sempre num «exercício de imaginação». Fez já uma longa-metragem, O grande abraço de Gabriel Abrantes, em Trás-os-Montes, na aldeia dos seus bisavós paternos, onde costumava passar os Verões e que um dia demandou numa tentativa de encontrar qualquer coisa que não achava em Nova Iorque, onde vivia. Instalou-se na velha casa da avó e pensou rodar um dilúvio, usando os jovens locais como actores: «Tenho sempre a ideia de escolher audiências muito estranhas, que não têm voz, como a desta aldeia, uma das que
vão desaparecendo por causa da globalização », diz. Usou também elementos de telenovelas como contos tradicionais, do folclore transmontano e da recolha de Leite de Vasconcelos. É um filme que pretende fazer passar no circuito dos festivais, não em galerias. E não esconde o desejo de fazer um épico. Assim venda quadros para isso. Em todo o caso, experimenta já um certo toque conservador, «no caminho do ICAM», comenta irónico.
Gabriel Abrantes nasceu em Chapel Hill, na Carolina do Norte, Estados Unidos, para onde os pais médicos, haviam emigrado. Veio para Portugal aos quatro anos, seguindo depois para Bruxelas, até aos sete, e de novo para os EUA. Fez o curso de Fine Arts and Cinema, na Cooper Union for the Advancement of Science and Art, em Nova Iorque, onde experimentou intensamente as diferentes práticas artísticas, da escultura ao cinema. Frequentou no ano passado um mestrado no Le Fresnoy, Studio Nacional des Arts Contemporains, em França e actualmente vive em Lisboa.
A inclinação para a arte, que vem de alguma maneira de família – o pai também pintava e é parente do pintor João Vieira e de Manuel João Vieira – tornouse total. Também faz música e performance, o projecto de one man band, em que pode tocar bombo com o pé, bandolim com as mãos e ainda cantar. Apresentou-se pela primeira vez em público se recentemente no Maxime. Não correu mal: «Algum pessoal disse que tinha muita lata e houve algumas pessoas que gostaram da música. Eu estava muito nervoso eenvergonhado. E nesse sentido foi importante no meu trabalho. Porque há muita vergonha na arte contemporânea».
Em Agosto vai expor em Brasília um filme que irá fazer na Amazónia e em Novembro terá uma exposição em Paris.
Publicada por Maria Leonor Nunes em 16:47 0 comentários
Etiquetas: Arte, Exposições
A polémica biografia de Paulo Coelho
O subtítulo é prometedor. Nele se promete a incrível história de um «menino que nasceu morto, seduziu o anjo da morte, sofreu em manicómios, mergulhou nas drogas, experimentou diversas formas de sexo, encontrou-se com o diabo, foi preso pela ditadura, ajudou a revolucionar o rock brasileiro, redescobriu a fé e transformou-se num dos escritores mais lidos do mundo».Foi a essa tarefa que se lançou Fernando Morais, autor de várias biografias de referência, como Olga, Chatô, Na Toca dos Leões ou Montenegro. Seguindo o rastro da sua vida, o conceituado jornalista brasileiro tentou compreender Paulo Coelho nas suas múltiplas dimensões, em particular no confronto entre a esfera pública e privada. Para isso, teve o privilégio de poder consultar inúmeros documentos pessoais do autor de Brida, O Alquimista, O Monte Cinco ou A Bruxa de Portobello, incluindo um baú que continha 40 anos de diários, alguns gravados em cassetes.
«Procurei Paulo Coelho em todos os lugares possíveis e fui atrás dos acontecimentos que tantas cicatrizes haviam deixado na sua história», escreve Fernando Morais na introdução a O Mago, uma edição da Planeta. «Procurei-o nos becos sombrios dos bas-fonds de Copacabana, nos prontuários dos loucos e nas ruínas da antiga Casa de Saúde Dr. Eiras, no perigoso mundo das drogas, nos arquivos da repressão política, no satanismo, nas misteriosas sociedades secretas, na parceria com Raul Seixas, na sua família e na sua genealogia».
No total, entrevistou mais de 100 pessoas. «Vasculhei sua vida, revirei sua intimidade, remexi no seu testamento, fucei bulas de seus remédios, li suas contas pessoais, mexi nos seus bolsos, procurei filhos que eu imaginava terem sido gerados em seus casamentos e aventuras amorosas», conclui o jornalista brasileiro. E, no fim, descobre-se o retrato de alguém que bem poderia ser uma das muitas personagens que Paulo Coelho criou para os seus romances.
Publicada por Luís Ricardo Duarte em 13:43 0 comentários
Etiquetas: Livros
Sexta-feira, 17 de Abril de 2009
A Ciência vai ao Teatro com os diabos que carregam a Cultura
O cientista propõe abordar a evolução das diferentes representações do ‘proibido’ a partir de Godot de Samuel Beckett. E nem sempre o diabo está à espera… É a primeira de um ciclo que decorre até 14 de Julho, naquele teatro, com a participação de personalidades de diferentes áreas.
Publicada por Maria Leonor Nunes em 18:53 0 comentários
Etiquetas: Notícias
Novo inquilino n'O Bairro
A mesma editora informa que 400 alunos da Universidade Lusíada vão projectar casas para o bairro criado pelo escritor português, onde já moram os senhores Valéry, Henri, Juarroz, Calvino, Brecht, Kraus, Walser e Duchamp. «O projecto é elaborado num sítio real, na rua de s. mamede / rua da saudade, na zona do castelo, em Lisboa. O tema é: "uma casa para um livro" e, mais especificamente, para uma personagem. E os alunos entregarão projecto, maquete, etc.», lê-se no comunicado de imprensa da Caminho.
«Este projecto envolve 14 docentes de arquitectura, da cadeira de projecto, da Universidade Lusíada, coordenados pelo Professor Fernando Hipólito. Prevê-se uma exposição dos trabalhos no final e, eventualmente, a entrada de alguns projectos, de uma forma ou de outra, no bairro dos senhores de Gonçalo M. Tavares.» Aos alunos do 5.º ano do curso de Arquitectura caberá a projecção do bairro no seu conjunto. Cada casa terá várias divisões, todas adaptadas à especificidade de cada escritor.
Publicada por Luís Ricardo Duarte em 16:32 0 comentários
Etiquetas: Literatura, Livros
Entrevista a Juan Manuel de Prada
É um pessimista?
Publicada por Luís Ricardo Duarte em 13:19 0 comentários
Etiquetas: Literatura, Livros
Um Xuto no Engenheiro
Sem Eira nem Beira, Xutos & Pontapés
Vai ser o grande sucesso deste Verão. Ao vivo, será insuperável. O Kalú salta da bateria e canta Sem Eira nem Beira, para delírio da multidão, e depois mergulha para o público.
Quem trouxe a canção para o reportório dos Xutos foi o próprio Kalú. Mas a letra é do Tim. Segundo ele me explicou, inicialmente dizia «senhor doutor» e imaginava uma cena no tribunal, o reu já a ser levado e a proferir ainda aquelas palavras. Mas depois mudou para engenheiro: «A grande diferença entre o PS e o PSD é mesmo essa, antes era doutor, agora é engenheiro».
Não é a primeira vez que os Xutos usam palavrões. O primeiro discos, 1979-1982, está cheio deles. E no tema Esta Cidade falam em 'Filhos da Puta'.
Falar em 'Foder' também não provoca pasmo maior na música portuguesa, depois do hit de Pedro Abrunhosa. Em Sem Eira nem Beira a palavra é usada no seu sentido não literal, como sinónimo de 'tramar' e não de 'fazer amor'.
Musicalmente é muito interessante, porque tem aquela acentuada mudança melódica no referão. Lembra-me O Gingão, dos Peste & Sida, naquela parte em que cantam «Senhor Aníbal, arranje-me mais um copo, que eu ainda não estou bem, aguento mais um pouco». Outra música que usa a palavra 'puta', não no sentido de prostituta, mas de outra coisa qualquer.
Nesta rua que atravesso
Dão milhões a quem os tem
Aos outros um passou - bem
Não consigo perceber
Quem é que nos quer tramar
Enganar
Despedir
E ainda se ficam a rir
Eu quero acreditar
Que esta merda vai mudar
E espero vir a ter
Uma vida bem melhor
Mas se eu nada fizer
Isto nunca vai mudar
Conseguir
Encontrar
Mais força para lutar...
(Refrão)
Senhor engenheiro
Dê-me um pouco de atenção
Há dez anos que estou preso
Há trinta que sou ladrão
Não tenho eira nem beira
Mas ainda consigo ver
Quem anda na roubalheira
E quem me anda a comer
É difícil ser honesto
É difícil de engolir
Quem não tem nada vai preso
Quem tem muito fica a rir
Ainda espero ver alguém
Assumir que já andou
A roubar
A enganar
o povo que acreditou
Conseguir encontrar mais força para lutar
Mais força para lutar
Conseguir encontrar mais força para lutar
Mais força para lutar...
(Refrão)
Senhor engenheiro
Dê-me um pouco de atenção
Há dez anos que estou preso
Há trinta que sou ladrão
Não tenho eira nem beira
Mas ainda consigo ver
Quem anda na roubalheira
E quem me anda a foder
Há dez anos que estou preso
Há trinta que sou ladrão
Mas eu sou um homem honesto
Só errei na profissão
Publicada por Manuel Halpern em 00:30 0 comentários
Quinta-feira, 16 de Abril de 2009
Nova tradução de A Montanha Mágica
Esta é a primeira tradução para português feita directamente do alemão?
Não, trata-se apenas da primeira tradução para português europeu, porque já havia uma no Brasil, também feita directamente do alemão por Herbert Caro. Foi uma tradução que depois teve uma adaptação estilística, ao ser publicada em Portugal, que na minha opinião não foi bem sucedida, como acontece muitas vezes nestes casos.
Como explica que um romance desta importância tenha tão poucas traduções?
Não é caso único. Basta pensar em Robert Musil, que só no ano passado teve uma segunda tradução do seu O Homem Sem Qualidades. Aliás, os casos de Thomas Mann e Musil são muito semelhantes. Ambos tinham sido editados na Livros do Brasil e têm agora novas traduções, mais cuidadas, para português europeu. E em relação à Literatura Alemã há um manancial enorme de poetas, escritores e dramaturgos que não têm tradução para português, nem em Portugal, nem no Brasil.
Traduzir A Montanha Mágica é uma tarefa difícil?
Não só pela enorme extensão da obra, mas também pela especificidade da linguagem de Thomas Mann, que tem muitas referências culturais, filosóficas e políticas. Foi um trabalho moroso, mas também gratificante. Até porque n'A Montanha Mágica encontramos lá tudo, em termos de História, de Filosofia e da visão do mundo do início do século XX.
O que mais a fascina na obra de Thomas Mann?
O cuidado com a linguagem. Todas as palavras, frases e construções são muito elaboradas, mas sem que o leitor tenha consciência disso. São elaboradas em termos conceptuais. Como se cada palavra, frase ou construção fosse pensada e estivesse no lugar certo. O grande desafio do tradutor é conseguir devolver essa riqueza na língua portuguesa.
Publicada por Luís Ricardo Duarte em 13:14 0 comentários
Etiquetas: Breve encontro, Literatura, Livros
Inaugurações simultâneas
A Associação Portuguesa de Galerias de Arte promove este sábado, 18, às 15, mais um ciclo de inaugurações simultâneas, em 24 espaços de Lisboa e do Porto. Eis a lista completa.Em Lisboa:
- Timeline, de João Leonardo, e Youtube_paintings, de Francisco Vidal, na Galeria 111
- Pintura, de Joana Lucas, na Galeria Arte Periférica
- Arkhé, de Antía Moure, na Galeria Carlos Carvalho
- Ties, de Conceição Abreu, na Galeria Diferença
- Escultura, de Laranjeira Santos, na Galeria Galveias
- Matriarca, de Nuno Nunes-Ferreira, na Galeria Jorge Shirley
- Colectiva Accrochage 02/09, na Galeria Luís Serpa Projectos
- Colectiva Coleccionar I, no Módulo – Centro Difusor de Arte
- De Tanto Mar ver…, de Carlos Barroco, na Galeria Novo Século
- Modo Narrativo, de Carlos Barão, e London Memory, de Margarida Sardinha, na Galeria Pedro Serrenho
- Colectiva Artelection, na Galeria São Bento
- Pintura, de Filipe Abreu, na Galeria São Francisco
- Verosímil, de Raquel Mendes, na Galeria Sopro
- Domestic poetry…embryo, de Lúcia David, na Galeria Trema
E no Porto:
- Desenho, de Pedro Gomes, na Galeria 111
- Sediment II, de Jakub Nepras, na Galeria Arthobler
- Reserved, de Noé Sendas, e Imaginações 2008 - 2009, de Nikias Skapinakis, na Galeria Fernando Santos
- Colectiva, na Galeria Graça Brandão
- Ao Quilómetro Seis, de Fabrizio Matos, na MCO Arte Contemporânea
- Na clareira, de Pedro Calapez, na Galeria Presença
- (a minute to) Stop Measuring…, de Célia Machado, na Galeria Sala Maior
- O Infinito Segredo, de Cruzeiro Seixas, na Galeria São Mamede
- Banca de Artista, de Alexandre A. R. Costa, na Galeria Serpente
- Silêncio ( ou variações de Goldberg), de Isabel Quaresma, na Galeria Trindade
Publicada por Luís Ricardo Duarte em 09:57 0 comentários
Etiquetas: Arte, Exposições
Quarta-feira, 15 de Abril de 2009
A Razão dos Avós em debate
Publicado em 2008, A Razão dos Avós, de Daniel Sampaio, pretendeu lançar um novo olhar sobre o papel dos avós na sociedade contemporânea. Na próxima segunda feira, 20 de Abril, pelas 21 e 30, no Teatro São Luís, em Lisboa, haverá um debate intitulado O Papel dos Avós no Mundo Actual, moderado por Luís Osório, com Isabel Alçada, Marcelo Rebelo de Sousa Maria Barroso e Daniel Sampaio. A entrada é livre. Em entrevista ao JL/Educação, na altura da publicação da obra, disse-nos o psiquiatra, lançando algumas pistas para o debate: «Reconheço que uma relação entre avós e netos é mais fácil, muito mais lúdica e baseada no afecto. Não há a tensão de os educar e de exigir tanto quanto os pais precisam de fazer. Mas também é importante que os avós disciplinem, que não façam tudo o que os netos pedem, e que saibam traçar limites». Publicada por Francisca Cunha Rêgo em 13:21 0 comentários
Etiquetas: Notícias
Tiago Baptista, Prémio Jovens Pintores
Publicada por Luís Ricardo Duarte em 12:43 0 comentários
Etiquetas: Arte, Exposições
Luz indecisa, de José Mário Silva
O corredor, a alcatifa, a mesa
da cozinha, a disposição dos
quartos, a cor dos azulejos,
o branco das paredes, a vista
para o muro das traseiras.
As casas que habitámos
ainda nos habitam.
formiga
«Pai, anda cá», diz a minha filha.
Pela parede branca sobe uma formiga,
minúscula, muito lenta, obstinada.
A minha filha encolhe o corpo
pequenino para olhar. Não sei se é
a primeira vez que vê uma formiga;
mas é, parece-me, a primeira vez
que se apercebe da enorme diferença
de escala que a separa do insecto.
A minha filha acompanha a subida
heróica da formiga pela parede
branca, vira-se para mim, sorri.
É nesse espaço subitamente tenso,
criado entre a alegria infantil da
descoberta e o esforço irracional
da formiga, que nasce o poema,
mesmo se eu já desisti dele para
limpar o ranho que a minha filha,
absorta, deixou chegar até à boca.
segundo soneto nocturno
Dizias: a poesia não nos protege
nem salva, é só um consolo inútil.
As folhas rasgadas ardiam melhor,
o fogo contorcia as estrofes, brilho
negro o destas cinzas. Dizias: foi
ontem que o anjo me veio arrancar
os olhos, amanhã virá à procura do
coração. Na tua voz, restos de vidro
moído, metal gasto, ferrugem. Lá
em cima as estrelas continuavam
a cintilar, indiferentes. Nenhuma
catástrofe que nos aconteça ficará
registada nos sismógrafos. Dizias:
afinal não há anjo, são só palavras.
Do novo livro de poemas de José Mário Silva, Luz Indecisa, uma edição da Oceanos.
Publicada por Luís Ricardo Duarte em 09:46 0 comentários
Terça-feira, 14 de Abril de 2009
Prémio Fidelidade Mundial Jovens Pintores
Publicada por Luís Ricardo Duarte em 16:47 0 comentários
Etiquetas: Arte, Exposições, Inaugurações
Pensar a arte
Eduardo Matos, João Fonte Santa, João Pombeiro, João Tabarra, Mafalda Santos, Miguel Carneiro, Miguel Palma, Paulo Mendes, Pedro Amaral, Pedro Barateiro, Pedro Cabral Santo + Ruy Otero, Sara & André e Susana Gaudêncio são os artistas que compõem a exposição A Escolha da Crítica, um projecto de Lígia Afonso, patente na Plataforma Revólver, em Lisboa, até 2 de Maio. Trata-se de uma selecção de obras de artistas de várias gerações, dos anos 90 à actualidade. O denominador comum de todos estes trabalhos é o posicionamento crítico, sistemático ou episódico, dos seus autores face ao sistema da arte contemporânea e a reflexão sobre os papéis sociais e económicos que a cultura desempenha. «Querer pensar acrítica e descontextualizadas as práticas artísticas contemporâneas é assumir passivamente o lugar do conforto dentro da sua estrutura estabelecida e alienar a possibilidade de encontro pelo diálogo e a criação, aos quais assiste a própria ideia de provocação e conflito», defende Lígia Afonso no texto introdutório a esta mostra. Nesse sentido, esta exposição «é uma tentativa de mapeamento de um discurso, mais ou menos polémico e interventivo, tornado possível com a lenta ultrapassagem dos limites e fronteiras historicamente herdados, ainda que porém, e agora em democracia, mais frequentemente normalizado que radicalizado.»Publicada por Luís Ricardo Duarte em 12:44 1 comentários
Etiquetas: Arte, Exposições
Segunda-feira, 13 de Abril de 2009
Ian McEwan em Portugal
O escritor inglês Ian McEwan estará em Portugal, entre os próximos dias 17 e 20 de Abril, para lançar o seu novo livro, Por Ti, o libreto que escreveu para a ópera homónima de Michael Berkeley. O autor de Amesterdão, Expiação e Sábado conversará com Clara Ferreira Alves numa sessão aberta ao público que se realiza no dia 18, sábado, às 16, na sala Luís de Freitas Branco do Centro Cultural de Belém, em Lisboa.Foto de Eamon McCabe.
Publicada por Luís Ricardo Duarte em 13:54 0 comentários
Etiquetas: Breves
A montanha de Thomas Mann
Publicada por Luís Ricardo Duarte em 13:01 4 comentários
Etiquetas: Livros
A formação literária de Fiama
A reedição do primeiro livro de Fiama Hasse Pais Brandão, Em Cada Pedra Um Voo Imóvel, é a grande novidade do volume recém-lançado pela Assírio & Alvim que reúne a sua prosa poética e duas ficções.Escrito em 1957, quando a poetisa tinha 19 anos, essa obra inaugural era composta por poemas em prosa e por várias «recitações dramáticas» de carácter diverso, como explica Gastão Cruz, responsável pela edição: «Tratava-se de curtas cenas líricas, ou poéticas, com alguma influência do teatro japonês, pelo qual a autora, na época, muito se interessara. Dele tinha Fiama retirado a epígrafe, que definia a tonalidade do seu próprio livro, em que as imagens ocupavam um lugar central: «O orvalho dos crisântemos gotejando cada madrugada/ quantas miríades de gerações levará/ até formar um lago?».
Com Em Cada Pedra Um Voo Imóvel e Outros Textos, a Assírio & Alvim prossegue a publicação das obras completas de Fiama, onde já constam Obra Breve, a poesia reunida, Contos da Imagem e Noites de Inês-Constança.
Publicada por Luís Ricardo Duarte em 09:46 0 comentários
Etiquetas: Livros
Quinta-feira, 9 de Abril de 2009
Marvin Gaye é o maior
Publicada por Manuel Halpern em 00:01 2 comentários
Etiquetas: Inquérito
Quarta-feira, 8 de Abril de 2009
As passadeiras de Jaime Vasconcelos
Publicada por Luís Ricardo Duarte em 17:40 0 comentários
Etiquetas: Exposições








